“Há falta de mão de obra nas oficinas”

Episode 122 March 10, 2026 00:27:20
“Há falta de mão de obra nas oficinas”
ACP - Automóvel Club de Portugal
“Há falta de mão de obra nas oficinas”

Mar 10 2026 | 00:27:20

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Show Notes

A escassez de mão de obra, a crescente complexidade tecnológica dos automóveis, a eletrificação e os desafios de adaptação das oficinas estiveram em destaque neste podcast com Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA.

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Episode Transcript

[00:00:06] Speaker A: Olá, sejam bem-vindos a mais um podcast da ACP. O meu nome é João Delfim Tomé e comigo tenho hoje Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA, que vem até aqui para falar um pouco sobre os principais desafios do setor do pós-venda e da reparação automóvel numa era de transformação absoluta do mercado automóvel. Estamos a entrar na fase da eletrificação, há cada vez mais veículos eletrificados, sejam elétricos, híbridos, como for. e isso com certeza que traz desafios para o setor do pós-venda e da reparação. Roberto, pode-nos indicar alguns dos principais desafios, principalmente nesta fase de transição, ou no início desta fase de transição, que o setor sentiu? [00:00:44] Speaker B: Antes de mais, permito-me agradecer o convite, é um gosto estar aqui no ACP, na vossa companhia. Ainda há a questão, se nos focarmos estritamente na questão do pós-venda, logicamente tem um conjunto de impactos grandes, do ponto de vista que o funcionamento e o modelo do negócio como fomos conhecendo nos últimos 100 anos, se alargarmos de uma forma geral o nosso setor, é na verdade também uma transformação muito grande, ou seja, o setor automóvel vive atualmente provavelmente a maior transformação desde a sua fundação há mais de 100 anos, há mais de 100 anos, ou seja, estamos num processo de disrupção absoluta a vários níveis da cadeia do setor. O pós-venda, logicamente, é um deles. Os operadores do pós-venda vão ter que se adaptar a uma nova realidade. É verdade também que quando falamos de pós-venda estamos a falar de prestar serviço àquilo que é o parque circulante. E o parque circulante é, ainda hoje, esmagadoramente, na sua essência, carros a combustão. E isso vai prevalecer ainda durante vários anos, ou seja, porque apesar das vendas de carros elétricos, ainda são, digamos assim, 3% na ordem disso, daquilo que é o parque circulante total. E, portanto, é verdade que os operadores vão ter que se adaptar, se ajustar a esta nova realidade, mas até que ela tenha um peso realmente significativo, ainda vamos passar alguns anos. [00:02:23] Speaker A: Achei curioso que referiu a adaptação dos operadores a esta nova realidade e uma realidade muito maior, que é um parque circuando cuja média de idade ronda aos 14 anos. Como é que para um operador, principalmente os independentes, os mais pequenos, não falamos das grandes concessionárias, como é que se faz essa adaptação de, ok, eu tenho que trabalhar com um veículo com 14, 15, 16, 20 anos e ao mesmo tempo também tenho que estar capaz de reparar um híbrido ou um elétrico? Como é que se faz essa adaptação? Ou avançamos para uma especialização dos operadores? Uns fazem um género, outros trabalham no outro. [00:02:57] Speaker B: Há um bocadinho de tudo. Há operadores claramente capazes de responder às várias solicitações todas e depois logicamente como tudo. Há operadores que se especializam mais em carros a partir de uma determinada idade, até pelo que são as condições e as competências que têm, e outros que já aparecem também, que se especializam, por exemplo, em carros de nova geração. Por exemplo, nós temos associados que estão completamente focados naquilo que são carros elétricos. E, inclusive, é capaz até de prestar em serviços como seja de reparação de baterias, um conjunto de serviços altamente especializados, mas que ao dia de hoje ainda não deixam de ser, de alguma forma, um nicho de mercado. Agora, essa realidade, existe esse desafio, é cada vez maior, Eu diria até mais do que a questão dos carros elétricos, hoje o desafio que se põe é da complexização daquilo que são as viaturas de uma forma geral, ou seja, nos últimos anos os carros têm vindo a tornar-se