Episode Transcript
[00:00:07] Speaker A: Sejam muito bem-vindos a mais um podcast do Automóvel Clube Portugal. Eu sou o Francisco Costa Santos e hoje estamos com o Luís Cunha, diretor do ACP Clássicos, para nos falar sobre automóveis clássicos, mas sobretudo se são um bom ou um mau investimento. Antes de mais, Luís, muito obrigado por estar aqui hoje.
[00:00:24] Speaker B: Obrigado, Will. É com gosto.
[00:00:25] Speaker A: E começamos por aí mesmo. Muitas vezes ouvimos que gostava de ter um carro clássico para investir o dinheiro e para poder, obviamente, dar uma volta ao fim de semana.
É uma boa estratégia investir num automóvel clássico, Luís?
[00:00:38] Speaker B: É uma boa estratégia, mas há uma premissa que é a mais importante de todas. É preciso custar.
Porque quem compra um automóvel clássico e não...
não tenha grande interesse, é melhor dedicar-se a escultura ou pintura ou outra coisa. Não vai resultar, com certeza.
[00:00:57] Speaker A: Mas existem carros antigos que sejam um investimento garantido, que possa comprar, nem sequer conduzir, e que vá valorizar futuramente? Sim.
[00:01:08] Speaker B: Existe, de facto, esse tipo de carros, mas já estamos a falar de um escalão muito pouco acessível, eu diria acessível a muito pouca gente.
[00:01:17] Speaker A: São peças muito raras?
[00:01:18] Speaker B: São peças muito raras e algumas menos raras, mas muito especiais e que as torna, de facto, têm um preço estratosférico, não é? Portanto, não... São de difícil acesso. São de difícil acesso.
[00:01:35] Speaker A: Há modelos que, certamente, o Luís estando completamente por dentro do mercado, consegue prever que, pelo menos, não se perca dinheiro.
Acredito que o mais lógico seja comprar um carro em bom estado de funcionamento, e não um projeto, para alguém que o pretenda utilizar.
E assim, um exemplo que seja um bom clássico para se usar ao fim de semana. Um carro onde não se vá perder dinheiro e que alguém possa investir. Há modelos que são muito afetuosos, como o Renault 4, o Mini 1000.
Que modelo desses assim, mais normal, é que será um bom investimento?
[00:02:14] Speaker B: Qualquer um desses, e começando por falar nos modelos populares, um Volkswagen Carros, um Renault 4, um Mini 1000, são automóveis de facto que São fáceis de usar, até do ponto de vista familiar, que essas muitas vezes é uma das limitações. Compramos um carro fantástico de dois lugares e depois pouco andamos com ele porque...
[00:02:40] Speaker A: As ocasiões são poucas.
[00:02:41] Speaker B: As ocasiões são poucas. Mas pensando nesses carros ditos populares, aí sim é importantíssimo comprá-lo no melhor estado possível. Porque...
qualquer coisa que se faça nesse carro, rapidamente ultrapassa o valor comercial.
Portanto, quando pensamos em termos de investimento, e se a premissa for essa, pelo menos não perder. Já falaremos daquilo que é um carro com perspectiva, efetivamente, de se valorizar.
Mas são coisas diferentes.
Portanto, aqui o melhor dos mundos é encontrar um automóvel que nos dê prazer e utilidade de utilização e, de facto, que ao fim de algum tempo, de alguns anos, se possa vender sem... Sem pelo menos perder. Sem pelo menos perder. Coisa que acontece com os clássicos, não acontece com um carro novo, seja ele de que tipo for. Seja um desportivo ou não, a maior parte deles, a menos que seja agora um modelo moderno numa série numerada, porque as marcas agora refugiam-se um bocadinho nisso. Temos marcas como a Porsche que fazem séries limitadas e esses sim são muito disputados, normalmente não chegam para a procura e esses ficam quase garantidos que não desvalorizam.
