Episode Transcript
[00:00:06] Speaker A: Sejam muito bem-vindos a mais um podcast do Automóvel Clube Portugal. Eu sou o Francisco Costa Santos e hoje temos Pedro Bianchi Prata, um nome muito conhecido do desporto e em particular das duas rodas. Pedro, antes de mais, muito obrigado por estar cá hoje.
Começamos por uma pergunta que é a mais importante de todas. Qual foi o momento desportivo mais emocionante que o Pedro teve?
[00:00:27] Speaker B: Antes de mais, obrigado pelo convite. É sempre um prazer estar aqui convosco. e de uma carreira com quase 35 anos de corridas, houve muitos momentos emocionantes na minha carreira.
Mas assim, o que me lembra que foi difícil de superar e caricato também pela situação, foi no Dakar em 2007. Foi o primeiro Dakar que eu fiz de moto como piloto e que tive um problema na moto, andei só na jante de trás E depois vieram as dunas, já não era possível superar sem o pneu de trás e só na jante e que apanhei uma boleia de mais de 12 horas dentro de um jeep com a moto deitada, eu deitado em cima da moto e que depois consegui substituir a roda de trás às quase uma e tal da manhã. e ainda faltavam 360km para chegar ao acampamento seguindo.
E eu lembro-me de trocar a roda e pensar, tenho que imaginar que estou no Porto, vou para Lisboa, só que é meio da noite e tem algumas dunas e deserto. E cheguei às sete da manhã ao acampamento, em cinco minutos os meus mecânicos trocaram o travão de trás, estava estragado, e fizeram um check na moto e eu tomei um pequeno almoço e arranquei para o dia seguinte.
[00:01:42] Speaker A: E ao fim destes mais de 30 anos o espírito continuou o mesmo, desistir só mesmo se for obrigado?
[00:01:48] Speaker B: Se calhar em 35 anos conta-se pelos dedos as vezes que eu desisti.
Foram só mesmo quando havia marias mecânicas que era impossível superar, mas eu acho que há sempre uma solução, não há problemas, por isso procuro sempre uma solução, seja a mais difícil que houver e eu vou procurá-la e vou lutar por ela. E já tive que me desenrascar muitas vezes com situações muito complicadas, mas às vezes não há hipótese.
Especialmente quando temos uma queda violenta e temos que desistir porque o nosso corpo não nos deixa andar. Mas eu tenho sempre o problema de poupar a moto o máximo possível, porque sem moto eu não consigo acabar as corridas e jogar entre isso e a performance para ser equilibrado para que acabamos todas as corridas.
[00:02:30] Speaker A: O Pedro tem um projeto super inovador que se prende com a eletrificação nas duas rodas.
Já lá vamos perceber em que ponto é que está, porque já acompanhámos algumas provas do Pedro.
O que queremos ainda, neste meio do Motorsport, é perceber ao fim desta carreira de 35 anos, que é uma vida inteira dedicada ao desporto, o que é que o Motorsport ensinou.
[00:02:57] Speaker B: Eu acho que, acima de tudo, eu tiro uns ensinamentos de disciplina, de espírito de sacrifício, de dedicação, como em tudo na vida. Eu acho que se nós dedicarmos e tivermos metas e cumprimos os nossos objetivos e formos regrados em qualquer coisa na vida, em teoria vamos ser bem-sucedidos porque a dedicação traz muito mais valias para qualquer tipo de profissão ou qualquer tipo de desporto. E o motossport ensinou-me isso. Claro que tem que-se fazer muitos sacrifícios durante esta vida de corridas, mas é importante uma pessoa cumprir horários, uma pessoa ter método de treino, uma pessoa ter método de preparar e preparar a logística para uma corrida, a preparação da moto, acompanhar toda a mecânica, porque eu acho que um piloto não é um piloto a 100% se não for também um mecânico, se não souber tudo da nossa moto, e há muitos pilotos que só gostam de vestir o equipamento e andar de moto, mas depois se acontece qualquer coisa não sabem resolver. Então eu na minha vida tenho esse lema, eu só consigo mandar fazer-se se eu souber fazer, e o Motosport ensinou-me isso ao longo destes anos todos.
[00:04:07] Speaker A: Como é que foi esta passagem da gasolina para a eletricidade? Porque o Pedro começou... O ano passado acompanhámos com uma moto 100% elétrica. Como é que funcionou e quais é que são os grandes desafios? Para além da autonomia, obviamente, que nós sabemos que é uma condicionante dos veículos elétricos.
