Episode Transcript
[00:00:06] Speaker A: Sejam muito bem-vindos a mais um podcast do Automóvel Clube Portugal. Eu sou o Francisco Costa Santos e hoje vamos entrevistar o José Oliveira, diretor do Ecar Show, que é o maior salão de automóveis elétricos em Portugal. E não só elétricos.
José, como é que surge o Ecar Show?
[00:00:21] Speaker B: Só fazer aqui uma pequena introdução, porque ele não é só o maior salão de automóveis híbridos e elétricos de Portugal, mas eu até me arriscaria a dizer da Europa, quando falamos especificamente desta área de atividade, ou do setor ligado à área dos veículos híbridos e elétricos plug-in. O Salão nasceu, vai fazer este ano 10 anos no Porto, de uma ideia que haveria interesse a médio prazo de desenvolver esta área de setor, com algum receio porque estávamos em 2017, 2017 era um ano em que, na verdade, O salão teve quatro veículos 100% elétricos, que eram os modelos que haviam na altura.
Meia dúzia de veículos plug-in e o resto eram tudo carros híbridos. O que é certo é que, para o nosso espanto, o evento teve um sucesso tremendo junto do consumidor final.
Nós tivemos, e hoje em dia nós usamos isso como uma brincadeira, os bilhetes que nós tínhamos pós-dias todos do evento esgotaram no primeiro dia.
Por isso a nossa expectativa era verdadeiramente contrária àquilo que a população e que as pessoas encontraram nisso.
e a partir dessa altura foi sempre a evoluir. Em 2019, antes da pandemia, avançamos para Lisboa, começamos em Lisboa também a i5o, a iCard Show, e desde aí tem sido uma aventura em permanente crescimento e que acompanha na verdade, aquilo que é o setor dos veículos híbridos elétricos e do setor da mobilidade elétrica também em Portugal.
[00:01:58] Speaker A: José, e durante o Covid, porque atravessámos aqui um período muito difícil, como é que se manteve?
[00:02:02] Speaker B: Foi curioso porque nós deparamos com o Covid em 2020, O Ekar Show, por tradição, faz-se em maio, e era essa a data prevista, mas curiosamente nós, nesse ano, tínhamos previsto mudar de sítio, tínhamos feito no primeiro ano, nas antigas instalações da Filme de John Currie, decidimos mudar de sítio e fizemos, e tínhamos previsto, curiosamente, fazê-lo no parque de estacionamento do Arco do Céu, que foi um...
Algo que era completamente diferente.
Era a antiga estação de recolha dos elétricos em Lisboa. Isso também tinha aqui um valor simbólico.
E, curiosamente, pelo facto de ser completamente aberto, permitiu-nos fazê-lo em setembro em Lisboa. Nós tivemos uma aberta para fazer em setembro em Lisboa e em outubro no Porto.
E em 2021 voltamos a fazer no mesmo sítio em Lisboa. A verdade é que nós fomos dos poucos eventos que nunca deixou-se fazer mesmo na pandemia.
[00:02:59] Speaker A: José, não é curioso que observamos uma decadência destes eventos? Como é que se mantém em Portugal? O que é que mantém atrativo este modelo?
[00:03:08] Speaker B: Essa é uma questão que nos preocupa todos os anos.
[00:03:11] Speaker A: Porque os grandes salões estão a ser abandonados, não é?
[00:03:14] Speaker B: Sim, nós temos uma preocupação de, por um lado, para quem participa, para as marcas, criarmos formas de que a participação seja uma participação contida, uma participação em cujo o investimento seja relativamente capaz de ter retorno e, por outro lado, para os visitantes, estando nós numa fase de franco desenvolvimento.
do setor, ainda que é uma coisa que a capacidade e o interesse que as pessoas têm hoje em dia é diferente daquele que tinha em 2017.
Em 2017 as pessoas iam ao salão Mas não sabiam rigorosamente nada o que era um carro elétrico, o que era um carregamento, o que era um posto de carregamento. Sabiam rigorosamente. Inclusive as próprias marcas não tinham resposta.
Os comerciais das marcas não sabiam.
Isso estamos a falar de 2017 e de mesmo 2018 e alguns em 2019.
