Episode Transcript
[00:00:05] Speaker A: Olá, seja bem-vindo a mais um podcast do Automóvel Clube de Portugal. Eu sou a jornalista Rita de Oliveira Grossinho e hoje tenho comigo dois convidados, o subcomissário Rubén Neves da PSP e o capitão Ivan Silva da GNR. Hoje vamos abordar aqui a nova adaptação das autoridades às redes sociais, a forma como mudaram a comunicação com os cidadãos e também vamos abordar aqui a questão da segurança rodoviária.
Começo aqui por si, Ruben. Quando é que surgiu esta necessidade de se adaptarem às redes sociais e a forma como comunicam com o público?
[00:00:41] Speaker B: De facto, hoje em dia, as redes sociais são a nova rua. Nós consideramos que é o meio de proximidade. Nós, no patrulhamento normal, temos o policiamento de proximidade, em que lidamos com cidadãos mais vulneráveis e nós consideramos que as redes sociais também têm um papel muito fundamental nesta parte e com um alcance muito maior do que as nossas patrulhas, do que é o nosso dia-a-dia e conseguimos alcançar várias pessoas de várias faixas etárias e captar a mensagem e fazê-las reter a mensagem de uma forma totalmente diferente.
[00:01:10] Speaker A: E da parte da GNR?
[00:01:11] Speaker C: Da nossa parte, eu posso já dizer que concordo plenamente e foi um bocadinho a mesma coisa que nos fez adaptar, porque essa pergunta tem tanto de simples como de complexa.
A verdade é que hoje em dia a sociedade consome informação de forma muito diferente do que consumia anteriormente. Vamos imaginar há cerca, sei lá, 20 anos atrás as pessoas esperavam boletéis de jornal para saber informação, liam os jornais, tinham lugares muito específicos para consumir informação e hoje em dia as coisas são muito diferentes e todos nós somos a prova viva disso mesmo. As redes sociais também vieram a democratizar um bocadinho o espaço público. Aliás, abriram espaço.
Hoje em dia qualquer pessoa tem acesso ao espaço público tanto para consumir como para produzir informação e, portanto, nós sentimos que esse espaço também teria de ser aproveitado por nós. E adaptamos a forma de comunicação não só quanto ao espaço onde o íamos fazer, mas também à forma, ao formato, à forma de falar com as pessoas e como é que chegaríamos de forma mais eficaz às pessoas. É um bocadinho isso.
As redes sociais são a nova rua e, portanto, nós também temos que adaptar à forma de falar como as pessoas falam naquele local, que é diferente de falar aqui, que é diferente de falar numa televisão.
[00:02:19] Speaker A: Como é que adaptam esta comunicação aos diferentes públicos? Porque lá estão a comunicar para jovens, mas também para pessoas mais velhas.
[00:02:28] Speaker C: Nas nossas redes sociais, em particular, o nosso alcance é bastante transversal em termos de faixa etária. No entanto, há sempre uma grande fatia ao público mais jovem.
Portanto, aquilo que nós tentamos fazer é comunicar de forma transversal. Consigamos chegar a toda a gente. Não é o mais correto. O ideal seria conseguimos segmentar da forma melhor. É impossível de o fazer, obviamente.
E também queremos aproveitar o facto de termos um público bastante heterogéneo nas nossas redes sociais.
E, portanto, aquilo que nós achamos que, de facto, seria importante era atribuir um rosto à comunicação nas redes sociais porque, no nosso entendimento, acho que as pessoas preferem ver uma cara por trás de uma instituição do que falar com uma instituição de forma muito abstrata. Portanto, atribuímos um rosto e decidimos que a forma de falar tem que ser simples, tem que ser como as pessoas falam. Aquilo que nós Tentamos fazer foi deixar de falar só para as pessoas e falar com as pessoas. E só podemos falar com as pessoas da mesma forma que as pessoas também falam. Portanto, simplificamos a nossa comunicação mesmo do ponto de vista técnico.
Há determinados conceitos técnicos que nós utilizamos noutros locais e que nas redes sociais não devemos fazer.
[00:03:39] Speaker A: Simplificar.
[00:03:40] Speaker C: Simplificar ao máximo, exatamente. Porque uma mensagem feita, se não for entendida por ninguém, é uma mensagem falhada, não é? E, portanto, foi isso que tentamos fazer.
[00:03:47] Speaker A: Neste caso, o Ivan é muito o rosto das redes sociais da GNR.
[00:03:50] Speaker C: Neste momento, sim.
[00:03:52] Speaker A: Aqui no caso da PSP, como é que fazem esta gestão da comunicação? Eu sei que é um bocadinho diferente, porque na PSP havíamos vários agentes a comunicar, não é?