cada vez mais complexos, mais digitais, maior complexidade das viaturas, hoje um carro, mesmo um carro de combustão, não deixa de ser um computador sob rodas. Ou seja, hoje, como sabe, um carro tem facilmente 300, 400, viu-se quando foi a crise dos chips, tem facilmente 200, 300, 400, às vezes 1000 chips incorporados. E, portanto, isso significa necessidade de quem o repara o carro ter capacidade para interpretar o carro, fazer a avaliação naquilo que sejam as possíveis avarias e, portanto, isso obriga não só equipamentos de uma nova geração e obriga a pessoas também com novas competências e, portanto, muito mais até do que propriamente a questão dos elétricos que, se quer se quer, quer se não, é ainda um nicho de mercado. [00:04:52] Speaker A: Abordou a questão das competências dos profissionais. A ANECRA tem um papel na transmissão dessas competências. Tem visto uma maior procura por parte dos profissionais de requalificação de competências ou, por outro lado, uma resistência dos mesmos a não quererem ter que se adaptar a este novo mundo? Como é que tem sido a reação dos profissionais? [00:05:12] Speaker B: do ponto de vista daquilo que é a procura de competências, isso é claramente um movimento gradual e crescente. Nós próprios, a ANECRA tem um papel bastante importante, nós somos entidade credenciada e certificada para fazer formação, nós fazemos muita formação ao setor de uma forma geral, a vários níveis, e a procura é cada vez maior. Aliás, temos crescido muito nessa vertente, precisamente também fomos ganhando competências para isso e, ao mesmo tempo, porque o mercado soube responder a isso. Portanto, os operadores têm cada vez mais consciência que, nesta altura, aquilo que fará a diferença é a sua capacidade de adaptação muito rápida àquilo que é as transformações no mercado. Ou seja, um bocadinho, eu costumo dar o exemplo, nós vivemos em tempos verdadeiramente dar o win-win, não será o mais forte nem o maior a resistir, a sobreviver, será aquele que tiver maior capacidade de adaptação e mais rapidamente capacidade de adaptação, um mercado que está numa evolução muito rápida e isso vale logicamente para o pós-venda e se vale para o pós-venda, vale logicamente para aquilo que é a questão mais importante, que é as competências das pessoas que trabalham à frente das empresas. [00:06:30] Speaker A: E há acerca de captação de jovens talentos? Há setores da economia onde tem sido difícil conseguir captar jovens? Neste setor em particular sente-se essa situação ou não tem sido uma realidade? [00:06:41] Speaker B: Esse é o principal problema do setor do pós-vendor hoje em dia. É preciso dizer já agora para termos uma noção, o parque automóvel em Portugal tem vindo a crescer. Ou seja, nos últimos especialmente no período pós-Covid, se tomarmos como exemplo o crescimento da economia e um conjunto de situações, o parque automóvel cresceu substancialmente. Estamos a falar de ter crescido, provavelmente, entre 500 a 600 mil viaturas e, portanto, isso significa mais matéria-prima para quem repara carros. levantou uma questão gravíssima. Hoje, o principal problema dos operadores do pós-venda, de uma forma absolutamente transversal, de norte a sul do país, grandes ou pequenos, é a falta de pessoal especializado. inclusive com necessidades de importar mão de obra de fora, porque há uns milhares em falta no setor. Essa questão põe-se em dois pontos, um conjuntural, um mais conjuntural e outro mais estrutural. A questão mais estrutural tem a ver com os jovens, tem a ver com o setor envelhecido, que durante muito tempo não teve capacidade de atração e de gerar atração aos jovens para os trazer para o setor. É um setor que não se mostrou atrativo e, portanto, houve um divórcio, de alguma forma, entre aquilo que é a oferta e aquilo que foi a procura por parte dos jovens. Isso vale por várias questões, vale pela formação das pessoas, vale inclusive até para a perceção que tinham do setor, de ser um setor uma área envelhecida, pouco desenvolvida, se calhar a vários níveis não era claramente muito atrativa e vale inclusive até pelas designações das pessoas. Ou seja, as pessoas designavam-se como chaperos, batshapers, ou seja... não era muito atrativo. Isso é uma questão que nós já conseguimos, em