[00:04:13] Speaker A: Luís, mas estes carros que falávamos, estes carros mais tradicionais, que foram produzidos em grande quantidade, principalmente ali a partir dos anos 70, porque são carros mais utilizáveis, têm uma desvantagem que são, muitas vezes vemos-los a preços muito tentadores, mas como são carros que foram realmente utilizados no dia-a-dia, não estão assim em condições tão favoráveis.
[00:04:34] Speaker B: Pois, era exatamente isso que eu me referia, que há muitos, falou-se numa Renault.
[00:04:39] Speaker A: 4L, Eram carros que faziam verdadeiramente quilómetros.
[00:04:42] Speaker B: Claro. E nós, a brincar, costumamos dizer que oferecidos já são carros, não é? Porque... E isso acontece. Muitas vezes, pessoas que se fazem desses carros por valores absolutamente simbólicos, porque já não têm qualquer utilidade para ele, e quem vem a seguir para ter o carro numa condição Uma condição certificável, diria eu.
Uma condição em que seja possível certificá-lo como veículo histórico. Tem que investir, de facto, montantes, como se dizia há pouco, que muitas vezes supera largamente o valor comercial.
E esse é um aspecto que, esse aspecto do custo do restauro, é um aspecto muito importante a ter em conta a quem pretende fazer uma aquisição minimamente racional, porque só a partir de um certo patamar, o custo do restauro hoje, o custo da mão de obra, o custo das peças, subiu de tal maneira que só um carro já com um valor perceptível de mercado bastante mais elevado é que torna viável essa operação de restauro.
Porque, efetivamente, o custo do restauro de uma carroceria, a mão de obra implicada numa carroceria a pintura de um automóvel, custa quase o mesmo reparar um carro que o valor de mercado são 10 mil euros de um que são 200 mil euros. E, portanto, esse é um aspecto àqueles entusiastas mais otimistas que olham para um carro e ingenuamente pensam que três meses depois e 1.500 euros depois têm o carro recuperado, mas percebem isso às suas custas.
Isso tem muito hoje em dia a ver com a informação.
Aquilo que aconselhamos é que ninguém parta para uma coisa dessas, aquelas compras de impulso que muitas vezes acontecem.
Convém racionalizar um bocadinho isso, porque se estiverem bem informados, se calhar conseguem fazer melhores aquisições.
[00:06:52] Speaker A: E passando agora para os fatores que influenciam o valor de um automóvel clássico. Temos a raridade, o estado, a quilometragem, a história, a marca. Muitas vezes vemos, nas casas de leilões conhecidas, modelos chegarem ao leilão num estado completamente de barn find, que está muito na moda agora esse conceito, e acabam por valer mais dinheiro do que automóveis que foram restaurados, mas não estão tão puros como aquele. Como é que se justifica um carro que esteve abandonado 40 anos, um Ferrari 330 valer mais do que um que foi mal restaurado ou que tem mais quilometragem.
[00:07:30] Speaker B: É, isso tem a ver com... Há, de facto, duas formas mais sensatas, digamos assim, de comprar um veículo histórico.
ou nessa fase em que está tudo à vista, portanto não há nada a esconder, o automóvel está completo mas está a precisar de um restauro total.
[00:07:55] Speaker A: Que.
[00:07:55] Speaker B: Vai demorar de facto muitas horas, demora duas mil, três, quatro mil horas, o que seja, e o investimento muito significativo, mas quando se parte dessa premissa sabemos que Uns anos depois, e umas largas dezenas de milhares de euros depois, temos aquilo que pretendemos. Ou então, na ponta oposta, que é o automóvel que passou por esse processo. Há alguém que, antes de nós, fez um restauro criterioso, bem documentado, e estamos a pagar o valor comercial do automóvel porque o restauro, na maior parte das casas, é oferecido, porque é impossível juntar as duas coisas. tudo aquilo que está no meio, normalmente, não é um bom investimento. Acontece, nós brincamos um bocadinho com isso, quando um sócio me liga, o Luís comprei um carro muito jeitoso.
Só esse termo jeitoso, já estou a ver que quando ele começa a mexer, vai recuando até à casa da partida.