[00:04:00] Speaker B: Sim, mas partilho exatamente aquilo que o Ivan disse, ou seja, temos que atribuir sempre uma cara e humanizar a farda. Ou seja, temos que transmitir a mensagem de forma que as pessoas compreendam, como elas compreendam no dia-a-dia. Ou seja, não podemos falar, como o Ivan disse, o nosso policiês, como costumamos dizer, nossos jargões policiais, a forma técnica, a forma legal. Temos de falar de forma rápida, eficaz, clara, para que as pessoas consigam compreender a mensagem. E há várias formas de o fazer. O nosso público, tal como nas redes da GNR, é transversal, ou seja, as farces etárias são dos dos 5 aos 70, aos 90 e temos que comunicar de forma a conseguir alcançar toda a gente. É claro que os temas vão diversificando com forma faixetária e nós temos que adaptar o conteúdo a esse tipo de faixas. Nós, factualmente, utilizamos quatro tipos de comunicação, a institucional, a racional, a emoção, o choque e temos utilizado agora pontualmente o humor. Ou seja, aproveitamos as tendências das redes sociais para conseguirmos chegar especificamente ao público mais jovem, que é quem console mais, quem se vai retratar mais numa ideia humorística e conseguir captar uma mensagem especialmente de segurança rodoviária nos jovens, que é um público difícil de alcançar nesta matéria.
[00:05:11] Speaker A: Podemos começar por si, depois chegamos ali à parte do Ivan. Como é que estão a fazer este tipo de publicações? Como é que são as campanhas? É vídeo? É fotografia?
[00:05:20] Speaker B: Nós tentamos equilibrar a questão do vídeo e fotografia. É claro que o vídeo tem sempre a potencialidade, conforme o algoritmo das redes sociais, tem mais potencial de alcançar mais pessoas e, no fundo, é isso. É a nossa métrica, é o alcance. E, às vezes, é o alcance que não é mensurável. Ou seja, é o alcance que... Uma pessoa partilha no grupo de família, que fala com o vizinho, olha, já viste aquele vídeo nas redes sociais sobre este tema? E é isso que nos interessa especificamente, é o alcance que as publicações têm, porque quanto maior o alcance, mais nós nos sentimos que estamos a fazer um bom trabalho e que alcançamos mais pessoas e que as pessoas retém aquela mensagem. E isso, no fundo, é o fundamental para que as pessoas consigam perceber cada vez mais e falar entre si e partilhar aquela ideia de que, neste caso, a segurança rodoviária é um tema importante e tem que ser falado e tem que ser explorado e temos que falar de diferentes formas para que não seja só de forma institucional, puramente institucional e racional, porque as pessoas não vão reter essa mensagem.
veem, analisam, se calhar conseguem ver a lógica por trás da mensagem, mas não vão reter. Ou seja, durante o acto de condução, se calhar não vão ter a capacidade de se retratar naquela mensagem que viram, se calhar há dois, três dias. Isso é muito importante e é isso que nós tentamos fazer cada vez mais.
[00:06:38] Speaker C: O nosso raciocínio acaba por ser exatamente o mesmo. Aliás, o objetivo é partilhável também, não é? Mas eu acho que há aqui mais um fator que devemos ter em conta, que é as redes sociais democratizaram o espaço público.
Há muita gente a produzir conteúdo.
E se nós queremos dinamizar o nosso conteúdo e levá-lo ao maior número de pessoas possível, lá está, potenciar o nosso alcance, nós também temos de conseguir que a forma como produzimos esse conteúdo gere a detenção que nós pretendemos.
Porque hoje em dia estamos todos nas redes sociais a ver várias coisas e é muito simples.
Ou alguma coisa não chama a atenção no início ou não chama.
E se nós queremos passar esta mensagem de segurança, estes conselhos todos que damos e fazer as pessoas pensarem nisto, pensarem nos cuidados que devem ter, por vezes até fazer uma certa reflexão quanto àquilo que têm feito. Temos de conseguir produzir o nosso conteúdo dessa forma, de forma a que as pessoas fiquem a ver aquilo. E, portanto, também fazemos isso.
Temos várias formas de lançar o conteúdo. Também temos uma aposta simples, mas com algum objetivo no humor, porque as pessoas estão nas redes sociais, na maior parte, para se divertirem um bocadinho, para passarem algum tempo. E lá está, nós temos de conseguir saber usar esse espaço. Mas o raciocínio é exatamente o mesmo, sim.
[00:07:49] Speaker A: E esta mudança na comunicação, que da vossa parte acaba por ser muito institucional, foi complicada fazer esta mudança?