[00:04:24] Speaker B: Isto foi um projeto que surgiu com a Moeve, um dos nossos principais patrocinadores, em que lançaram o desafio de nós fazermos algo diferente, algo que trouxesse energias renováveis para o desporto motorizado.
É óbvio que eu sei que as motos elétricas não vão substituir as motos a combustão. É óbvio. Mas é uma alternativa. Há um público, há pilotos que poderão gostar de fazer esse tipo de transição. Não é fácil no início, é uma condução diferente, temos que nos habituar a uma moto diferente.
Aquilo que tu falaste da autonomia é complicado, ainda estamos muito no início, porque uma moto não é como um carro que pode ter uma bateria gigante para ter 700km de autonomia. Nós temos um espaço muito limitado, um peso limitado, porque as baterias ainda são muito pesadas.
[00:05:15] Speaker A: Era isso que eu queria perguntar, Pedro, porque num carro desportivo, quando temos a versão elétrica, ele é sempre muito mais pesado do que a versão a combustão. Nas motas é a mesma coisa.
[00:05:24] Speaker B: Imaginamos, um motor a combustão pode chegar a pesar 38 kg, que seja.
A bateria da minha moto atual pesa 41 kg. mais 7,5kg do motor. O motor é uma coisa super pequena, ou seja, a bateria ocupa mais espaço e tem mais peso que o motor de uma moto a combustão.
Nós estamos a trabalhar arduamente para desenvolver baterias, há muitas soluções novas no mercado, mas isto temos que aliar autonomia, fiabilidade, e segurança de quem vai em cima da moto, porque uma descarga de 400V é muito complicada. Então nós temos que perceber o que há no mercado, a fábrica está a trabalhar muito nisso, novas soluções mais leves, mais pequenas, mas que ofereçam uma fiabilidade e ofereçam segurança acima de tudo.
[00:06:12] Speaker A: Este ano no Rally Raid O Pedro vai participar com a Strix.
Ok, é a primeira vez que a moto vai rolar?
[00:06:20] Speaker B: Eu no início deste ano fiz um contrato com uma fábrica de motos elétricas, a Strix.
Esta moto é nova, ainda não está à venda ao público. Nós estamos neste momento já há mais de um mês a testar os protótipos.
A moto tem uma base muito boa, já está muito bem construída a moto, é claro que há pequenos detalhes e pequenas as coisas. O nosso objetivo é no final de 2026 e início de 2027 participar no Dakar 2027, na Missão 1000, que é reservada a veículos de energias alternativas. Nossa preparação para o Dakar vai ser todas as corridas que conseguirmos fazer este ano e o Rally Ride vai ser uma corrida excelente para testarmos todas as novas coisas que vêm cá à fábrica, inclusive acompanhar-me durante o Rally. Vão trazer baterias com maior capacidade, vamos trazer novas soluções para a moto, vamos testar também vários tipos de potências, porque a moto elétrica é muito potente, só que nós temos que gerir entre a potência e o consumo.
Infelizmente, Para termos mais autonomia, tínhamos de ter umas baterias gigantes.
Esta moto já é um bocadinho pesada, pesa 140kg, mas em relação à moto anterior que eu andava, que era uma Stark, a Streets tem muitas vantagens, porque a bateria troca-se em 20 segundos, é uma K7. que abre-se como se fosse uma tampinha na parte de cima da moto e é uma K7 que sai e volta a entrar.
E é muito mais simples. Na outra moto nós tínhamos de ter três mecânicos para trocar cada bateria com chaves pneumáticas para sermos mais rápidos e o mais rápido que fizemos foi dois minutos. Esta moto, eu sozinho troco a bateria, se me deixarem uma bateria lá no metabolismo eu troco. e sigo.
Por isso, estou contente com esta parceria, acho que é muito importante para a minha carreira estar ligado a uma fábrica, poder ajudar a desenvolver uma moto e estou contente porque a fábrica está contente também com o trabalho que temos feito porque em um mês de testes já descobrimos coisas que eles tinham tão muito tempo a testar. Já fomos à África com a moto, tivemos em Marrocos já vários dias a fazer muitos quilómetros, muitas horas com a moto E está a ser super importante e o banco de ensaio do Rally Ride em Portugal vai ser fundamental.
[00:08:36] Speaker A: Pronto, é só para confirmar porque é uma marca muito nova e estava aqui com alguma dificuldade. O objetivo deles passa por produzir modelos 100% desportivos para todo terreno ou modelos de estrada?
[00:08:48] Speaker B: A Streets é uma marca que neste momento já tem contratos com países para as motas militares porque esta moto é uma moto muito robusta, é uma moto que que têm muitos já extras para missões, com transporte de armas, com visão noturna, uma série de coisas.