sede de concertação social, mudar e, portanto, passam a haver novas designações, podem ser promenores, mas muitas vezes não são promenores, chamar-lhe um técnico de delusão, ou de mecatrônica, ou alguma coisa igual que era, e, portanto, dar uma aura completamente diferente, essas questões às vezes também são importantes, E há cada vez mais um reforço daquilo que é a formação profissional dos jovens e tentar que eles se sintam atraídos para esta nova profissão. Mas isso é uma questão muito mais estrutural e que vai demorar bastante mais tempo a resolver. A outra questão é conjuntural, que é a necessidade de acelerar rapidamente os processos, as chamadas vias verdes para a imigração, questões desse estilo, que nós temos estado a trabalhar até com o Governo, com as Secretarias de Estado, para tentar encontrarmos modelos, processos que acelerem a necessidade de ir buscar pessoas fora. Hoje ir buscar um profissional fora, mesmo dando todas as condições, arranjando casas, arranjando um conjunto de situações para garantir que se vai buscar uma pessoa com todos os níveis de segurança, mesmo assim são processos muito morosos e o setor precisa de muitas pessoas. [00:09:54] Speaker A: E ainda em relação à captação de jovens, que papel é que a ANECRA tem desempenhado nessa captação e o que é que acha que a nível, por exemplo, do ensino ou até governamental se pode e deve fazer para conseguir essa captação, além da mudança de nomenclaturas? [00:10:12] Speaker B: Há um trabalho importante que a ANECRA se orgulha também de fazer parte, que tem a ver com a formação, com as escolas. Por exemplo, a ANECRA integra o Conselho de Administração do SEPRA, que é o Centro de Formação do Setor Automóvel em Portugal, que é um organismo tutelado pelo Ministério do Emprego e pelo IFP, no fim de tudo, e da qual a ANECRA faz parte, o Conselho de Administração, que é, por excelência, o grande formador do setor automóvel, tanto na vartente de profissionais que já estão a trabalhar, como na vartente do ensino profissionalizado. E isso tem tomado passos cada vez para tentar ir buscar mais jovens, ir para as feiras de emprego, ou seja, tentar trazer os jovens e fazer a sensibilização dos jovens. Logicamente é um processo, como eu lhe diria, muito mais estrutural e não é uma coisa que se clica os dedos e que se faça... desde há manhã, ou seja, uma ideia que se criou durante bastante tempo é um processo que tem que fazer por fases, a própria ideia que eu lhe dizia da alteração das nomenclaturas das pessoas é um processo, é apenas um processo, mas é importante também ir à fonte, ir às escolas e fazer essa sensibilização, que é um setor que precisa de pessoas, que de uma forma geral, se compararmos coisas comparáveis, paga bem, porque se há falta de pessoas, logicamente, Paga bem, a verdade é que os níveis salariais têm vindo a subir, porque são uma escassez enorme de pessoas, é normal que eles paguem melhor do que outros sectores e, portanto, temos que conseguir passar isso para fora cada vez mais. [00:11:51] Speaker A: No fundo é um processo quase darwinista, como referiu há pouco. E por falar, recuando um pouco, falou da questão da especialização na questão das baterias. Falou de alguns associados, e de facto existem empresas que trabalham nessa área. Qual o papel que acha que os atores independentes, ou indo sempre as marcas, podem ter no futuro da reciclagem de baterias, da reutilização de baterias, porque É uma área que quase sempre a sociedade esquece, fala-se muito da eletrificação, mas depois, quando chega ao fim de vida do carro, temos aquele componente que ainda tem mais vida. Que papel podem ter os atores independentes nessa reciclagem? [00:12:28] Speaker B: Os atuais independentes têm um papel bastante importante a dois níveis. Um do ponto de vista da intervenção direta nas ditaduras e inclusive na reparação das baterias. Ou seja, hoje nós temos alguns operadores que, eu não vou dizer que se substituem às marcas, mas têm um papel muito importante naquilo que é o prolongamento da vida útil da bateria. Hoje, como sabemos, as baterias são, na maior parte delas, por segmentos e conseguem fazer reparação de baterias custos muito mais baixos do que a troca de uma bateria pelo fabricante. E essa é uma área