[00:04:08] Speaker A: Era uma grande novidade.
[00:04:09] Speaker B: Era uma novidade. As nossas conferências eram conferências muito básicas de como carregar um carro elétrico, se a gente apanhava um choque ao carregar o carro elétrico. Eram coisas muito básicas.
Esse visitante tem-se vindo a transformar ao longo dos anos e hoje já é. Temos, diria, três tipos de visitantes. Os visitantes são altamente conhecedores, que dominam completamente aquilo que é a mobilidade elétrica e vão ao salão para conhecer as estreias, as apresentações, as novidades, as novas soluções que existem a nível de carregamento e tudo isso.
Temos aqueles que têm interesse em comprar um carro e o objetivo é perceber um bocado que esta coisa da mobilidade elétrica já têm muitos amigos que têm mas nunca testaram nenhum e o salão tem essa grande vantagem desde o primeiro dia que é possibilidade das pessoas testarem as viaturas. E aquele que é completamente contra a mobilidade elétrica mas por alguma razão tem um familiar que vai ou porque alguém lhe disse ou porque arranjou uns convites e decide também ir para procurar.
E estes três, era só a primeira fase, eram os que não queriam mobilidade e não sabiam nada, e por isso o próprio visitante também se tem vindo a transformar com o próprio salão.
[00:05:21] Speaker A: E quem vai visitar, o que é que pode ver para além de automóveis eletrificados?
[00:05:27] Speaker B: Pode haver soluções de carregamento, pode haver empresas ligadas à área da oferta de fornecedores de energia, tem também a nível daquilo que é toda a parte funcional dos carregamentos e tem, acima de tudo, uma grande possibilidade que, obviamente, todo este ecossistema tem que funcionar em conjunto.
Ao contrário do que é o setor da combustão, a mobilidade elétrica é mobilidade porque nós falamos mais do que propriamente só o carro.
Mas claro, o carro é a principal atração.
Alguém pode ir procurar soluções de carregamento, soluções de fornecimento de energia, outros tipos de soluções. Hoje em dia, muito, aquilo que é a questão, que ao longo dos anos, no início era um entrave absoluto, que era eu vivo num prédio, tenho um condomínio, como é que eu consigo carregar?
[00:06:26] Speaker A: Essas dúvidas de quanto tempo surgiram?
[00:06:27] Speaker B: Sim, até 2020, diria 2022, era impossível.
não havia solução para isso. Hoje em dia já há soluções para isso, já a própria legislação também se foi modernizando e alterando e também já permite e vai defendendo, obviamente, isso. Também é verdade que nos condomínios nessa altura havia um que tinha um carro elétrico e vinte que não tinham. Hoje se calhar há nove que têm e onze que não têm e por isso já há uma vontade de transformação também nessas áreas. Mas já há soluções para isso, já há ofertas para isso e isso também é um dos grandes interactos, porque a mobilidade elétrica tem uma perspectiva diferente daquilo que é o setor da combustão também nisso, que é, preferencialmente, a mobilidade elétrica permite-me alguma comodidade. O que é que eu quero dizer com isto? Quero dizer que eu chego a casa, ponho o carro a carregar, não estou a pensar se vou à bomba de gasolina, se não vou, se preciso abastecer ou não. Eu vou ao shopping, eu vou a um sítio qualquer, eu vou ao cinema para um carro a carregar, vou almoçar a um restaurante e posso pôr o carro a carregar.
Mas a base de tudo diria que aquilo que é a âncora é a nossa habitação, seja ela individual ou coletiva. E nós tendo essa vertente salvaguardada temos, diria, o nosso caminho aberto para podermos efetivamente ter soluções ótimas de comodidade e a nível daquilo que é os carregamentos.
E por isso há uma preocupação muito forte de resolver essa primeira base que é a base de nós termos em nossa casa o nosso conforto como telemóvel que chegamos à noite e pomos a carregar.
[00:08:03] Speaker A: Porque essa é a condição de ter um carro elétrico, é termos em casa um sítio para o podermos carregar. Eu digo sempre, ou ter em casa ou ter no trabalho, porque...