[00:07:55] Speaker C: No nosso caso eu não diria que foi complicado, porque o potencial das redes sociais está à vista de todos. Claro que os primeiros formatos deste género que nós produzimos, mesmo para nós sabermos qual é que seria a receptividade do público externo, foi em jeito de teste, para percebermos como é que era a reação. Mas eu não acho que tenha sido difícil, pelo contrário. Até porque, e é importante também termos esta noção, o facto de nós falarmos de forma mais simples, perdemos a autoridade toda. A autoridade mantém-se, não é mesmo? Aliás, ganhamos outra coisa, que é a confiança. e se calhar pegado um bocadinho até no nosso modo de sermos uma força humana, próxima e de confiança, o que nós fazemos nas redes sociais é precisamente isso, é tornarmos a instituição mais humana, mais próxima das pessoas e se conseguirmos passar estes conselhos e fazer as pessoas corretirem um bocadinho, também estamos a ganhar confiança do público e no fundo esse acaba por ser o nosso objetivo.
[00:08:50] Speaker A: E que desafios é que surgiram aqui com a necessidade de comunicar em tempo real? Porque quando estamos nas redes sociais, não é? A produzir conteúdo, é necessário estar a par dos temas da atualidade, conseguir naquele espaço de tempo chegar ao público para que faça sentido, não é? A atualidade.
[00:09:06] Speaker C: mas acho que isto é um pouco transversal a qualquer pessoa que trabalha na área da comunicação.
Exige estarmos constantemente online, estarmos constantemente ligados ao que está a acontecer, percebermos o que está a acontecer, tanto fora da guarda, portanto tudo o que tem a ver com os cidadãos, com qualquer stakeholder que se relaciona com a nossa atividade, tanto com aquilo que está a acontecer connosco na nossa atividade operacional. Eu penso que também faz muito bem isso, estarmos constantemente atentos àquilo que está a acontecer connosco para conseguirmos reagir em tempo. tanto para prestar contas, para dizermos às pessoas aconteceu isto, nós reagimos desta forma e foram estes os resultados que obtivemos, tanto para percebermos que há, por exemplo, uma ameaça, há um perigo, há, no caso da segurança rodoviária, há um acidente, há vias cortadas, há necessidade de cuidados específicos, faça uma situação qualquer e de forma atempada também conseguirmos dar conselhos de prevenção para as pessoas evitarem esse perigo. Portanto, sim, obriga-nos a estar constantemente ligados.
[00:10:03] Speaker A: no caso da PSP.
[00:10:05] Speaker B: É exatamente o mesmo, é ao contrário do conteúdo que nós costumamos fazer de tendências de redes sociais e fazemos algum já que na minha perspectiva e na nossa perspectiva teve algum sucesso e que lá está, conseguimos alcançar outro tipo de faixa etária, nomeadamente estou-me a lembrar um que fizemos com uma tendência que era sobre o Zona Nas, fizemos alguns também com umas tendências de polícias europeias, nos vídeos de polícias europeias também resultam muito bem, e que as pessoas entenderam exatamente a mensagem, ou seja, sempre conjugado com o tema de segurança rodoviária ou outro, as pessoas conseguem se retratar naquele tipo de conteúdo, porque lá está, é humor, é entretenimento, e as pessoas estão nas redes sociais para explorar aquele tipo de conteúdo, e quando vêm as redes sociais de uma polícia de segurança pública ou de uma guarda nacional republicana, não estão à espera que aquele tipo de conteúdo apareça. e é nesse tipo de campanhas disruptivas, diferentes, para além da parte instrucional e irracional que desce é sempre presente, mas temos que apostar também cada vez mais em campanhas emocionais, trendy, chocantes, para que conseguimos alcançar e destacarmos naquela overdose de informação que as pessoas consomem todos os dias. Porque, no fundo, as redes sociais é isso. Ou seja, quem se consegue destacar mais, consegue passar a mensagem. E a nossa mensagem é a segurança, e a segurança é rodoviária.
E é isso que tentamos fazer, não diariamente, também para não perder a autoridade, ou a transparência, ou a aportação de contas, mas tentar fazer isso de forma pontual, para que as pessoas percebam que nós estamos presentes, que queremos passar a mensagem e que, no final do dia, só queremos que as pessoas cheguem em casa em segurança.
[00:11:39] Speaker A: Partindo aqui deste ponto da transparência, é fácil para vocês passar a informação de forma transparente, mas também, digamos, evitar aqui passar dados sensíveis, questões ligadas mais à investigação que ainda não possam ser comunicadas?