Pagou muito mais do que aquilo que devia, teve que desfazer aquilo que estava feito, E tem que partir do início. Hoje em dia há muitos buyer's guides, muitos guias de compra que nos ajudam a perceber em cada modelo, em cada marca, em cada modelo em particular.
aquilo que se deve procurar perceber o estado da estrutura do carro, o estado da mecânica, tudo isso é muito importante.
E acontece muito, porque o conceito daquilo que era o restauro de um automóvel antigo, como até aqui se chamava, até os anos 80, fins dos anos 80, o restauro era pintar o carro, era o carro ter uma pintura bonita.
Não havia inspeções, a parte estrutural era remendada de uma forma muito pouco cuidada, a grande parte das vezes.
[00:10:00] Speaker A: Vemos muitas vezes esses carros antigos com aqueles betumes, folha de jornal...
[00:10:04] Speaker B: Exatamente. Isso ainda acontece.
[00:10:06] Speaker A: Estruturalmente era muito mau.
[00:10:07] Speaker B: Agora é raro nós, quando certificamos um veículo histórico, os pisos serem de chapa lisa. Mas isso aconteceu-nos várias vezes. Era chapa zincada, soldada por dentro, colavam as alcativas, que era para não se ver, e quando levantávamos o carro no elevador aquilo estava absolutamente... um trabalho absolutamente amador.
[00:10:29] Speaker A: E lá está.
[00:10:29] Speaker B: E um caso desses depois, para aquilo que são os parâmetros de qualidade para um carro hoje se valorizar e valer bom dinheiro, a qualidade do trabalho envolvido Tem que ser muito boa, não é? Portanto, se é para fazer mal feito, hoje mais vale não começar. É importante que se pense isso e que a pessoa esteja... Porque isto leva a um aspecto importante, é que muitas vezes temos o dinheiro suficiente, o budget suficiente para a aquisição, mas não valorizamos depois a manutenção e o restauro para ter aquele entusiasmo de ter o modelo com que sonhámos. Compramos um carro, enfim, num estado mediano porque é o budget que temos.
[00:11:17] Speaker A: Que esteja a circular.
[00:11:18] Speaker B: Esteja a circular, enfim. E depois deparamos com a dura realidade que é que precisamos de um montante muito superior a esse para fazer aquilo que gostaríamos.
[00:11:29] Speaker A: Por isso é que muitos carros se tornam projetos que depois são abandonados ou que acabam por não avançar.
[00:11:35] Speaker B: Ficam décadas. Hoje em dia acontece muito isso.
[00:11:39] Speaker A: O Luís há pouco referia que muitas vezes é contactado por causa de possíveis negócios ou tudo mais. O ACP Clássicos fornece algum serviço desses ou é o Luís que...
[00:11:49] Speaker B: Não, é a equipa que fazemos e gostamos muito quando temos essa oportunidade de...
antes de um sócio nos ligar e dizer, muitas vezes até tem a curiosidade se o carro está certificado e, portanto, tenta ter uma informação um pouco mais detalhada ou está indeciso entre dois modelos idênticos que viu à venda e se nós podemos ajudá-lo um pouco os pontos em que ele deve procurar.
Portanto, isso é um bom começo porque, como eu dizia há pouco, o pior que nos acontece é quando já não há nada a fazer.
[00:12:28] Speaker A: É quando está comprado e não está tão bom quanto pensa.
[00:12:34] Speaker B: Um episódio que me aconteceu já há uns bons anos, foi em 2007.
Aparece um sócio para certificar um Ford Mustang descapotável, orgulhoso, porque tinha comprado o carro no dia anterior.
Era um sonho antigo.
E fomos conversando, e quando elevámos o carro no elevador, pensei, agora como é que vou fazer este homem Aqui a compra... Comprou aqui uma coisa que tem, do ponto de vista comercial, não tem qualquer validade.
e mostrei-lhe, expliquei-lhe e disse aquilo que eu faria se fosse eu era tentar desfazer o negócio porque o que vai ter que gastar no carro... Estava mesmo mal. Estava mesmo mal.