[00:08:11] Speaker B: Eu diria que não é condição, eu diria que é condição ideal.
Eu diria que é condição ideal.
Mas... Existe muita gente que não tem isso e que tem a possibilidade, obviamente, e que tem a necessidade de carregar na rua.
Claro que isso torna-se muito mais fácil se nós ao pé de casa tivemos um ponto de carregamento que seja, obviamente, capaz de absorver as nossas necessidades e de todos aqueles que vivem à volta.
Isso, obviamente, é uma parte do ecossistema que está a crescer e está-se a desenvolver para acompanhar aquilo que é o desenvolvimento da mobilidade elétrica.
[00:08:48] Speaker A: Outra vertente do Hecar Show são também as palestras e as conversas que vocês desenvolvem, não é?
[00:08:53] Speaker B: Sim, nós temos vindo a transformar um bocadinho isso. Porquê? Porque nós vamos ter, em termos de apresentações, mais de 15 novidades totais, até inclusive uma apresentação mundial.
E nós, o que antigamente ocupávamos com muito palestras e muita informação, é muito ocupada com aquilo que são as apresentações automóveis. Sexta-feira, desde que começa às dez da manhã até às sete da noite, são apresentações constantes e permanentes à imprensa e à população de carros, de veículos, que as pessoas nunca tiveram contato com elas e por isso é uma forma importante. Depois disso temos também algumas palestras, mas são palestras que já abordam temas, diria, mais de reflexão dentro daquilo que é o setor da mobilidade elétrica.
[00:09:52] Speaker A: Ou seja, falando de carros elétricos e carros eletrificados, porque temos todos os híbridos, são sempre conversas nestes âmbitos, nestes temas.
[00:10:02] Speaker B: Sim.
Nós este ano vamos ter uma vertente também que quisemos incorporar, que é uma vertente sempre, diria, com algum...
Há, diria, alguma questão em aberto que é parte dos carregamentos.
Como é que está a acontecer esta evolução em termos de que são os carregamentos, tendo em conta a evolução rápida que está a haver a nível das vendas dos veículos elétricos?
E depois temos também outra parte que é uma novidade no Salão, que nós ainda não falamos, que tem a ver com a incorporação este ano dos veículos híbridos e elétricos de mercadorias e de transporte de mercadorias que nós incorporamos, onde temos uma área que temos a apresentação, diria, de todas as marcas que existem no mercado e que têm essas soluções, que é um setor em crescimento ainda maior que o próprio setor automóvel.
[00:10:58] Speaker A: Os comerciais.
[00:10:59] Speaker B: Exatamente.
[00:11:00] Speaker A: Pois, que era um ponto em que eu queria tocar, porque é curioso. Não só carros de passageiros, carros para o público em geral, mas também aqui uma parte muito focada nas empresas.
[00:11:10] Speaker B: Sim. As empresas, eu acho que, conhecendo um bocadinho aquilo que é a mobilidade elétrica na Europa e o desenvolvimento que cada país foi tendo, eu acho que nós tivemos uma estratégia, o país teve uma estratégia muito interessante, teve, diria aqui, duas componentes que foram fundamentais para mim, para aquilo que foi o desenvolvimento. Numa primeira fase, a criação da Mobye, que Há muita gente que ama, outros que odeiam, mas eu acho que quem vivencia e quem circula para a Europa.
percebe que o facto do agregador da Mobile em determinada altura foi muito importante e foi muito importante também neste desenvolvimento daquilo que são as frotas das marcas, o permitindo a perspectiva de haver pontos dos próprios colaboradores poderem ter em casa pontos de carregamento e em termos daquilo que é a integrabilidade dos pagamentos ser mais fácil.
E depois, o facto de ter havido um apoio significativo àquilo que foi a compra dos veículos por parte das empresas. Isso permitiu realmente um desenvolvimento muito grande, numa altura em que as marcas não estavam muito preocupadas em apresentar produtos de gama baixa.
O setor dos automóveis híbridos elétricos entraram como entraram em todo o mundo pela gama alta, para dar credibilidade ao produto.
[00:12:32] Speaker A: Para provar o que é que conseguem fazer.
