O rádio vai acabar nos carros?

Episode 117 January 29, 2026 00:30:19
O rádio vai acabar nos carros?
ACP - Automóvel Club de Portugal
O rádio vai acabar nos carros?

Jan 29 2026 | 00:30:19

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Show Notes

A Comissão Europeia criou novas diretrizes para as redes digitais e há um grupo de eurodeputados que quer aproveitar a discussão sobre o novo Digital Network Act para definir como obrigatória a inclusão do autorrádio em todos os carros comercializados na União Europeia, uma vez que há marcas como a Tesla que tendem a descartar do dashboard do automóvel não só funcionalidades em botão como o tradicional rádio FM/AM. O tema esteve em análise neste episódio com o eurodeputado Helder Sousa Silva, eleito pelo PSD e membro do referido grupo de eurodeputados, e o CEO da Bauer Media Audio Portugal, Salvador Bourbon Ribeiro.

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Episode Transcript

[00:00:06] Speaker A: Sejam muito bem-vindos a mais um podcast do Automóvel Clube Portugal. Eu sou o Francisco Costa Santos e hoje temos um tema bastante sensível. Vamos falar sobre o fim da rádio nos automóveis, ou pelo menos, o fim da rádio como nós a conhecemos. Como convidados temos Hélder Souza Silva, europeu deputado do PSD, no Parlamento Europeu, membro de várias comissões, incluindo cultura, segurança e orçamentos, tem estado envolvido diretamente nestas iniciativas para manter a rádio acessível nos carros, dentro do quadro regulatório da União Europeia. Temos também Salvador Ribeiro, CEO da Bauer Mídia Portugal, um dos maiores grupos de rádio em Portugal, com várias marcas líderes da audiência. O grupo tem vindo a apostar na expansão digital e na inovação no setor do áudio. Como primeira questão, começamos aqui com o Helder, como é que avaliam, num panorama geral, como é que avaliamos o papel da rádio nos automóveis, no cotidiano dos cidadãos europeus e a importância da rádio em Portugal? [00:01:07] Speaker B: Bom, Francisco, obrigado. Cumprimentar também o Salvador e agradecer ao ACP esta iniciativa. Dizer que, enquanto um utilizador de rádio dentro do automóvel, eu darei o meu exemplo e darei o exemplo pelo facto de a rádio é a minha grande companheira, e a companhia que me acompanha passo o plionasmo nas minhas viagens longas e curtas. Porquê? A primeira coisa que faço quando chego ao meu automóvel é, para além de ligar a ignição e de meter o cinto de segurança, naturalmente falamos também hoje aqui de segurança, é ligar o rádio. Ligar o rádio, sintonizar as estações que eu estou habituado a ouvir e, de alguma forma, sinto-me acompanhado. Portanto, esta é a minha visão, eu direi prática, da rádio. Mas aquilo que nos traz aqui hoje é ao outro lado da importância e da relevância do rádio, do auto-rádio, chamemos-lhe assim, numa versão mais tradicional, relativamente às situações de críticas, situações de emergência, de catástrofe e de calamidade, onde o rádio, o autorrádio, passa a ser um elemento crucial, um elemento crítico até, e um elemento que, em última análise, salva vidas. E eu penso que esta primeira, se quisermos, mensagem é a mensagem que vai despassar esta nossa conversa de podcast, porque esse é o fim último desta nossa conversa hoje aqui sobre o autorrádio. [00:02:44] Speaker A: É verdade, e essa será a mesma finalidade, já lá vamos. Mas pergunto ao Salvador, o rádio é verdadeiramente o copiloto das nossas viagens diárias? [00:02:56] Speaker B: É. [00:02:56] Speaker C: Em primeiro lugar, agradecer o convite também e cumprimentar o Elerson Silva e o Francisco e os espectadores deste podcast. A rádio é, sem dúvida, enfim, uma das coisas que eu gosto sempre de me lembrar é da evolução da rádio, de uma série de acontecimentos que tomaram lugar e a resiliência do meio. E chegamos a 2026, em que a rádio surge em muitos estudos como um dos meios de comunicação mais credíveis