E mal feito, porque o problema disto é que essa é a pior parte de todas. É quando o trabalho tem pouca qualidade e tudo aquilo que foi feito tem que ser desfeito. E isso implica muito mais mão de obra e um custo muito maior.
[00:13:40] Speaker A: Luís, mas é porque é difícil encontrar alguém que saiba mexer num modelo em concreto ? Ou é por falta de mão de obra ? Ou é pelo.
[00:13:49] Speaker B: Valor ? Até algum tempo atrás havia menos informação. Portanto, cada um, cada profissional, ou amador, ou o que fosse, fazia um bocadinho como achava que era melhor. e isso não era, a maior parte das vezes, não estava em linha com as boas práticas para um determinado modelo. Hoje já há mais, quer da parte de quem faz, já surgiram uma série de.
[00:14:16] Speaker A: Oficinas especializadas, umas... Eu perguntava isto até porque, pegando no exemplo da Mercedes, temos as oficinas da Mercedes Clássico que tratam dos modelos, se quisermos restaurar um 300SL...
[00:14:28] Speaker B: Todas as marcas... Não é todas. Algumas marcas, sim, é mais rigoroso, apostaram um bocadinho na herança histórica. A Mercedes foi, de.
[00:14:39] Speaker A: Facto, pioneira.
Aliás... A.
[00:14:41] Speaker B: Produção de peças... Exatamente. A Mercedes, nesse aspecto, é fantástico porque vamos a um... ou um concessionário da marca em qualquer parte.
E somos tratados da mesma maneira se estivermos a falar do Mercedes de 1958 ou do Mercedes de 2015, quer dizer, eles não... Se experimentar outro tipo de marcas, eles nem sabem de que é que estamos a falar.
Mas até a Mercedes está muito organizada nisso, a Porsche também, depois marcas como a Ferrari... Enfim, isto não é inocente. Há também um interesse comercial por trás, porque, quer dizer, um cliente satisfeito com o veículo histórico da marca, a fidelização é muito mais fácil.
[00:15:25] Speaker A: Para modelos atuais. Já tem gosto da marca, portanto.
[00:15:28] Speaker B: Facilmente dará alça. Há aqui um aspecto, e ainda voltando ou continuando nesta questão do investimento, há aqui um aspecto que eu não quero deixar de realçar e que é muito importante e cada vez é mais notório, que é a questão geracional.
Quando eu me iniciar isto, há mais de 30 anos, havia determinados modelos que vinham, vinham em grande número dos Estados Unidos, por exemplo, tínhamos o dólar a 50 escudos, e portanto vinham contentores de... E é também curioso, porque isto depois é um bocado como os Mutes, com os Dickie Toys, que todos querem os modelos que os amigos compraram. Portanto, havia aqui uma quantidade imensa de automóveis que vinham, que eram os tais Fora, do fim da década de 20 e princípio de 30, os Forage, os Jaguars XK120, que foi um dos carros mais importantes na história dos desportivos britânicos, os Porsche 356 e os MGT10. Portanto, eram quatro modelos que vinham em grande quantidade.
Qualquer um desses modelos, hoje em dia, passados estes trinta e poucos anos, já tem uma... A oferta e a procura começam a estar um bocadinho desequilibrada porque são modelos que apelam, tirando os 356, que esse é mais ou menos transversal, bem como também é transversal o 911, mas os outros modelos, quer o Fora, que é o que é mais atingido, quer o MGTD em 2º lugar e o XK120 em 3º, são modelos que apelam a um entusiasta já avançado na idade de hoje em dia. São pessoas que neste momento estão com 90 ou 100 anos ou coisa que o valha.
Portanto, aquilo que um jovem que hoje em dia se esteja a iniciar nestas leads procura procurar aquilo que é natural, que é intergeracional, que é nós tendemos a gostar dos carros que marcaram a nossa infância.
E, portanto, a infância de quem gosta de um Fora foi nos anos 30.
A infância de quem gosta de um Jaguar XK120 foi nos anos 50.