[00:12:34] Speaker B: Exatamente, em termos de credibilidade, em termos daquilo que é a qualidade do produto, e depois têm vindo a baixar a gama e hoje, por alguma razão, vamos fazer a apresentação este ano, por exemplo, do Kia EV2, do Polo, do Volkswagen Polo, o ID.Polo. as gamas, que era uma das críticas que nós ouvíamos muito no início, quando começamos a lançar o Salão, que era, ah, isto é só para as pessoas com muito dinheiro e tal.
[00:13:05] Speaker A: Mas claro, foi uma estratégia que as marcas arranjaram de poder justificar e de mostrar às pessoas.
o público ficou chocado ao início, como é que um carro elétrico consegue ter uma performance tão elevada, que era uma tecnologia aplicada atualmente completamente inovadora, porque sabemos que os carros elétricos não começaram em 2000, mas é curiosa essa estratégia, até porque os carros elétricos baixando aqui as gamas, tornam-se cada vez mais acessíveis, os elétricos e os híbridos.
é fundamental para nós, para o consumidor.
[00:13:34] Speaker B: Sim, para o consumidor final, claro que falta essa franja, que vai ser uma franja que vai demorar o seu tempo.
Eu acredito que esta transformação é uma transformação que por muito que se queirem pôr datas e prazos, etc., vai levar o seu tempo. É normal que esta transição é que não estamos a falar da mudança de termos a combustão para um carro elétrico. É muito mais do que isso. É todo o ecossistema que também tem que acompanhar e tem que permitir isso. E por isso, esse ecossistema demora tempo. As transformações têm sido diferentes de país por país e acho que Portugal, a esse nível, tem estado nessa transformação a um bom ritmo.
[00:14:19] Speaker A: Era o que eu ia perguntar. Comparando Portugal com o resto da Europa, os nossos vizinhos espanhóis não estão tão evoluídos como nós.
[00:14:24] Speaker B: Não, nós tivemos a experiência, o Ecar Show em 2023 mudou-se também para a Espanha, nós fizemos três salões em Madrid, acabou por não voltarmos a fazer porque o atraso é inacreditável em relação a nós. Aquilo que é a mentalidade das pessoas, a abertura, as marcas não vendem carros elétricos, a transformação está para os híbridos, mas a Espanha está muito atrás daquilo que é a média europeia.
[00:14:54] Speaker A: É muito curioso. E agora regressando aqui a 2017.
Se nós em 2017 tínhamos apenas 4 carros elétricos e muitos híbridos, obviamente, o ano passado bateu-se um recorde de mais de 20 mil visitantes e mais de 40 marcas no salão.
Este ano, como vão ser os números?
[00:15:16] Speaker B: Os números ainda são verdadeiramente incríveis em termos daquilo que é o Salão.
Se nós em 2017 pensássemos que alguma vez atingiríamos esses números, eu diria que acho que nem nos nossos melhores sonhos isso aconteceria. Mas este ano vamos ter cerca de 60 marcas automóveis.
vamos ter mais de 260 modelos em exposição, vamos ter mais de 130 carros em teste de drive, os números são dois pavilhões da FIIL, são seis marcas completamente novas, uma delas que nós só podemos divulgar ontem, porque ainda não estava autorizados a divulgar, porque eu acho que a marca ainda não fez a apresentação em Portugal.
[00:16:03] Speaker A: Ainda não, vai fazer na sexta-feira.
[00:16:05] Speaker B: Vai fazer na sexta-feira. Por isso, eu diria que este interesse e esta capacidade do setor de se centrar à volta deste evento é para nós, obviamente, um orgulho tremendo.
[00:16:21] Speaker A: Já percebemos que as marcas olham para este evento como uma plataforma de revelar modelos. Porque estamos aqui a falar de modelos completamente inovadores que ainda não estão no mercado e que são uma oportunidade de quem vai ao salão poder ver ali em primeira mão e ter ali um contacto. Há uma questão também muito importante para nós que são os test drives. Para quem está a ouvir pode ir experimentar os casos.
[00:16:45] Speaker B: Sim, essa claramente é uma vantagem que nós sempre demos aos nossos visitantes, que é a possibilidade de... O evento sempre foi criado dentro dessa perspectiva.