[00:11:54] Speaker B: Sim, ou seja, nós quando prestamos as contas, como o Ivan disse bem, é uma questão de transparência, ou seja, nós falamos dos factos que aconteceram, tal como aconteceram, para além de todo o processo de investigação, de outros casos que possa acontecer, nós falamos exatamente quando há a necessidade de falar num caso próprio ou que seja, nós falamos dos factos que aconteceram. Não acrescentamos nada de investigação, não vamos explorar factos de investigação, características, etc. Mas vamos falar daquilo que aconteceu porque, no fundo, é aquilo que as pessoas querem saber. Tal como quando abrem um jornal de noite para ver uma notícia que se passou, a nossa contribuição é só essa, ou seja, que foi o que aconteceu naquele dia, naquela hora aconteceu isto e para nós é o que interessa passar e é aquilo que as pessoas querem saber, no fundo. A investigação, claro que depois tem os seus tratamentos.
E quando for o caso de informar, nós informamos sempre também. porque as pessoas retratam-se, ou seja, vem com o caso, aconteceu há um mês, mas com o mês depois teve uma medida de coação, alguma finalidade que as pessoas retratam e que se lembram que aconteceu há um mês e que agora temos o resultado final.
[00:13:00] Speaker A: Pegando aqui na questão da segurança rodoviária, de que forma é que estão a comunicar para os cidadãos, a promover aqui uma maior segurança rodoviária? Isto porque, como sabemos, Portugal destaca-se pelas piores razões na União Europeia relativamente à sinistralidade, nomeadamente a mortalidade urbana.
O que é que estão a desenvolver e já que feedback é que recebem das pessoas? Notam realmente que têm impacto?
[00:13:24] Speaker C: Deixem-me só acrescentar aqui uma coisa que estava a ser dita que eu concordo plenamente. A mim parece-me que o nosso maior desafio tem mesmo que ver com o facto de nós termos de ser trendy, como estava a dizer o Ruben, mas encontrarmos um equilíbrio muito grande porque nunca nos podemos esquecer que continuamos a representar uma instituição.
e, portanto, não podemos correr o risco de perder a nossa credibilidade. Portanto, este equilíbrio muito grande para quem produz o conteúdo, no nosso caso, parece-me que é um desafio muito grande. Depois, em relação a essa questão da informação sensível, que também tem um bocadinho a ver com a questão da sensibilidade, e só fazer um acrescento, no nosso caso, tem muito a ver com a sensibilidade, de todos nós que trabalhámos na área da comunicação, hoje o que na PSP acontece ao mesmo, toda a gente que trabalha ali já trabalhou na área operacional. Portanto, já trazemos algum background relacionado com a área operacional, também sabemos mais ou menos aquilo que poderá ou não ser dito.
Portanto, tem a ver com a nossa sensibilidade adquirida pela experiência, como é óbvio.
Quando isso não acontece ou quando sentimos que há situações que temos alguma dúvida em relação ao que podemos comunicar ou não, validamos com o nosso comando operacional.
Portanto, transparentes somos sempre, factuais também. Claro que os factos que não podem ser ditos, isso nunca vamos dizer.
[00:14:39] Speaker A: É um trabalho de equipa.
[00:14:40] Speaker C: Exatamente, tem que ser, só pode ser assim.
Porque lá está, se representa a guarda como um todo, isto não pode sair só da cabeça de um grupo de pessoas que trabalha nesta área em particular.
[00:14:50] Speaker A: Pegando também só aqui nesta questão da credibilidade, aproveito também para questionar se realmente esta aproximação com os cidadãos através das redes sociais para a GNR trouxe maior credibilidade ou houve aqui um impacto também negativo?
[00:15:09] Speaker C: Eu julgo que trouxe maior credibilidade. Isto é muito difícil de nós avaliarmos isto, como é óbvio, e aquilo que temos como base para avaliar é o feedback que vamos recebendo do público e que vamos acompanhando. Julgo que trouxe maior credibilidade. Até ao momento, porque nós temos que ser realistas e temos que ter esta noção. Se estamos a aumentar a nossa exposição ao público, naturalmente que poderá existir alguma coisa que corra menos bem e que vá ter um impacto negativo no futuro.
É sempre um risco e tentamos que não o seja, mas também se a postura da instituição é de se abrir ao público e de se aproximar do público, temos que assumir esse risco.
Mas não, creio que tenha sido até um reforço da credibilidade e da confiança, pelo menos do feedback que obtemos nas redes sociais.
[00:15:56] Speaker A: Sim, sem dúvida.