Estão muito ligados a isto, já têm contratos para fornecer e fazer motos.
E eles contrataram-me para ter a parte esportiva também, para ter uma moto versão lazer, competição, lazer, cliente para andar ao fim de semana, ter uma moto de enduro fiável e fácil de pilotar. E a base da moto é excelente já de início e agora vamos pô-la cada vez melhor.
[00:09:33] Speaker A: Uma pergunta de Leigo. A estrutura do quadro e tudo mais mantém-se semelhante a uma moto à combustão? Ou há alterações e questões que são mais reforçadas por ser elétrica? Pergunto isto porque a experiência que temos de carros elétricos é que eles são muito mais fortes, muito mais instantâneos a nível de acelerações.
[00:09:52] Speaker B: Esta moto que eu ando pode chegar até aos 100 cavalos. Eu ando normalmente com 55 e é mais que suficiente. A base da moto é igual a uma moto normal.
Talvez o chassi seja um bocadinho de nada mais largo para poder caber o motor ou a bateria, mas se nós pegarmos nos componentes de uma moto elétrica, conseguimos montar num chassi de uma moto. E há muitas empresas que fazem essa adaptação, pegarem motores elétricos e meterem numa moto normal a combustão. É basicamente a mesma coisa, as suspensões são iguais, os travões são iguais, o braço oscilante é igual, só muda um bocadinho a estrutura do quadro para poder caber os componentes elétricos.
[00:10:27] Speaker A: E os pneus são iguais?
[00:10:29] Speaker B: Tudo igualzinho.
[00:10:29] Speaker A: A degradação do pneu também?
[00:10:31] Speaker B: Tudo igual.
É óbvio que a moto elétrica tem uma entrega de potência muito mais reativa e muito mais explosiva, embora cada vez mais com estes potenciómetros que eles usam no acelerador eu consigo dosear a potência que quero e depois com a parte eletrónica conseguimos fazer a curva de potência que quisermos. É um mundo infinito de opções cada vez mais com esta tecnologia.
Eu estou a treinar em Portugal, eles estão a ver como é que correu o treino, podem mudar a potência da moto e fazer uma coisa que só ligando um cabo com o datalog da moto é impressionante.
Mas é óbvio que se eu andar sempre a acelerar a fundo no meio das pedras vou gastar muito pneu, mas também uma 450 ou uma 500 a quatro tempos também vai estragar igual, acho que o desgaste é equivalente.
[00:11:19] Speaker A: E a nível da condução, o que é que diferencia mais uma moto elétrica?
[00:11:25] Speaker B: O que eu noto mais nestas duas motas que eu já corri é não ter embraiagem. Para levantarmos a moto, para passar um buraco, para passar uma poça de água, é diferente. Temos que usar muito mais a nossa força dos braços e do corpo e o acelerador para podermos... E é um bocadinho mais o peso. As motas são um bocadinho mais pesadas, mas de resto a condução é praticamente igual.
[00:11:47] Speaker A: Já existem provas que se estão a adaptar. Por exemplo, o Dakar soube agora em primeira mão que vai ter uma etapa Dedicado a 100% a...
[00:11:56] Speaker B: É exatamente a mesma corrida que as motos normais, só que tem um percurso, uma parte da etapa que é, que conta para a Missão 1000. Ou seja, nós por dia fazemos 100km ao cronómetro e depois já vamos para o acampamento seguinte. E nesses 100km temos que ter a autonomia para fazer esses 100km. E eles testam a autonomia da moto, a aceleração, a velocidade, a velocidade de ponta, qual é o veículo que tem mais velocidade de ponta e também a navegação e a rapidez de cada um.
[00:12:24] Speaker A: E saindo do rally, destes enduros, no motocross, que é em recinto fechado, também existem já modelos elétricos?
[00:12:32] Speaker B: Pouco a pouco estão a ser abertos.
[00:12:34] Speaker A: Porque aí, em teoria, deverá funcionar melhor porque a autonomia aí não há um tema.
[00:12:38] Speaker B: O medo é que as motos são muito mais rápidas. Então a Federação Internacional está a regulamentar para conseguir equilibrar as classes. Porque uma 450 Pode ter quase 60 cavalos e uma moto destas com 60 cavalos anda muito mais.