A experiência de condução de um automóvel elétrico é algo que é fundamental, muitas vezes para a decisão de compra. Quer seja pelo conforto, pela suavidade, um conjunto de coisas que as pessoas, só vivendo mesmo esta possibilidade, podem fazer.
E, curiosamente, em 2017 havia muita ideia de que isso era suficiente.
Bastava nós conseguimos fazer testes de tránsito que era suficiente para as pessoas.
E nós desde a primeira hora entendemos que as pessoas primeiro deviam gostar dos automóveis e ver os automóveis e depois experimentá-los. E a experiência seria um complemento daquilo que era a explicação do automóvel, a explicação da tecnologia, tudo isso.
E isso foi uma coisa que nós sempre fizemos e sempre resultou. E por isso nós, as marcas que disponibilizam os carros, nem todas as marcas disponibilizam todos os modelos, obviamente porque há modelos que vão ser lançados e não vão estar, obviamente, em teste de tráfego. Não é possível. Esta possibilidade de nós irmos a um sítio só, podermos ver toda a oferta que o mercado tem, podermos experimentar e testar o carro, para nos ajudar naquilo que é uma decisão de compra, pode não ser uma decisão de compra hoje, pode ser uma decisão de compra daqui por seis meses, daqui por um ano, mas nós termos a possibilidade de perceber que existe uma oferta também para além daquilo que é o automóvel tradicional.
Tudo isso é importante para nós quando tomarmos uma decisão, diria tomarmos uma decisão, com o máximo de informação que nós pudermos. E isso realmente o Salão permite, nessa perspectiva, realmente as pessoas poderem ter acesso a essa informação num só espaço.
[00:18:39] Speaker A: E essa adesão aos test drives é muito grande?
[00:18:41] Speaker B: É muito grande.
Normalmente funciona por marcação, inclusive. O que normalmente acontece é que eu quero testar um carro e a marca muito provavelmente vai fazer uma ficha normal de adesão ou uma ficha do próprio test drive. e depois vai fazer uma marcação para uma determinada hora e a pessoa depois é contactada por telefones, o seu test drive vai ser feito e por isso dirige-se noutras marcas. Por alguma razão ou por outras estão mais disponíveis.
Depende muito, mas a adesão é muito grande porque as pessoas realmente têm ali a possibilidade de poderem experimentar, seja porque é o primeiro contacto, porque depois há muitas receio, eu vou a um stand e depois vou... Ali podes escolher a marca que for mais interessante e que tenha disponibilidade.
E por outro lado, também para aqueles que, e nós temos vários contactos, pessoas, este modelo vai estar, aquele modelo vai estar, eu estou indeciso entre este e aquele, eles vão estar para eu poder experimentá-los, para tomar uma decisão já final. Isso acontece muito, temos muita interação com os visitantes a esse nível.
[00:19:48] Speaker A: Porque é curioso, porque atualmente existe a possibilidade de até encomendarmos um carro de forma online, recebê-lo em casa e sem sequer ter visto o carro na rua. E é curioso termos estas oportunidades de, num sítio, podermos testar os automóveis. Eu recordo-me que no ACP Elétrico do Ano, no concurso que o ACP tem, uma das questões também eram os test drives. E era curioso ver como as pessoas vinham só mesmo para ver e experimentar. Vocês com certeza terão os números de adesão de pessoas e tudo mais.
Há alguma tendência para aí testar carros elétricos por causa de alguma desconfiança ou assim do público? De ser a primeira oportunidade de ter ali um carro elétrico chinês, que muitas vezes cria algum desconforto no público europeu. Tem alguma tendência especial para esse tipo de automóveis ou é uma coisa geral?
[00:20:35] Speaker B: Eu acho que não, porque há marcas que vieram do Oriente há mais tempo do que outras. Há muitas que nós, mesmo não sendo utilizadores de veículos elétricos, seja porque utilizamos um transporte de veículos para nos levar de um ponto a outro, através de uma operadora qualquer, que a maior parte delas são elétricos, nós acabamos por poder, enquanto diria passageiros, ter essa opinião mínima de como é que é o carro por dentro, como é que funciona, que tipo de favoreles tem. Eu diria que nós vamos tendo essa possibilidade.