[00:15:58] Speaker B: A credibilidade não é mensurável, não conseguimos dizer que somos mais credíveis por transmitir de uma forma diferente, mas o feedback que vamos tendo nas próprias redes sociais e no nosso dia-a-dia com usinhos, com familiares, é exatamente um feedback positivo e que nos faz cada vez mais continuar a fazer este tipo de trabalho e que achamos que é muito importante. Mas lá está, tem que haver sempre um equilíbrio bom para que a mensagem não seja dispersa.
Não se perca. Não se perca, exatamente. Para que a mensagem seja pontual e seja fácil de entender. Respondendo à sua pergunta, acho que exatamente, sem perder a autoridade, como o Ivan disse, acho que estamos a ser cada vez mais credíveis e isso vê-se sendo bom ou não nos dados que temos. e as pessoas retratam-se nisso. Isso é o mais importante para nós e é o feedback que temos nos vários vídeos que pomos de segurança rodoviária, nas estatísticas que apresentamos, nos dados, nos mitos que apresentamos e as pessoas retratam-se e vêem uma coisa diferente e é isso que fica na memória. Isso é o mais importante.
[00:17:01] Speaker A: Falemos então de segurança rodoviária. Que campanhas é que a GNR está a desenvolver nas redes sociais?
[00:17:06] Speaker C: Muito honestamente este tema merece particular atenção, tanto do ponto de vista da tela operacional como do ponto de vista da sensibilização, da comunicação e da prevenção.
A aposta que nós temos feito tem sido numa ótica de demonstrar os resultados negativos de alguns comportamentos mais inseguros.
Porque se compararmos a segurança rodoviária a outro tipo de criminalidade, a outro tipo de comportamentos, a mim parece-me que há uma compreensão maior em relação ao incumprimento de algumas regras de trânsito de parte das pessoas. Compete-nos a nós, e temos feito esse esforço, tentar gerar esta reflexão.
Mostrar às pessoas que comportamentos inseguros podem ter uma consequência muito trágica.
E como é que temos feito isto?
A apresentar os resultados das nossas operações, portanto da atividade operacional, à prestação de contas, mais uma vez, pegando aqui um exemplo muito claro, muito concreto.
Nós fizemos duas grandes operações de fiscalização roboviária nos Santos Populares, cá em Lisboa, e no São João do Porto.
das operações complexas, de grande envergadura, até nos novos moldes da Brigada de Trânsito, com o Comando Unificado, e que permitiu, tanto numa operação como noutra, fazer entre 70 a 80 detenções por condição de ser feito álcool.
Este número acaba por ser chocante por si só. 70 a 80 pessoas que foram detidas numa noite, aliás, podemos até ser que os categoristas um período muito mais curto porque a operação durou 4 horas, tanto uma como a outra.
Estes números acabam por ser chocantes e, portanto, nós pegamos neste resultado da viada operacional e contamos às pessoas.
Fizemos as pessoas pensarem um bocadinho nisto. Em 4 horas, numa noite que tem de ser de festa, nós tivemos 70 pessoas, tivemos 80 pessoas na outra noite.
Faz sentido? Faz sentido colocar em causa a segurança do próprio condutor, das pessoas que vão na viatura, das pessoas que vão nas outras viaturas totalmente inocentes? Faz sentido correr este risco?
Pois é uma coisa que nós dizemos várias vezes. As pessoas podem sair, podem se divertir, podem consumir álcool, dentro obviamente dos limites legais, mas podem se divertir à vontade.
Só não peguem no carro, porque as consequências trágicas que daí surgem não compensam o risco. E portanto, A nossa forma de comunicar, a segurança rodoviária, tem sido muito nisto. Procurar a reflexão. Procurar que as pessoas pensem sobre o assunto.
E desconstruir algumas convicções próprias. Porque é normal, todos nós achamos que conduzimos bem, que o álcool não faz assim tanto efeito, ou que mesmo sob o efeito do álcool conseguimos fazer uma condução bastante razoável, mas nem sempre é assim.
E, portanto, tentamos apostar neste sentido, fazer as pessoas refletirem.
Porque quando estamos a comunicar nas redes sociais, estamos numa fase muito pré-acontecimento.
Portanto, não faz sentido comunicarmos, do nosso ponto de vista, não faz sentido comunicarmos de outra forma. Aquilo que nós queremos é sensibilizar, é atuar na prevenção. Claro que quando chega o momento da repressão estamos as nossas patrulhas no terreno, mas neste momento, nas redes sociais, nesta fase da comunicação, aquilo que nós queremos mesmo fazer e neste assunto em particular porque tem do nosso ponto de vista merece toda a atenção possível. Aquilo que tentamos fazer é sensibilizar, fazer as pessoas refletirem um bocadinho.