e mais resilientes. também começando aqui a tocar no tema principal deste podcast, não só a importância da rádio para as democracias enquanto meio de comunicação credível, meio de comunicação democraticamente acessível, sendo acessível a todos, mas também a sua própria resiliência, a forma como tecnicamente a rádio é difundida e a resiliência que, por exemplo, se mostrou que a rádio tinha no último 28 de Abril com o apagão na Península Ibérica, em que se constituiu como a principal fonte de informação dos cidadãos no momento de crise. Eu acho que a rádio, olhando para trás, e esta retrospectiva desde o aparecimento da televisão, o Video Kill dos Radio Star, famosa canção que inaugurou a MTV. Enfim, foram muitas as evoluções tecnológicas, foram muitas as evoluções no consumo. É evidente que a rádio hoje, a atenção que a rádio tem por parte dos seus consumidores é partilhada por muitos chamados device ou outras plataformas, mas a rádio continua lá e continua resiliente, forte e recomendável. [00:04:34] Speaker A: Falamos deste fim da rádio nos automóveis porque a tendência que temos estado a acompanhar no mercado é que as marcas, as construtoras, têm estado... Ou por outra, os novos modelos que têm saído para o mercado não têm o receptor de rádio tradicional que nós conhecemos e estão a ser substituídos pelo tal rádio digital. O Hélder vai-nos conseguir, com certeza, explicar no que consiste esta alteração. [00:05:03] Speaker B: Bom, a questão do Parlamento Europeu e da instituição da Comissão Europeia, tanto das duas instituições que têm diretamente a ver com esta matéria, e a preocupação que levou os eurodeputados a escreverem à presidente da Comissão tem a ver com o seguinte. Os construtores automóveis tendem a implementar as últimas tecnologias e a ir na crista da onda em tudo o que tem a ver com tecnologia dentro do habitáculo e a rádio é uma das tecnologias que está dentro do habitáculo do nosso automóvel. Dito isto, há uma tendência grande de os receptores de rádio que estão dentro do automóvel que utilizem como canal de comunicação não a radiofrequência convencional, o FM, particularmente a frequência modelada, ou também o DAB, que é o Digital Audio Broadcast, que é também em frequência mas no modelo digital, e eu chamo isto uma parte que é a parte mais antiga, convencional, mas a parte mais resistente e resiliente em situações de catástrofe, calamidade e apagões, e querem trocar pela utilização do canal de comunicação, que é a internet, o IP, o Internet Protocol. E a grande questão, e é isso que é a minha motivação e a razão maior de estar aqui, é o seguinte. Os construtores podem instalar nos novos veículos a parte de internet. Mas não podem nunca deixar de instalar a outra parte mais antiga. [00:06:44] Speaker A: Porquê? [00:06:45] Speaker B: Porque, como dizia há pouco Salvador, e muito bem, em situações que nós tivemos experiência recentemente do apagão. tudo o que era internet deixou de funcionar. Ora bem, e se o autorrádio do nosso veículo lá estiver, mas eu quando carregar ou sintonizar o canal do outro lado não obtenho nada, não é que ele não esteja a emitir, ele está a emitir, só que o canal de comunicação foi interrompido porque era internet e é o canal mais frágil que pode existir. Então, nós eu direi seres minimamente pensantes e responsáveis, temos que garantir que todos os veículos que são vendidos no espaço territorial da União Europeia tenham sempre as duas hipóteses. Se eu quiser utilizar a internet, utilizo, mas tenho sempre como alternativa, isso tem que ser transparente para o utilizador, tenho sempre um modelo de radiodifusão convencional através do FM ou do DAB. DAB que em Portugal não teve ainda grande pressão, é mais no centro da Europa, Alemanha, Reino Unido, enfim, Itália, e nós ainda estamos aqui em ensaios do DAB, mas de qualquer forma, esse modelo mais convencional e antigo tem que