Então está a ser um trabalho feito. O ano passado o trabalho que eu fiz com a Federação Internacional e com a nossa federação foi eles perceberem que estas motos tinham lugar nas bajas e este ano o Campeonato Nacional do Terreno está aberto também e tem uma categoria elétrica que eu já corri na baja de Béja. Foi um grande triunfo nosso conseguirmos que nos deixassem correr, porque já o ano passado deixavam correr, mas não nos contávamos para nada, estávamos só a participar e a testar. E este ano já temos a nossa classe, já temos a pontuação, contamos para a geral, contamos, por exemplo, eu sou veterano, conto para a classe dos veteranos, porque nos veteranos podes entrar com qualquer moto, conto para a classe elétrica e conto para a geral também. Acho que foi uma grande vitória para os veículos elétricos poderem... No motocross, nas provas internacionais ainda não deixam? Só estão no supercross? E tem feito brilharetes, pódios e não sei o quê. No Super Enduro já fazem pódios, já ganharam a categoria juniors com moto elétrica. E este ano, no Campeonato Nacional de Motocross em Portugal, abriram também a categoria das motos elétricas. E podem escolher qual a classe que querem correr. Ou nas 250, ou nas 450. E as motos são limitadas à potência que escolhem a determinada classe. Porque aquilo é tudo, é só escolher
[00:14:08] Speaker A: a potência Era isso que eu ia perguntar, ou seja, a moto continua a mesma, é só programação?
[00:14:11] Speaker B: Tem um sistema que se bloqueia e fica com aquela potência até ao máximo de uma 250 ou com a potência máxima de uma 450.
E acaba por nivelar, mesmo que seja uma moto elétrica, está ao nível das outras motos e é muito mais equilibrado e justo.
[00:14:26] Speaker A: É claro, porque a resposta da aceleração é muito superior. Então, este ano o que é que vamos poder ver no Rally Ride?
Como é que vai ser essa prova?
[00:14:36] Speaker B: Com a colaboração do ACP e do Orlando, arranjaram uns pontos de troca das baterias, em que a nossa autonomia máxima aqui vai ser 50km, para não arriscarmos de não ficar sem bateria no meio da especial, e de 50 a 50km eu tirei equipas intervaladas, vou ter dois carros com as baterias para trocarmos. Mas o objetivo é mais testarmos estas novas baterias que a fábrica vai trazer, vêm dois engenheiros da Stritch, vão acompanhar o Rally Ride comigo.
Ou seja, eles vão estar no terreno, eles nunca estiveram no terreno. E ligar logo a moto ao computador, tirar os dados, ver onde é que gasta mais, onde é que gasta menos, qual é o tipo de piso em que temos que ter mais potência, menos potência. Isso vai ser tudo um jogo e vai ser um trabalho muito importante para conclusões que vamos tirar para o Dakar. Eu gostava, como o ano passado, fazer todas as etapas e vou tentar, mas o nosso objetivo é gastar, fazer como na Missão 1000, 100km de cada etapa no mínimo e depois acabar as etapas todos os dias. Vamos ver como é que vai correr, são muitos dias de corrida, muitos quilómetros, mas de certeza absoluta vai ser um rally espetacular.
[00:15:41] Speaker A: Com certeza que será. E muito teste porque a moto vai estar em condições que nunca esteve.
[00:15:46] Speaker B: Esta moto é muito jovem. Tudo que eu estou a fazer com a moto é a primeira vez que ela está a fazer. Foi a primeira vez às Dunas a semana passada, foi a primeira vez no meio da areia e a andar a gás a fundo em rios secos em Marrocos, no meio das pedras de Marrocos. Aqui em Portugal também já fizemos um bocadinho de tudo.
A nacionalidade da moto e da fábrica é da Eslovénia.
Tem muita lama, a moto está muito habituada a andar de lama. E estamos a falar de uma moto que pode andar só com o volante de fora completamente coberta de água, que ela nunca para.
E é espetacular isso.
[00:16:19] Speaker A: Não há problema com a admissão?
[00:16:20] Speaker B: Nada, não há. Não tem esse problema de admissão. As fichas elétricas são todas muito bem isoladas.
É inacreditável. É inacreditável o que esta moto pode aguentar.
[00:16:29] Speaker A: E como piloto e como desenvolvimento dessa mota, alguma sugestão tua, alguma questão que tenhas notado que já tenha sido alterada? Já contribuíste de alguma forma para... Sim, sim, sim.
[00:16:40] Speaker B: Estamos a... Diretamente com... Sim, várias coisas que eles não tinham percebido.
[00:16:46] Speaker A: E que é desafiante.
[00:16:47] Speaker B: É, é muito desafiante. Já modificamos algumas coisas na suspensão, modificamos algumas coisas com o uso excessivo e com saltos muito grandes a moto tinha algumas reações e batia umas partes do chassi na suspensão já foram alteradas.