[00:20:23] Speaker A: E além destes resultados que apresentam, também acabam por sensibilizar através de Sim, de duas formas diferentes.
[00:20:31] Speaker C: Vídeos mais conceptuais, com imagens de acidentes, com imagens daquilo que acontece na prática e que por si só são chocantes, como dizia o Ruben há bocado, mas que não são fora da realidade, são coisas que acontecem e às vezes as pessoas serem confrontadas com aquilo que acontece também faz pensar.
E por outra forma, vídeos como nós fazemos a conversar com as pessoas, em que também falamos sobre aquilo que aconteceu.
E uma conversa muito franca, apostamos muito nisto, conversas francas, falamos com as pessoas. Dizem-me, reparem, aconteceu isto, apesar de nós termos tentado fazer isto, aconteceu isto. Que é trágico por si só. É nesse caminho que estamos a tentar seguir.
[00:21:14] Speaker B: foi aquilo que o Ivan disse, é desmistificar os super-heróis, ou seja, as pessoas na rua, na estrada hoje em dia têm um falso excesso de confiança e cada vez vemos mais isso, especialmente em contores mais velhos, e no fundo passa exatamente por desmistificar esse tipo de excesso de confiança, porque a segurança rodoviária, no fundo, é quase utópica, ou seja, vai sempre existir, vai sempre alguém a mexer no telemóvel a conduzir, vai sempre alguém a encher a velocidade, vai sempre alguém, infelizmente, a consumir álcool antes de conduzir e o nosso papel é exatamente apelar a esta reflexão, apelar a que se revejam os comportamentos e apresentar, de facto, as consequências desses comportamentos. Por pura coincidência, a minha tese mestrada foi exatamente sobre este tema, o impacto das campanhas de choque na segurança familiar. E o que eu consegui apurar, e aqui dar os dados que estão aqui a surgir na cabeça, mais de 40% das pessoas, cerca de 50 mais ou menos, não retém as campanhas de Soronso Salvador e Área puramente racionais, estatísticas, institucionais, porque lá está, o objetivo passa por informar e não tanto pela retenção, pela ação, pela chamada a atenção.
E as campanhas chuscanas, lá está, mostrar exatamente os efeitos de que comportamento pode ter, gera reflexão, chama a atenção e retém a mensagem. A curto prazo é fácil, ou seja, nós estamos a consumir, se calhar até fica na ideia durante um dia ou dois, mas depois quando se vai pegar no carro e quando se vai consumir, sair à noite, beber álcool e se vai conduzir, se calhar não nos lembram da mensagem. Mas apresentando as consequências reais de um acidente rodoviário, do consumo do álcool, de manusear o telemóvel a conduzir, de excesso de velocidade, de distrações, etc., as pessoas retém a mensagem. porque não acontece aos outros. Esta ideia, este excesso de confiança, a falsa perceção que só acontece aos outros, não acontece aos outros e estamos todos sujeitos a conduzir, quando vimos para o trabalho, vamos levar os miúdos à escola, vamos passear, estamos todos sujeitos a ter um assento rodoviário quando menos esperamos e por isso temos que cada vez mais ter essa consideração por todo o ambiente rodoviário, por toda a população que nós Contatamos todos os dias. Não somos uma pessoa no mundo, somos uma pessoa com várias pessoas no mundo e temos que trabalhar, temos que pensar com todos, temos que pensar que estamos num ambiente e que queremos protegermos a nós, queremos proteger as outras pessoas e queremos chegar ao destino em segurança. nas nossas campanhas de segurança rodoviária, é muito isso, é tentar que as pessoas entendam esta mensagem, porque é difícil, como o Ivan disse. Estou-me a lembrar de um vídeo que o Ivan fez, acho que também foi exatamente sobre essa operação, que fizeram uma operação e depois as pessoas questionaram, ah, mas é noite de São João, deixem só passar. Mas está, este tipo de comentários é de alguém que não percebe os impactos.
[00:23:54] Speaker C: Gravidade.