Outra coisa, é conduzir.
Eu acho que hoje em dia, provavelmente é uma opinião mais pessoal, mas sinto isso, e não posso generalizar, mas a grande parte das pessoas já não olha para os veículos vindos por exemplo, da China, como algo, diria, maléfico ou algo que não tem qualidade. Obviamente, como tudo e como todos, há uns melhores que outros, uns mais bem feitos que outros, há uns com mais autonomia, outros com menos autonomia, há uns com mais extras. Nós não nos podemos esquecer de uma coisa muito importante.
A tecnologia de um carro elétrico é a mais básica que há.
Eu diria que é mais básica e mais fiável, em nível daquilo que é a motorização do carro elétrico, tem meia dúzia de peças, são motores básicos e por isso altamente fiável.
[00:22:10] Speaker A: São muito menos complicados que um automóvel elétrico.
[00:22:12] Speaker B: Não tem nada a ver, não tem rigorosamente nada a ver. Claro que depois tem outras componentes, tem as baterias e tem toda a tecnologia que os carros elétricos vieram permitir. Seja da assistência àquilo que é a condução, os apoios à condução, todas essas questões que têm vindo a ser faladas agora, ainda há pouco tempo se falava aqui das condições autónomas, etc.
Isso veio, de certa forma, incorporar nos carros tecnologia que nós, hoje em dia, vemos um carro elétrico de baixa gama, ou de gama mais, de um cidadino de gama mais baixa, tem incorporado tecnologia que antigamente diria que só o estupro de gama é que tinham.
[00:22:49] Speaker A: De futuro o EKR Show poderá incluir novas tecnologias, por exemplo, se sistemas de hidrogênio forem desenvolvidos, podem passar a fazer parte desta realidade ou vão-se concentrar aqui apenas nos eletrificados, híbridos plug-in que são uma grande aposta atualmente. Pode haver essa abertura a novas formas de... porque estamos sempre a evoluir, não é?
[00:23:12] Speaker B: Certo.
Eu costumo dizer que nós também o temos, e há bocado não fiz referência, o caso das bicicletas e o caso das motos, mas o caso das bicicletas que são, eu diria que mesmo sem sendo elétricas, são aquelas mais sustentáveis que há. Além do andar, obviamente, nós caminhamos ou corremos. E nós vamos ter um conjunto de atividades também a esse nível. Com as bicicletas, e também é possível fazer testes trágeis de bicicletas e motos dentro do próprio espaço.
[00:23:36] Speaker A: Portanto, a mobilidade não se reduz aos automóveis.
[00:23:39] Speaker B: Aos automóveis, ok. Por isso também temos essa possibilidade e essa capacidade.
Para introduzir o quê? Todas as formas de mobilidade que nos permitam diminuir as emissões de óxido de carbono, que sejam mais amigáveis daquilo que é o nosso planeta e o futuro do nosso planeta, acho que são sempre bem-vindas.
A eletrificação é neste momento aquilo que é, diria, o caminho que nos permite que seja melhor do que a anterior, que era a combustão, porque depois também teríamos aqui outras questões a ver com a nossa incapacidade e falta de autonomia daquilo que é as fontes de energia. na área dos combustíveis e que, obviamente, na parte de energia estamos a trabalhar e tem sido feito um bom trabalho das energias alternativas e este ano que choveu muito foi muito mau para algumas pessoas, mas foi muito bom para outras porque permitiu termos um índice muito maior de produção de energia verde do que nos anos anteriores. Mas essa capacidade é uma capacidade que nós podemos desenvolver. Podemos nunca chegar lá, mas não dependemos de terceiros para o fazer. No caso dos combustíveis fósseis, nós nunca na vida vamos ou pelo menos não se prevê que vamos encontrar aí os poços de petróleo e que possamos ir por aí.
Mas nós falamos de energia como podemos falar de hidrogênio, como podemos falar da água, como podemos falar de outro tipo de elemento que a gente possa encontrar e que nos permita efetivamente ter uma mobilidade, porque a mobilidade é algo de importante também.