existir. Mas tem que existir, como dizia o Francisco, e eu também já disse, e também o Salvador acompanha, porque nós queremos utilizar o rádio, não só como o grande companheiro mais democratizado, como dizia o Salvador, que existe porque Eu não pago nada para ligar o meu rádio, eu tenho graciosamente não sei quantas estações de rádio a emitir e que me chegam gratuitamente ao meu carro, com informação muito relevante, mas nesse dia, nesse momento que eu preciso da ajuda, se tiver só a parte de internet, eu não a vou ter, porque a experiência diz que ela vai desaparecer, mas se tiver o FM instalado, eu garantidamente que tenho informação sobre estradas cortadas. sobre hospitais que estão a funcionar, sobre informação da visa e da alerta em termos de proteção civil e de facto o rádio, o nosso autorrádio, pode salvar vidas se nós obrigarmos os construtores a manterem essa retrocompatibilidade que ela é fundamental para a nossa existência, a nossa segurança em termos de situações mais adversas. E por isso é que é este compromisso dentro da nova legislação, e com isto termino, para não monopolizar, que está em cima da mesa na Comissão Europeia, que é a renovação dos requisitos das redes digitais, DNA, Digital Network Act, que é o termo em inglês. Portanto, se é a lei das redes digitais, nós estamos convencidíssimos que temos que garantir que aparece lá um artigozinho ou uma alínea do artigo que diga que todos os veículos vendidos comercializados no espaço económico europeu têm que ter a capacidade de receber esta frequência modelada, que é o modelo antigo, mas que nos garanta sobrevivência. [00:10:01] Speaker A: Obrigado, Dólar. [00:10:02] Speaker B: Salvador, foi muito técnico, mas era importante explicar. [00:10:07] Speaker A: Era a explicação que necessitávamos de, em concreto, como é que funciona. Salvador, pergunto agora. Existem aqui motivações que levem as marcas a abandonar os modelos convencionais que conhecemos e a apostar só nesta rádio digital e qual o impacto real que poderemos sentir se isso acontecer? [00:10:27] Speaker C: Sim, nós, enfim, na indústria acompanhamos completamente esta ação, esta intervenção do Parlamento junto da Comissão. Aliás, em alguns países europeus, primeiramente na Finlândia, essa obrigatoriedade já existe. Há obrigatoriedade por uma Directiva Europeia da existência de receptores de EAB quando houver FM, mas não há nenhuma que obrigue a FM e é exatamente isso que estamos a falar. O que nos preocupa aqui, como dizia o deputado Adélio Sousa e Silva, são dois campos, se quiserem, de ação. O primeiro que tem diretamente a ver com a indústria, tem diretamente a ver com as características da rádio e com a pretensão de algumas marcas de automóveis de fechar os circuitos, de deixar de disponibilizar rádio e entrar em modelos de subscrição nos sistemas de infoentretenimento, e isso a acessibilidade fica comprometida, por outro lado as questões dessa acessibilidade a estes aparelhos ser feito de forma rápida, direta, sem grandes passos nos menus, por uma questão de segurança rodoviária. A rádio é, e eu dava aqui mais dois exemplos se quiser, a rádio é o meio de primeira necessidade, vamos dizer assim, em momentos quando toca a segurança. Há um número que me impressionou e o número foi o número de rádios vendidos em Espanha no dia a seguir às cheias e foi para cima de um milhão. E também, por exemplo, a Comissão Europeia, no kit de 10 elementos básicos que aconselha os cidadãos a terem em casa para momentos de crise, está lá incluído um rádio. Nós, para percebemos bem a relevância que isto tem. Eu não gostava que o acesso a esses mecanismos de segurança fosse feito através de subscrição. Quando nós começamos a ver as marcas automóveis a introduzir lentamente modelos fechados de info entretenimento, começa-nos a preocupar. [00:12:45] Speaker A: As chamadas subscrições de produto? [00:12:48] Speaker C: O