E, portanto, um jovem de 30 anos com a infância nos anos 90 é um Ância Delta Integral, é um Peugeot 25 GTI e, portanto, em termos de investimento, é isso que está a acontecer. Estes modelos que nós nos habituámos a respeitar e a adorar, hoje em dia, do ponto de vista comercial.
[00:18:14] Speaker A: São menos apelativos. Luiz, e é curioso porque era mesmo aí que eu queria... Eu tinha aqui duas questões que eram a bolha de inflação dos 911, perceber o que é que nos leva até isso, e de que forma é que podemos prever modelos de futuro que possam valorizar. Porque o caso do 911 foi um aumento muito significativo. E temos modelos idênticos, não precisamos de ir ao 300SL, ao Mercedes ou ao Gullwing, mas por exemplo o SL dos anos 60, o Pagode, foi um carro.
[00:18:48] Speaker B: Que valorizou imenso. A linha SCL da Mercedes é dos melhores exemplos porque, de facto, há esse ícone, que é o 300 SCL, e depois há todos os outros. Há uma diferença até em termos de facilidade de aquisição. Um 300 SCL era o preço de uma moradia na melhor zona da cidade de Lisboa, do Porto. Era uma opção. Ou se comprava uma belíssima moradia ou se comprava um 300 SCL. Claro que quem comprava um 300 SCL podia comprar as duas coisas.
Os outros modelos, apesar do 190SL, a linha daquilo que se designou, Pagode, apesar de serem carros inacessíveis à maior parte das pessoas, gera outro patamar do 300SL.
E os outros SL que vieram a seguir.
Aquilo que acontece, de facto, foi que, meados dos anos 90, um 190 SEL era um modelo relativamente acessível.
Depois, esse foi o primeiro a valorizar, foi valorizando, enquanto o pagode ainda estava... Eu lembro-me de, na década de 90, fins da década de 90, uma das feiras de referência internacionais, que é a Tecnoclássica em Essen, e eram carros, estamos a falar de bons, de bons pagotes, custavam 30, 35 mil euros.
e aquela linha 107, aquilo que vulgarmente chamamos de Dallas, por causa.
[00:20:29] Speaker A: Da série televisiva.
[00:20:31] Speaker B: Que começam agora... Esses carros, na altura, para terem essa noção, eles chegaram a.
[00:20:38] Speaker A: Valer 7.500 euros. Atualmente é o valor de um carro.
[00:20:41] Speaker B: Desses sem documentação. Sim, é os pedaços deles de um carro desses.
E, por fim, os 129, que eram automóveis que...
meados da década de 2000 valiam 12, 13 mil euros, e agora um bom carro desses já não se encontra por menos de 25, 30 mil.
Portanto, há esse fenómeno, eu diria, da expiração. A valorização de uns leva depois à valorização dos outros, e a questão geracional, não é? Hoje em dia, há quem goste de um 129 ou de um 107, de um Dallas, e gosta menos do que está para trás. Portanto, há essa evolução ao longo dos anos, que é muito interessante, e com os.
[00:21:30] Speaker A: Porsche aconteceu isso. Não fugindo dos Mercedes, eu vi há pouco tempo uma notícia sobre como o facto do Pagode ultrapassar o 190SL e de como o 107 agora ser o carro de foco para investir. E nos Porsche, isso também se explica porque o Luís lembra-se de... Se o Luís lembra de ver os Pagodes, é por isso que eu lembro-me de ver os 911, série G, 930, lembro-me de ver um carro desses a.
[00:21:54] Speaker B: 28 mil euros. Carro que atualmente... E aí estamos a falar de uma única gama. Enquanto aqui os Mercedes SEL são diferentes entre si, até do ponto de vista estético, no Porsche 911 há ali uma linha de continuidade, que é um dos segredos da marca.
Quando nos sentamos num Porsche, no 911, independentemente da geração, percebemos que estamos num 911. Eles têm tido esse engenho e arte de conseguir fazer isso.