Há muita controvérsia em relação a isso, eu não tenho uma opinião formada sobre isso, e já estamos indo no campo das opiniões pessoais.
Desde que seja aprovado e desde que se prove que efetivamente esse possa ser o caminho, eu continuo a achar que nós devemos apoiar.
Agora, não sei se essa não é uma forma, diria, de tentarmos não fugir de determinados motores, determinadas tecnologias e, obviamente, as marcas.
[00:25:44] Speaker A: Claro, os interesses financeiros.
[00:25:47] Speaker B: Nós estamos aqui no podcast com o estúdio, mas se agora disser, agora temos que fazer uma coisa diferente. Nós investimos aqui no estúdio, queremos rentabilizá-lo ao máximo e depois obviamente podemos pensar noutras coisas.
A mobilidade elétrica obviamente surge aqui um bocado no caminho e as marcas acabaram por ter que ir um bocado a correr atrás. Umas tiveram essa opção mais cedo, outras estão a tê-lo mais tarde, mas obviamente são estratégias de grandes grupos que cada vez são maiores os grupos.
[00:26:18] Speaker A: Mas é bom sabermos que não estão fechados apenas a um caminho elétrico.
[00:26:22] Speaker B: Não, o caminho é a descarbonização mesmo. E esse é que é o caminho.
[00:26:25] Speaker A: E ainda bem. Agora passamos para uma parte logística, porque para quem nos ouve também é curioso saber como é que surge a ideia de criar um salão destes e como é que é esta evolução, como é que se organiza tanta marca, porque só o início era fácil, agora deve dar um bocadinho mais de trabalho.
[00:26:40] Speaker B: Sim.
Obviamente nós, enquanto organizadores, somos profissionais de feiras ou de salões.
À parte do que o nosso percurso nos foi levando para os automóveis, apesar de fazermos outras coisas, mas os automóveis é aquilo que para nós é mais importante.
A ideia surge basicamente de um contacto com uma entidade que na altura estava a ser criada no Porto e que hoje tem uma importância muito importante naquilo que é o desenvolvimento, que era o CEIA. por questões pessoais ou algumas conversas na altura, e surgiu a ideia de lançar este salão no Porto, onde o Norte é mais aficionado a carros.
Nós tivemos sempre mais visitantes no Porto do que em Lisboa, apesar do espaço ser mais pequeno, mas curiosamente Lisboa este ano, ou ano passado, acompanhou. Por isso nós tivemos isso e depois percebemos claramente que poderia ter sido a destempo, porque poderíamos ter lançado antes daquilo que era verdadeiramente o momento.
A logística, como eu disse também no início, nós tentamos de certa forma, desde o primeiro momento, que as marcas tivessem alguma contenção naquilo que era o investimento e por isso criamos um evento que nós chamamos Chave na Mão. que, como aquela coisa que ao princípio estranha-se e depois entranha-se, foi um bocado assim. As marcas vinham de salões automóveis, como também já falamos, de grande dimensão, com grandes investimentos em estantes, e quando nós dissemos assim, não, não, isto vai ser tudo igual para todos, poderão fazer aqui algumas alterações, mas só precisam de levar os carros.
As marcas ao princípio olharam de lado, nós vamos ficar igual aos outros.
[00:28:30] Speaker A: Pois, não podemos promover mais do que os outros.
[00:28:33] Speaker B: Ao princípio estranharam.
[00:28:34] Speaker A: E afetou algumas marcas?
[00:28:35] Speaker B: Numa primeira fase, sim.
Ainda há uma ou outra marca que ainda não se sente confortável com esse modelo. Ainda que hoje em dia. O que acontece é fruto, obviamente, da importância que o Salão tem. E quando nós lançamos um modelo, ou quando lançamos um modelo mundial, obviamente nós vamos ter diria alguns pormenores adicionais e algum investimento adicional naquilo que é a apresentação. Mas mesmo tudo isso é contido sempre por nós numa perspectiva de termos alguma harmonia daquilo que é o espaço em que as pessoas entram e se sintam num espaço de harmonia.
E isso as pessoas, as marcas, depois de experimentarem perceberam, não, espera aí, isto é muito fácil, a gente só leva os carros, faz aqui umas artes finais e o principal ator e estrela têm que ser os automóveis.