Francisco, e mais, e com o maior detalhe, nós olhando para a realidade e olhando para os 7,5% 5 milhões de automóveis que, olhando para a realidade portuguesa, para o parque automóvel que tem em média 14 anos, ou seja, os carros portugueses têm em média 14 anos, 25% desse parque automóvel tem mais de 20 anos e, portanto, não estamos a falar nos chamados connected cars com uma penetração enorme no território português, preocupa-nos que estejamos a falar de uma realidade que nada tem a ver com aquilo que se quer projetar. Há um desfasamento grande entre aquilo que é a realidade do parque automóvel português, a rádio é consumida fortemente dentro dos automóveis, 70% do consumo de rádio é feito no automóvel, isto vai variando de país europeu para país europeu, tem muito a ver com a forma como as pessoas se deslocam, sobretudo nas grandes cidades, com mais adesão aos transportes públicos, com menos adesão aos transportes públicos, a rádio é consumida nos países com mais adesão aos transportes públicos via devices digitais, através das apps e outros formatos, mas no autorradio, no rádio, concretamente, tem muito a ver e Portugal, Lisboa e Porto, a Grande Lisboa e o Grande Porto são um exemplo disso, onde a utilização do automóvel tem um nível de utilização superior a outras cidades europeias. Portanto, há uma grande dependência da rádio, a rádio é muito escutada dentro do automóvel, há uma grande dependência da rádio ao automóvel e querer terminar com isso é comprometer grande parte dessa característica de segurança e de acesso livre que os cidadãos hoje em dia têm. [00:14:26] Speaker A: Claro que sim, é um direito, é uma necessidade que temos de manter e de lutar por ela. E é neste sentido em que pergunto ao Hélder que esforços estão a ser feitos, uma vez que está na União Europeia, quais são os esforços que estão a ser feitos nesse sentido. [00:14:41] Speaker B: Bom, eu já dei pública nota inicial sobre o que é que nós estamos a fazer. O assunto tem um tratamento diverso dentro do Parlamento Europeu e das várias comissões que tratam do assunto. Porquê? Porque temos uma comissão onde está a indústria automóvel, que é a comissão da indústria, a ITREM, mas temos, por outro lado, a outra comissão onde eu estou, que é onde está a parte de mídia, onde está a parte da cultura, da educação, mas também tudo o que tem a ver com a parte de redes digitais e do Digital Service Act, ou seja, tudo o que tem a ver com serviços digitais. E é aí que um grupo de deputados de vários partidos, isto não tem a ver com uma questão partidária, porque falamos essencialmente de segurança, decidimos agir proativamente porque sabemos que existem interesses contraditórios. O Salvador também aflorou o assunto. Tem a ver com o seguinte, da nossa perspectiva, e não entendemos que seja algo inicialmente malicioso, Os construtores querem simplificar e querem tornar os habitáculos o mais limpos possível, porque vemos que hoje é tudo muito digital. [00:15:58] Speaker A: E será também uma questão de custo? [00:15:59] Speaker B: Sim, também, mas aqui o custo não é aquilo que é relevante, porque a estética, a imagem, sobrepõe-se claramente à funcionalidade. E, do outro lado, existe aquilo que é a necessidade e os deputados têm essa noção e a minha comissão, esta comissão de cultura, de educação e também de mídia e audiovisual, pegou no assunto e disse, bom, já que estamos a rever a legislação, vamos garantir aquilo que anteriormente, na atual legislação, que não é assim tão antiga quanto isso, mas que preconizava, como disse o Salvador e muito bem, só a parte do DAB, do áudio digital, mas que deixou de fora já o FM. E há uma tendência, claro, para todos caminharem só no sentido da internet e destas redes mais modernas, vamos obrigar a essa retrocompatibilidade. Tivemos a assinatura de uma missiva, uma carta, muito bem também sintética, mas que chamava a atenção à Comissão