interessante. Interessante, logicamente, para o consumidor, interessante também para o operador de pós-venda porque encontra aí uma oportunidade de negócio bastante rentável. Do ponto de vista da reutilização ou de dar uma nova vida às baterias, esses processos são processos que têm vindo a ganhar cada vez mais vida, digamos assim. Como nós sabemos, muitas baterias, quando chegam àquilo que se designa como fim da utilização, no âmbito daquilo que é a função de estarem num carro, ainda tem uma capacidade bastante grande e que podem ser utilizados a vários níveis. E hoje isso já existe, utilizado na indústria, utilizados na agricultura, na conservação de energia nos painéis solares, ou seja, e já vários projetos a trabalharem a esse nível. Em Portugal não, mas lá fora há inclusive os próprios fabricantes, hoje já têm papel, controlam já esse processo bastante grande, Portugal é um país mais pequeno e, portanto, isso não se passa dessa forma, mas é claramente não só a possibilidade de estender a vida da bateria como novas oportunidades de negócio. [00:14:17] Speaker A: Acaba por ser um setor que está numa transformação, estamos a assistir a uma digitalização, como refiro, do automóvel, mas não só do automóvel também, da própria forma como o cliente contacta com o setor, como o cliente ou até o operador, assistindo, por exemplo, à questão das peças, o e-commerce, que papel é que tem a digitalização e o e-commerce de peças na relação entre clientes, operador, reparador. Como é que se faz esta ligação? Há algum desafio extra? [00:14:50] Speaker B: Há sempre. Sempre que aparecem novos fenómenos que aceleram, que desrompem de alguma forma aquilo que são os modelos que nós conhecemos, há sempre desafios. Depois, muitas vezes, é preciso perceber exatamente como é que se vive com eles e como é que se pode tirar eventualmente de uma ameaça e se transformar em uma oportunidade naquele chavão. É lógico para muitos operadores, mediamente na área das peças, os processos de e-commerce, os processos das plataformas de peças, não deixam de ser uma ameaça àquilo que são o seu modelo tradicional de negócio, pois têm que perceber exatamente não podem lutar contra processos, logicamente têm que se adaptar. Aí muitas vezes passa pela questão de adaptação a novos processos. É lógico, sim, a plataforma de peças, eu dou-lhe um exemplo, por exemplo, um processo que tem vindo a ganhar uma dimensão bastante grande, que é, por exemplo, a plataforma de peças usadas. Por exemplo, hoje, um negócio, que era um negócio mais ou menos obscuro, até mal visto, digamos assim, o negócio das peças usadas tem vindo a ganhar uma escala já bastante interessante, em grande parte pelos processos de digitalização, em grande parte pelas plataformas, plataformas algumas dessas à escala mundial, hoje temos operadores, inclusive nacionais, que já têm escala mundial e portanto com projetos muito interessantes, E onde, de jeito, existe um processo de rastreabilidade da peça, para dar confiança, certificação da peça, para quem compra a peça saber que ela é uma peça válida, digamos assim, que é uma peça segura. E isso é uma área, por exemplo, interessantíssima, que é precisamente a questão de alguma coisa que é nova, que alguém que soube agarrar e transformar aquilo numa nova área de negócios e ainda por cima alinha com aquilo que é a agenda europeia, nesta altura, que tem a ver com a economia circular, não sei o quê, todo esse tipo de coisas, onde, por exemplo, em determinado tipo de países, Já se põe a questão se houver uma peça nova ou se houver uma peça usada, ou se quiserem uma peça verde, como se diz agora, deve ser dado prioridade à peça verde. É uma ameaça, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade. Porquê? Porque permite, por exemplo, carros que iriam para abate, que iriam para abate, que iriam a ser salvados com uma peça usada, se são possíveis ainda ser ser utilizados e ao mesmo tempo potenciam também venda de mais peças novas ao estar a fazer esse processo. Portanto, aqui estamos novamente sempre naquela questão que é perceber exatamente não vale a pena lutar contra aquilo que é o movimento da tecnologia, o movimento da novidade, temos que perceber como é que podemos fazer uso dele e tirar proveito também dele. [00:17:48] Speaker