Pequenas coisas que vamos descobrindo e eles rapidamente como é fábrica a trabalhar conseguem resolver. Tínhamos também um problema de desfazamento entre a porcentagem da bateria e a maneira como gastava e eu com as acelerações bruscas e a andar muito tempo em esforço e muito rápido percebia que a percentagem da bateria não estava a descarregar exatamente como devia e eles fizeram logo um update de todo o software e agora desce tudo progressivamente. Pronto, são coisas que só em competição e só em uso excessivo é que se consegue perceber.
O piloto de testes dele consegue fazer 50 ou 60 km com a bateria e eu se andar de gás a fundo com a mesma bateria que tinha antigamente e agora já temos as novas que só conseguia fazer 30 e eles, como é que isto é possível? Eu não ando nada de especial, é só andar a usar a moto. Pronto, são determinadas coisas que só em competição e só no uso, por exemplo agora em Beja nós também testamos vários tipos de coisas e toda a informação que recolhemos ajudaram a já termos estas baterias que vamos receber agora para o Rally Ride que chegam na segunda-feira.
[00:18:06] Speaker A: é impressionante como o desporto continua a ser um campo de testes para desenvolvimento de peças, material, de novas tecnologias.
[00:18:12] Speaker B: Tudo que nós conseguimos testar e conseguimos testar ao limite, depois eles vão melhorar na moto que vão vender ao público. Tanto na segurança, na fiabilidade, na autonomia e na performance.
[00:18:24] Speaker A: Pedro, e uma vez que o Pedro tem o off-road center, o teste... Off-road center, exatamente, no carregado, já lá tem motas elétricas?
[00:18:35] Speaker B: Temos duas motas minhas, por enquanto, mas o nosso objetivo, junto com a Strich, é, curto, médio prazo, termos possibilidade das pessoas escolherem e fazerem passeios também e terem aulas também nas nossas motas elétricas.
[00:18:46] Speaker A: Eu pergunto isto porque uma das mais-valias vossa é que os jovens podem aprender a ter o primeiro contacto com uma mota. É mais fácil a mota ser elétrica do que a combustão?
[00:18:58] Speaker B: Não, nós temos uma parceria com a Onda para o Off-Road Center e temos a gama toda da Onda, desde as pequenas 50s a uma 450 e também temos uma moto elétrica pequenina para os miúdos começarem a andar.
E de uma maneira geral, os miúdos gostam é de andar na Onda 50 porque ele vem o barulho e acho que é importante, no início, ou sentirem que estão a acelerar e que ouvirem o barulho das rotações da moto a subir, porque isso dá uma noção de perceção para os miúdos perceberem o que é que é acelerar e o que é que faz à moto e quando a moto anda mais rápido que faz mais barulho. Claro que depois podem evoluir e andar nas motos elétricas, mas eu acho que o início com as motos a conquistão
[00:19:40] Speaker A: acho que É curioso perceber, ter a sensação de velocidade através da audição do esforço do motor, não é? Porque quanto mais barulho, mais...
[00:19:50] Speaker B: A moto elétrica também faz barulho e é um barulho que se aprende a gostar.
Eu gosto muito, dá-me muito gozo porque aquilo faz um barulho...
Mas muda completamente o conceito do que é andar no teu terreno, porque começamos a ouvir o barulho das pedras quando passamos por cima das pedras. O barulho das madeiras, das folhas, quando andamos no meio do bosque, é muito giro.
[00:20:14] Speaker A: Pedro, e receber ao fim de 35 anos um prémio como este do ACP de desporto, prémio carreira, para todos os efeitos, é muito especial, não é?
[00:20:24] Speaker B: É emocionante, porque pensa-se em tudo que passamos para trás, não é? E ser reconhecido por um clube como este, com o prestígio que tem o ACP, acho que é uma coisa única, se calhar nunca mais vai acontecer, só tenho uma vez na vida este reconhecimento. E associado também à parte da mobilidade elétrica e de tentar fazer alguma coisa nova pelo nosso desporto, acho que ainda tem um sabor melhor.
[00:20:49] Speaker A: Ainda bem, e é muito merecido por todo este esforço de toda esta vida dedicada ao desporto. Pedro, muito obrigado por teres estado cá hoje. Obrigado também a quem nos esteve a ouvir. E já sabem, se quiserem ouvir este ou outros podcasts, basta passarem no site do Automóvel Clube de Portugal, na secção de podcast, ouvir no Spotify ou no Apple Podcast. Obrigado.