[00:23:55] Speaker B: da situação e o impacto que o álcool pode ter, neste caso, num acento rodoviário e na vida de muitas pessoas. Porque é só mais um copo, é só 100 metros, se calhar vou levar o carro, não faz mal, mas no fundo os 100 metros, os 50 metros, os 2 metros são suficientes para ter um acento rodoviário grave, por culpa da pessoa ou não, mas que aquele comportamento vai ter um impacto e vai coincidir com o acento rodoviário. Portanto, não há forma de controlar. o ideal e o mais seguro de sempre é cumprir o que está previsto no quadro da estrada, porque lá está, se está previsto é porque tem alguma lógica e não foi inventado, não é? No fundo é cumprir exatamente... e hoje existem inúmeras, inúmeras soluções para quem vai sair à noite, para quem vai ao São João, para quem vai aos Santos Populares ou no verão, aos festivais de verão, há inúmeras soluções. Há autocarros, há transporte partilhado, Há o de amigos, há o amigo selecionado dentro do grupo. Existem várias opções. E no fundo cabe à percepção da pessoa e do grupo de amigos reter esta mensagem e serem responsáveis. Porque a responsabilidade toda a gente consegue ter. Basta haver uma pessoa com noção e diga, não, eu hoje conduzo, portanto não vou beber, divirtam-se vocês, eu divirto-me igual, portanto num final de noite chegamos todos bem em casa. E no fundo é isso, as campanhas de transpavelviária tem que ser mais no sentido de apelar à responsabilidade, apelar à reflexão e cada vez mais mudar este tipo de comportamentos que já vamos vendo algumas alterações mas que não é traversal, infelizmente, na população.
[00:25:30] Speaker A: Conseguem ver esta mudança, não sei, nos condutores?
[00:25:34] Speaker B: O feedback que vamos tendo é claro que isto, foi como já falámos, não é mensurável. Isto pode ser factual agora neste fim de semana, mas no fim de semana a seguir se calhar a pessoa destrai-se e já não vai cumprir aquilo que efetivamente pensou no fim de semana a seguir.
Mas efetivamente sim, o feedback que vamos tendo pelos condutores, pelo público mais jovem que falam connosco no nosso dia-a-dia, é que efetivamente tem algum impacto e que, principalmente no público mais jovem, parecendo meio estranho, conseguem perceber melhor, se calhar, os impactos reais daquilo que é um comportamento irresponsável. Até parece quase contraditório, como falei há pouco, os condutores mais velhos têm mais preeminência de sentir um excesso de confiança falso. e que conduzem bem, como a Ivane disse, o álcool.
[00:26:23] Speaker A: Conduzem há muitos anos.
[00:26:24] Speaker B: Exatamente, o álcool não faz mal.
[00:26:25] Speaker C: Até nunca começou nada, não é?
[00:26:27] Speaker B: Exatamente. Tenho a carta há 40 anos, nunca tive um acidente. Lá está, este tipo de comentários e de percepção são graves porque podem estar 50 anos a conduzir, mas basta uma vez. Até contudo, não é? Ou seja, temos de ter a percepção que pode acontecer e que infelizmente vai acontecer.
[00:26:42] Speaker A: Os dados mostram isso.
[00:26:43] Speaker B: Os dados mostram isso, exatamente. O número de acidentes que temos em Portugal, seja na área da GNR ou da PSP, mostram exatamente isso. Ninguém é invencível, não há super-heróis. Nós não somos super-heróis, a GNR não somos super-heróis e os contores de certeza absoluta que não somos super-heróis. Portanto, pode acontecer a todos e o comportamento mais simples e alcanço da gente é sermos responsáveis, só isso.
[00:27:03] Speaker A: Eu percebi que acabam por abordar vários pontos relativamente aqui à sinistradelidade rodoviária, que é o excesso de velocidade, o consumo de álcool, o telemóvel...
[00:27:14] Speaker C: Na função, as maiores causas da sinistradelidade rodoviária em Portugal.
[00:27:17] Speaker A: E há algum que acabem por abordar mais vezes ou acabam por querer fazer aqui uma gestão?
[00:27:22] Speaker C: No nosso caso acho que vamos variando, vamos trabalhando todas as causas porque as pessoas veem este vídeo hoje, recordam-se hoje e amanhã eventualmente, recordam-se daqui a uma semana mas depois se esquecem.
Portanto, nunca podemos considerar este formato de comunicação um sprint, não é? É uma moratória, nós temos que reforçar constantemente os conselhos que estamos a dar e, portanto, se o fazemos, conseguimos trabalhar várias áreas de cada vez. Num vídeo falámos sobre isto, outro vídeo falámos sobre aquilo, e conseguimos ser, trabalhar um bocadinho as áreas todas relacionadas com a segurança radaviária, que não são só essas, mas também ou as mais preeminentes são estas. Depois, naturalmente, lá está.
nunca vamos saber se conseguimos evitar um acidente ou se conseguimos evitar que alguém conduzisse alcoolizado porque viu um vídeo nosso. É muito difícil. Era bom. Era bom, mas é muito difícil.