[00:29:24] Speaker A: Claro que sim.
[00:29:24] Speaker B: Mais do que os standings, porque estão lá para vender standings.
[00:29:27] Speaker A: José, para quem nos está a ouvir, este salão já vai estar em funcionamento, porque na sexta-feira é dia 15, e mantém-se até domingo, dia 17.
[00:29:38] Speaker B: Exato. Todos os dias desde às 20. Obviamente há momentos de maior influência do que outros, isso é tradicional. Sexta-feira tem uma componente muito forte de jornalistas. Essa é outra das coisas que nós este ano quase que triplicamos o número de jornalistas inscritos. Na sexta-feira... fruto de todas as apresentações que foram feitas. Sim, para as marcas também acaba por ser um momento em que os jornalistas já lá estão todos, e para os jornalistas também acaba por ser interessante, porque acabam num mesmo momento, não ter hoje em dia, e o Francisco sabe disso, as solicitações são gigantes em nível de apresentações, é para ali, é para lá, é para fora do país muitas vezes, e obviamente há que trabalhar, e há que ter também tempo para outras coisas. E esta possibilidade de concentrar estas apresentações no mesmo espaço, para os jornalistas também acaba por ser uma forma de rentabilizar o tempo. Por isso, nós vamos ter das 10 às 20, vamos ter estas apresentações todas, vamos ter automóveis fantásticos, motos, bicicletas, carregadores de energia, funções de energia, e os veículos híbridos e elétricos de mercadorias, que são também uma coisa muito importante, porque quando nós começamos a pensar nisto, é curioso, porque quando nós, apesar de já estarmos no setor ou trabalhar com o setor há tantos anos, eu não fazia ideia da dimensão que o mercado já tem em termos da oferta.
É muito interessante, nós já temos, vamos dizer, cerca de 16 marcas só com este tipo de viaturas.
[00:31:03] Speaker A: De veículos comerciais.
[00:31:04] Speaker B: De veículos comerciais de mercadoria, uns maiores e outros mais pequenos, porque realmente é uma solução muito interessante, porque eles começaram, tinham obviamente aqui alguns handicapos, quando saíram pela primeira vez Há alguns anos atrás tinha uma autonomia muito baixa e por isso acontecia que havia aqui alguma dificuldade, que havia muitas entregas e tal.
Hoje em dia já é cómodo, já é interessante e por isso a oferta é muito interessante e já com alguma dimensão. E eu acho que esse setor também é um setor em franco crescimento e que nós também quisermos dar a possibilidade, quer aos profissionais, quer aos particulares, de poderem ter contacto com essa oferta toda.
[00:31:48] Speaker A: É verdade, até porque atualmente até pick-ups, modelos de trabalho, já existem eletrificados.
[00:31:54] Speaker B: Vários vão estar no salão.
[00:31:56] Speaker A: Opções não são problema. José, ia pedir para fazer aqui um apelo, mas já o fez, portanto, já sabem, quem quiser ver, conhecer, basta ir...
[00:32:05] Speaker B: Testar.
[00:32:05] Speaker A: Testar, muito importante, exatamente. Testar, ter um primeiro contacto, basta ir ao salão, portanto, de sexta a domingo, e conseguem ter ali uma opinião formada, seja por condução ou até por ouvir ou por conhecer estas novas tecnologias.
[00:32:21] Speaker B: As crianças até os 12 anos não pagam, para poderem acompanhar os pais na escolha do próximo veículo.
Temos um parque de bicicletas também, que as pessoas também se podem deslocar de bicicletas, onde podem estacionar a sua bicicleta também na entrada.
Por isso, diria que temos tudo o que é preciso para poderem ter contacto e aproveitarem um sexta, sábado ou domingo para poderem ir ao salão.
[00:32:47] Speaker A: José, muito obrigado.
[00:32:49] Speaker B: Obrigado.
[00:32:49] Speaker A: Obrigado também a quem nos esteu a ouvir e já sabem, se quiserem ver este ou outros podcasts, basta passar no site do Automóvel Clube Portugal, no Spotify ou no Apple Podcast. Obrigado.