A: ainda sempre nesta senda de evolução constante do setor. Que impacto é que podem ter os modelos de subscrição de manutenção e os contratos integrados no setor da manutenção? São uma ameaça, penso que, acima de tudo, para os atores independentes, não? [00:18:05] Speaker B: Vamos só ver se nos carros novos isso já é uma realidade. Aliás, basta dizer isso. Hoje, 70% dos carros que se vendem em Portugal são no mercado corporate, são empresas. Uma parte são renta-car e uma parte substancial são de vendas a empresas. Dessa parte substancial de vendas a empresas, uma parte muito grande está um chamado renting, digamos assim, ou produtos similares ao renting, já têm incorporado produtos de subscrição de manutenção, contratos de manutenção, e portanto isso já existe. E a tendência é cada vez mais que as próprias marcas procurem vender o carro já com a incorporação disso, de valor, porque no fim de tudo procurarem novas fontes de receita quando estão a vender os carros e de fidelização dos clientes para que eles voltem às oficinas, façam as revisões nas oficinas e, portanto, isso é um processo absolutamente natural que vem a acontecer cada vez mais. Logicamente, do pós-venda, o que estamos a falar é, quando nós olhamos para os 5 milhões e meio ou 6 milhões de carros que estamos a circular, quando tivermos a falar só ligeiros ou ligeiros passageiros com mercadorias, o grosso deles são carros que já não são alvo desse tipo de contratos e, portanto, o mercado continua a ser um mercado muito grande. [00:19:32] Speaker A: Acaba por haver uma complementariedade entre os dois setores. Em relação aos elétricos, há a ideia de que este tipo de automóveis não necessita tanta manutenção. Os dados de que a ANECR tem acesso, seja junto dos seus operadores, seja dos estudos que leva a cabo, confirmam esta teoria ou é algo que é mais uma ideia generalizada do que uma realidade? [00:19:53] Speaker B: Isso é um facto indesmentível. Os carros elétricos precisam muito menos manutenção que um carro. A combustão, basta olharmos para o número de componentes de um e de outro, ou seja, um carro de combustão tem 2.000 péssimas de grosso modo, digamos assim, ou até 20. E a grande parte, digamos assim, o mais importante é a bateria. Inclusive do ponto de vista do custo, uma parte importante, vou dizer metade, mas quase metade do custo de um carro está na bateria. É lógico que sim, um carro elétrico tem muito menos manutenção, inclusive uma parte da manutenção é feita remotamente, é feita do ponto de vista daquilo que é o software, ou seja, estamos a falar num nível completamente diferente, estamos a falar num nível completamente de manutenção. As perspectivas, inclusive, já agora para lhe dizer, as perspectivas é que no futuro o custo global até possa ser maior do ponto de vista dos carros elétricos. Mas quando estamos a falar, estamos a falar de software, estamos a falar de outras coisas que não propriamente, substituição de peças, reparação de peças, estamos a falar de outro nível e de outro tipo de coisas. Portanto, isso é uma realidade absolutamente indesmitível. Novamente, aquilo que voltamos a dizer é dizer O pós-venda com os carros a combustão ainda tem uns largues dezenas de anos até termos, digamos assim, os carros elétricos com peso substancial. Nenhuma dúvida sobre isso. [00:21:40] Speaker A: Estamos quase a terminar, mas tenho ainda duas questões que lhe quero deixar. A primeira é a seguinte. Qual é a ideia que a ANECRA tem da opinião que o público tem acerca do setor. Por vezes, como referia àquela ideia até dos termos usados para definir os profissionais, a ideia que a ANECRA tem é a opinião do público em geral em relação ao setor. É positiva, é negativa, é intermédia. [00:22:06] Speaker B: eu acho que gradualmente tem vindo a ser cada vez melhor, vamos lá ver. E depois, quando falamos do setor, falamos do setor automóvel, nem sempre era olhada exatamente nas suas diferentes vertentes de uma forma exatamente igual, ou seja, nós, por exemplo, à Negra temos 4 mil associados, grosso modo, 3.800 e tal empresas associadas, das quais uma porcentagem bastante razoável, que no fim tem a ver com a nossa gênese, que é do mercado da reparação independente, mas temos uma presença também muito grande, 1300 empresas, coisas