Europeia, que é quem tem a obrigação de ter o primeiro impulso sobre a nova legislação, no sentido de dizer que se A fase inicial da apresentação dessa legislação não chegar ao Parlamento já com este requisito é uma competência nossa também, em articulação com o Conselho Europeu propô-lo como uma alteração. Mas nós não gostaríamos que fosse feito dessa forma. Gostaríamos que abra início a Comissão, juntamente com os interesses todos que têm que decidir, e a indústria automóvel ao fim e ao cabo. Isto também é um sinal claro para a indústria automóvel dizer que os deputados europeus estão atentos ao assunto e que Querem claramente que isto seja garantido. Portanto, deixar também com os nossos telespectadores que neste momento não há nada que diga que seja de uma emergência, porque os malandros da indústria automóvel estão a querer cortar o que quer que seja. O que nós estamos é a agir preventivamente. relativamente a uma situação que inclusivamente está ancorada naquilo que são os últimos exemplos que aconteceram no grande apagão, como dizia também, como foi dito recentemente, que aconteceu entre Espanha e Portugal e nós tivemos, se quisermos, a experiência da grande importância que foi quem tinha rádio, particularmente do autorrádio. E não foi só em Espanha que Salvador, também todas as lojas em Portugal que tinham autorrádios pequeninos, rádios de pilhas, como nós chamamos, desapareceu tudo. Portanto, aquilo foi um ar que lhe deu. Porquê? Porque era o único canal de comunicação e este modelo do FM e do DAB tem uma particularidade, que o modelo internet não tem. Este tem um emissor, tem um canal de comunicação robustíssimo e serve milhares, milhões de receptores. Portanto, é de um para muitos, sem qualquer tipo de restrição. Ao invés do novo, nas plataformas digitais, é de um para um, numa linha de comunicação muito fraca e muito vulnerável. E, por isso, nós vamos, eu direi, fazer o nosso trabalho, vamos lutar, o termo é um bocadinho provocatório, mas vamos lutar para que a rádio convencional nunca deixe de estar dentro dos nossos automóveis. Dava só uma nota, pegava naquilo que foi dito também pelo Salvador, que é não só ter a rádio, mas ter a rádio acessível. E o Salvador tocou-me o ponto que é, hoje em dia, os nossos menus dos nossos habitáculos estão todos digitalizados e não há um botão para carregar Eu por acaso tenho, porque o meu carro já tem uma série de anos e eu não quero mudar porque está muito bem servido, e carrego num botão físico para ligar a rádio e tenho lá uma parte digital, mas não deixo de ter um botão físico. E esta questão também, a nossa conversa já vai longa, mas dizer que Eu também, com a experiência que tenho enquanto engenheiro eletrotécnico e de telecomunicações, vou lutar adicionalmente, além desta parte global, para que haja mesmo um botão, porque numa situação de emergência o rádio físico, em termos de acesso através do botãozinho, que nós estávamos habituados no passado, também é fulcral, porque se eu estiver com um stress, tenho alguma dificuldade, ou se o sistema não tanto empancar, eu consigo manualmente carregar no botão da rádio e ter acesso, pelo menos, à última estação que esteve sintonizada. E por isso, também esta parte da acessibilidade dentro do habitáculo, Para mim, principalmente, é algo que nós devemos também preocupar-nos e pulmonar para que isso seja uma realidade. [00:21:04] Speaker A: E Alder, essa questão de manter os cotões físicos é realmente também, mais uma vez, uma questão de segurança, de termos ali outra opção para não estarmos dependentes apenas de um canal. Só uma nota, algumas marcas de automóveis já estão a voltar com os botões e modelos que já não os tinham agora nas novas gerações vão voltar a ter botões, portanto, por pedido dos clientes, portanto fique descansado que os botões não vão acabar. Salvador, enquanto CEO de um dos maiores grupos de comunicação em