Qualquer das formas, eu acho que entre todas as visualizações que nós temos nos nossos vídeos, se entre todas as pessoas que viram, se houver uma que se lembre, no momento de pegar na chave, daquilo que ouviu, para nós é um sucesso.
[00:28:31] Speaker A: E há aqui alguma campanha que destaquem, que tenha tido maior impacto? Falou aqui da questão do São João, não é?
[00:28:38] Speaker B: Não, foi como disse há pouco.
Nossas redes sociais são e devem ser institucionais e informativas, estatísticas, etc. O que destacamos, como já falei, foi aquelas campanhas completamente disruptivas. o conteúdo com algum humor, sempre focado, alguns temas focados no tema da segurança rodoviária, mas esse tipo de conteúdo tem especificamente um alcance muito diferente e com maior sucesso, poderá dizer-se assim. Lá está, porque as pessoas não estão à espera que aquele tipo de conteúdo apareça nós comunicamos daquela forma.
E lá está, destacamos esse tipo de campanhas e temos usado em vários formatos, em vários eventos, porque é totalmente disruptivo e chama a atenção. Se nós fizermos um vídeo, estou-me a lembrar de um que nós fizemos na Operação Paz com a Insegurança, em que nós destacámos o número de mortes quase a gritar. Para destacar, porque é só o que nos apetece fazer.
[00:29:35] Speaker A: Um feito de choque, não é?
[00:29:36] Speaker B: Sim, exatamente. Ou seja, ouçam esta mensagem, vejam este número, isto é surreal, mas no fundo o que conseguimos destacar, apesar da parte emocional também ter sempre algum sucesso, o facto é que o humor e as tendências das redes sociais têm-nos ajudado nesse tipo de conteúdo e a alcançar mais pessoas que é o que nos interessa.
[00:29:55] Speaker C: São Acrescento fez-nos mudar um bocadinho aquilo que nós fazíamos. Há uns anos atrás fazíamos mais campanhas periódicas e prolongadas no tempo. Por exemplo, duas semanas de campanha qualquer coisa.
E depois é que o assunto ficava em stand-by e passava algum tempo fazíamos uma campanha sobre outro assunto.
E este formato que nós apostamos agora, vamos dizer este ano, e esta forma de comunicar em que estamos a fazer agora, permite-nos, ou seja, não nos obriga a fazer campanhas periódicas durante duas semanas, mas permite-me nos falar sobre os temas regularmente, com este impacto que o Ruben falou, que é termos vídeos que chegam a muita gente, seja pelo formato, seja pelo humor, seja pelo que for, mas de forma muito mais regular, ao contrário do que fazíamos há uns anos com campanhas específicas durante aquele período de tempo.
[00:30:45] Speaker A: E com maior abrangência, não é?
[00:30:46] Speaker B: Contualmente no tempo, também consoante épocas estivas, épocas balneares.
Temos que adaptar sempre a esse tipo de conteúdo e a Genete também o faz muito bem. Especificamente ao tempo em que vamos viver, por exemplo agora que estamos no verão, vamos apostar em conteúdo direcionado para festivais de verão, para idas à praia, o que é que se pode fazer, o que é que não se pode fazer, como é que se pode fazer em segurança, temos que retratar exatamente o conteúdo no tempo.
Há pouco estava a dizer, e questionou a Ivan, 90% dos acidentes são resultantes do comportamento humano.
Isto reflete-se naquilo que a pessoa tem a capacidade de decidir, seja a velocidade, seja o consumo de álcool na condução, seja a manutenção do telemóvel, seja puramente a distração ou comportamentos irresponsáveis, não parar no stop, não parar no sinal vermelho, A distração, estar a mexer no rádio, estar a retocar a maquilhagem, são comportamentos que podem ser quase irrisórios, mas que retratam 90% das cenas de viação. Os restantes 6% são resultantes da via ou do automóvel. Mas é neste 90%, que é um número muito grande, que nós abordamos e que queremos cada vez mais apelar. Apelar e gritar, como disse há pouco, porque os números, infelizmente, são graves e cada vez mais temos que olhar para eles.
[00:32:08] Speaker A: Gostaria de acrescentar alguma...
[00:32:10] Speaker C: Não, concordo claramente. No fundo, resuma um bocadinho aquilo que nós estamos a conversar até agora, mas de facto é isto. E é isto que tem sido esta a nossa aposta.
[00:32:18] Speaker A: Terminamos então assim aqui o nosso podcast. Obrigada Ruben por ter estado aqui presente.
E obrigada também Ivan, que eu testemunho.
Obrigada também a si por ter estado desse lado. Pode ouvir este e outros episódios do podcast do ACP no nosso site, no YouTube, no Spotify e no Apple Podcast.