E aí também houve um modelo responsável por este fenómeno, foi o 911 2.7 RS, que lá está, nos anos 90, eu lembro-me de um sócio nosso que comprou um carro desses por 5 mil contos. O fenómeno dos Porsche 911 começa de facto no.
[00:22:46] Speaker A: 2.7 Carrera RS. Foi o primeiro a...
[00:22:50] Speaker B: Foi primeiro, porque de facto foi um automóvel, quando apareceu, era de facto um automóvel absolutamente excepcional e quando se deu a valorização deu uns saltos muito significativos e atingiu valores, acho que ele também pesou meio milhão de euros, portanto...
Até houve modelos, por uma razão ou por outra, exemplares, que por uma atingiram quase um milhão.
E portanto ficaram cedo, ficaram inacessíveis.
E essa valorização levou a que se olhasse para um 2.4 de uma forma, portanto, não podendo atingir o 2.7, 2.4 era o degrau a seguir.
E esse também valorizou. E, portanto, houve esse fenómeno. De grau a degrau foram valorizando bastante e atingiram uma espiral de valorização imensa.
Passado uns anos, dá-se um facto curioso, essa geração de 911 da década de 70 arrefeceu um pouco, exatamente pela questão geracional.
O tal entusiasta de 30 anos prefere uma coisa mais descomplicada e porque se lembra deles na sua juventude. Em fase de valorização estão agora os 3.2, os 911 3.2 que foram até 89, depois o 964 que a Singer pegou. Era um automóvel que valia 20 mil euros. Durante muito tempo valia 20 mil euros. Encontrava-se um belo exemplar do 964 com único dono, poucos quilómetros, por essa.
[00:24:43] Speaker A: Ordem de valores.
[00:24:45] Speaker B: E o 993?
Exatamente, o 993, o último modelo 911 refrigerado a ar, portanto que para os amantes da maria, para os mais preciosistas, o.
[00:24:57] Speaker A: 911 parou ali. Mas Luís, é muito curioso esse efeito bola de neve, porque atualmente vemos um 996, que era um carro muito mal amado, porque foi o primeiro refrigerado à água e por causa da questão dos faróis e outras questões, e que hoje em dia um 996 já é um carro que também tem.
[00:25:13] Speaker B: Algum valor comercial. Sim, de facto em 97, quando eles foram apresentados o 996, houve ali Eu diria um erro de estratégia da marca porque, ao longe, dificilmente se distinguia um 911 de um Boxer. E, portanto, quem tinha um 911 estava ali a ser comparado com o carro da gama a seguir. Era uma coisa que não caiu bem.
Era o carro de entrada. Uma belíssima entrada, diga-se de passagem. Mas isso penalizou bastante. E depois outras questões. O motor teve ali alguns problemas de juventude, que seriam resolvidos mais tarde, mas que fez com que o modelo... A má fama é uma coisa que, das qualidades, muitas vezes não se propagam com essa velocidade. Os pontos menos positivos são determinantes. na questão comercial.
E, efetivamente, hoje, passado quase 30 anos sob o lançamento do modelo, isso já está muito diluído e esta nova camada de entusiastas que está agora a entrar, olham para o 996 de uma forma completamente diferente e o carro, de facto, é um carro, do ponto de vista de qualidade intrínseca.
[00:26:36] Speaker A: Tem muito bom.
Luís, ficamos aqui então a perceber como é que é possível prever o mercado de clássicos. Ficamos a saber também que podem ser bons investimentos desde que contactem o ACP para perceber que automóveis podem investir porque muita gente que nos ouve com certeza gosta de automóveis, tem interesse em entrar neste mundo e deixam apelo a contactarem o Automóvel Clube Portugal, na parte dos clássicos, onde vão ser esclarecidos sobre estes temas. Luís, muito obrigado por esta aula de valorização.
[00:27:08] Speaker B: Automóvel.
[00:27:08] Speaker A: Com gosto. Disponham. E obrigado também a quem nos esteve a ouvir. E já sabem, se quiserem ouvir este ou outros podcasts basta passar no site do Automóvel Clube Portugal ou no Spotify ou no.