Portugal, esta transição tecnológica poderia ser feita? Portugal tem condições que permitissem fazê-la? Teria alguma vantagem para vocês? [00:21:42] Speaker C: Portugal tem sempre, Portugal está a par dos outros países europeus e, portanto, nos outros países europeus tem a possibilidade de fazer, Portugal também tem a possibilidade de fazer, tem ótimos casos, inclusive alguns casos que exporta de boas práticas e, portanto, nesse campo também é referência. Pegando naquilo que o deputado Hélder Assouza e Silva estavam a dizer e que o Francisco também referiu, dar aos consumidores aquilo que eles, no fundo, ir atrás das marcas automóveis também, olharem um bocadinho para aquilo que os consumidores querem, eu queria introduzir aqui dois dados muito simples. num estudo feito no Reino Unido, França e Alemanha, afirma que 80% dos consumidores seriam menos propensos a comprar um automóvel sem carro. E eu acho que isto quer dizer alguma coisa. Revelaram num estudo da Edison Research que 80% teriam menos propensão a comprar um automóvel se ele não tivesse auto-reário. E depois o World DAB, que gere o DAB Plus que o deputado Alastair de Silva estava a falar, Publicou também um inquérito feito a compradores de automóveis em que diz que a esmagadora maioria deseja que o automóvel, o chamado rádio broadcast, venha em primeiro lugar como device de infotainment, de entretenimento dentro do habitáculo. E estamos a falar de percentagens como 68% na Alemanha, 64% em Itália, 70% no Reino Unido, A esmagadora maioria dos consumidores o que querem é ter esses aparelhos de recepção de rádio nos seus carros pela importância do automóvel, pela importância do produto e pela forma rápida como garante que têm informação. Nós estamos no meio de uma transformação digital. A transformação digital já é uma palavra um bocadinho gasta e a transformação implica a mudança para alguma coisa. Eu acho que isto é um contínuo. Já não é uma transformação, já é uma permanente evolução tecnológica digital. E ela não vai acabar. Ela não tem que acabar. Aliás, ela está ainda numa fase de crescimento grande e forte. E isso tem a ver com a mudança de hábito das pessoas. Ninguém quer travar isso. Pelo contrário, é um passo atrás, ou seja, desculpe, pelo contrário, isto não é um passo atrás, isto é um passo à frente. Garantir que as pessoas têm acessibilidades, garantir que as pessoas continuam a ter ferramentas, ao mesmo tempo que têm acessos a outras possibilidades que é aquilo que a tecnologia nos dá. Nós não devemos é, porque queremos um avanço tecnológico, acabar com aquilo que é essencial ou com aquilo que é basilar para um espaço como o espaço europeu. Não é por acaso, enfim, não quero trazer temas de guerra ou de de conflito aqui dentro, mas não é por acaso que a Finlândia, que tem uma fronteira com mais de mil quilómetros com a Rússia, é o primeiro país europeu a ditar como obrigatório que os carros venham com FM. Eu não consigo dissociar um fenómeno do outro. São povos que vivem mais próximo de algumas zonas tenha potencial de tensão e que tenha mais cuidado em relação a esses temas do que, provavelmente, nós, com grande sorte para nós, porque realmente vivemos num sítio que é extraordinário, mas temos que, quando se toca olhar para momentos de crise, tentar pensar duas vezes com razão e não ir atrás de qualquer onda porque sim ou porque queremos uns carros mais clean, como dizia o deputado Adela Sousa e Silva. [00:25:13] Speaker A: Salvador, mantendo aqui a questão, se a rádio passar a ser um streaming com uma subscrição, não pode afastar os ouvintes? [00:25:24] Speaker C: Não. Nós, aliás, estamos a introduzir numa ferramenta digital que temos essa possibilidade aos ouvintes. É uma novidade que nós também trazemos. mas em circunstância alguma deixaremos o acesso livre às rádios, ou seja, aquilo que eu estou a dizer é que os meus ouvintes têm a possibilidade, caso