assim, na área do retalho. E do retalho, com cenários novos e também na área dos usados, que é uma área importantíssima. É uma área muitas vezes esquecida, mas é uma área que tem um peso muito grande no mercado automóvel. Basta dizer que no ano passado foram vendidos 240 mil carros, grosso modo, mas foram importados 120 e tal mil carros. Portanto, as matrículas que entraram no ano passado em Portugal, metade, uma parte, os 200 e tal mil eram de carros novos, quase metade disso eram de carros importados, usados, e portanto tem um peso bastante grande e inclusive por cada carro novo vendido 3,5 ou coisa assim é usado, e portanto tem um peso bastante grande. focando aí, não querendo me alongar muito, mas já agora focando aí, os usados durante muitos anos tinham uma imagem bastante má. Fruto de vários fatores, nomeadamente com o aparecimento da internet, permitiu que pequenos operadores de repente passassem a ter uma montra para o país todo, se transformassem em grandes operadores e tudo mais, Os mercados usados têm uma imagem de joelho muito boa, de uma forma geral. Hoje temos excelentes operadores, tão bons como qualquer operador de retalho que existe em Portugal. Operadores que foram crescendo e que hoje são um exemplo de qualidade, de seriedade, E, portanto, é um mercado altamente profissional, foi o mercado que provavelmente mais soube utilizar as ferramentas do digital, da internet, e, portanto, são empresas excelentes e hoje é um mercado completamente diferente. e depois vendem um bocadinho a mesma coisa, aquela história que existia antigamente de que se é oficínico, o mecânico ouvia pelo barulho do motor o que é que era, isso já não existe, como é óbvio, estamos a falar de diagnósticos, estamos a falar de coisas muito mais assentes em cima do conhecimento efetivo, de formação, de tecnologia, essa realidade também não existe. Eu diria que nos últimos anos e nos últimos largos anos o setor passou a ter uma imagem completamente diferente junto dos operadores e dos quais, logicamente, nós, por exemplo, a NECRA, a nossa dimensão, o tentamos fazer todos os dias para que o consumidor, de uma forma geral, sinta cada vez mais confiança naquilo que são a prestação do serviço dos operadores do setor. [00:25:15] Speaker A: No fundo a evolução do setor tem-se traduzido também numa melhoria geral da imagem [00:25:20] Speaker B: do... Da imagem do setor, exatamente. [00:25:22] Speaker A: Agora mesmo para terminar e para talvez ajudar a fazer face a este, ao principal desafio do setor que referiu, que é a mão de obra. Um desafio que parece ser transversal ao país. Que conselho é que daria a algum jovem, a alguém que estivesse a pensar a entrar no setor? Que conselho é que lhe deixaria? [00:25:39] Speaker B: Logicamente, investigar, analisar, procurar se informar sobre o caminho a seguir, nem todas as áreas, digamos assim, são exatamente iguais, as competências são muito diferentes, as competências de alguém que vai trabalhar para pintar um carro, para a área de colisão, é muito diferente da competência de alguém que quer ir para a mecatrônica, uma coisa qualquer, portanto, são conceitos diferentes. Agora, perceber que é um mercado que tem futuro, continua a ter futuro, tem uma dimensão bastante grande e que, em termos médios, aquilo que é o nível de remuneração hoje, comparativamente com áreas, é bastante acima daquilo que se paga, precisamente o fruto dessa escassez, e que hoje tem já nível de empregadoras completamente diferentes, empresas altamente organizadas e, portanto, é um setor claramente com futuro. Não tenho dúvidas nenhumas sobre isso. [00:26:37] Speaker A: Roberto, muito obrigado por ter estado aqui, por nos ajudar a navegar um pouco este mundo da reparação, do pós-venda e de toda aquela máquina necessária para manter as máquinas na estrada, porque muitas vezes não basta vendê-las, é preciso também mantê-las na estrada. Este motor da economia para. Muito obrigado, Roberto. A CIG esteve desse lado, muito obrigado! Pode acompanhar este e outros podcasts nas plataformas habituais, no website do Automóvel Clube Portugal e em plataformas como o YouTube, Spotify e Apple Podcast. Obrigado da minha parte, uma vez mais e até à próxima!

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