queiram, de ter a rádio por subscrição sem blocos publicitários. É um modelo. Mas a rádio tal qual existe, que é financiada através da publicidade, continuará a existir Sempre. É um compromisso que nós temos, aliás, que é devendo aos alvarazes que gerimos. Nós gerimos o espectro, que é um bem público e, portanto, nos é concessionável. Há o abrigo, diz Ana Comier, que há o abrigo dessa concessão dos alvarazes, como são dados da gestão, não só nossos, são dados da gestão, o espectro tem uma série de obrigações e essa está lá. E está lá que nós é uma obrigação, enfim, que é quase um grande prazer de cumprir. [00:26:25] Speaker A: Elder, será que a Europa, e aqui já para fechar o tema, será que a Europa vai conseguir seguir aqui o exemplo da Finlândia e obrigar os construtores, pelo menos que sejam vividos na Europa, a manter esta tradição, esta salvaguarda que é ter? [00:26:42] Speaker B: Francisco, eu não tenho grande dúvida que sim, porque eu acho que vai ser relativamente fácil, porque o bom senso é tem que imperar. E nós temos duas grandes associações, provavelmente não sei se o Salvador está associado a alguma ou não, falo da EBU, da European Broadcast Union, ou da AER, a Associação Europeia de Rádio e Difusão, e estas duas grandes associações que representam os Portanto, as várias empresas que nos vários Estados-membros têm a responsabilidade, como é o caso também de Salvador e do grupo que representa, estão unidas e unidos também connosco. Temos feito vários eventos grandes em Bruxelas para chamar a atenção e para defender esta causa. Por isso, eu Estou comprometido, envolvido e de alguma forma também tecnicamente justificado, mas não tenho dúvida, pelo menos não coloco sequer no horizonte a possibilidade disso não vir a acontecer. Como dizia também o Salvador, alguns países põem este requisito, mas o objetivo maior e único da União Europeia é uniformizar e garantir que há o mesmo tratamento dentro dos 27 Estados-membros. E por isso eu também deixo aqui o meu compromisso também com os nossos ouvintes e telespectadores, que é, este aeroportado vai se empenhar decisivamente para que esta pequena, grande coisa, que é a existência de um autorrádio que tenha vários canais de entrada dentro da viatura, para que se um falha e os outros continuam a funcionar, seja uma realidade inequívoca nos próximos meses e anos. E que não haja dúvida de que o autorrádio, para além de ser a nossa grande companhia, também é um equipamento simples, mas que pode salvar vidas. E esta função, eu direi, adicional do autorrádio, é uma função de uma da qual nós não nos podemos demitir nem minimizar. E por isso mesmo eu deixo aqui a minha disponibilidade de continuação deste trabalho até chegar a Bom Porto. [00:28:57] Speaker A: Salvador, para fechar, concorda com este modelo híbrido? [00:28:59] Speaker C: Concordo com este modelo híbrido. Gostava de não deixar de dizer claramente que esta iniciativa é uma iniciativa importantíssima. A indústria está muito atenta, através dessas duas organizações da EBU e da AER, estamos muito atentos a essa iniciativa e fazemos votos para que os governos da União Europeia que acompanhem esta iniciativa em sede de Conselho e possamos levar a bom porto esta iniciativa que estes deputados europeus, no qual se inclui o deputado Élder Sousa e Silva, tiveram. É uma iniciativa francamente importante para os povos europeus. [00:29:40] Speaker A: Muito obrigado pela participação positiva e por lutarem pelo dever de informação e que nos compete a todos termos a informação disponível, seja na rádio, seja em qualquer meio. Muito obrigado pela vossa obrigada. E obrigado também a quem nos esteve a ouvir e já sabem, se quiserem ouvir este ou outros podcast, basta passarem no site do Automóvel Público Portugal, na secção de podcast, ou ouvirem em Apple Podcast ou Spotify. Obrigado.

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