Made in Portugal: Lítio português preponderante para mobilidade elétrica

Episode 132 May 28, 2026 00:28:16
Made in Portugal: Lítio português preponderante para mobilidade elétrica
ACP - Automóvel Club de Portugal
Made in Portugal: Lítio português preponderante para mobilidade elétrica

May 28 2026 | 00:28:16

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Show Notes

A maior reserva de espodumena de lítio identificada na Europa localiza-se em Portugal e a Savannah Resources é a empresa a iniciar a mineração do minério em solo nacional. Emanuel Proença explica o potencial industrial que o lítio traz para Portugal e as condições para criar uma cadeia de valor capaz de acelerar a mobilidade elétrica.

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Episode Transcript

[00:00:05] Speaker A: Seja bem-vindo a mais um podcast do Automóvel Clube Portugal. Esta é a série Made in Portugal, onde falamos de inovação e tecnologia criada e desenvolvida em Portugal para o setor automóvel e da mobilidade. Eu sou o José Varal Rodrigues e o convidado deste episódio é Emmanuel Proença, Presidente Executivo da Savannah Resources. Bem-vindo ao ACP, Emmanuel. [00:00:27] Speaker B: Obrigado pelo convite. [00:00:28] Speaker A: Hoje vamos falar de lítio e para falar de lítio em Portugal, o lítio português, temos que, naturalmente, falar com a empresa. A Savannah Resources está a desenvolver o projeto de lítio do Barroso, no Conselho de Boticas Distrito de Vila Real. É naquela zona que acredita-se estar a maior reserva de lítio convencional da Europa e no último ano, em 2025, a Comissão Europeia considerou o trabalho que a Savannah Resources está a desenvolver um projeto estratégico para a União Europeia. Começamos por aí, Emmanuel. Qual é a importância do lítio português e deste projeto que a Savannah está a desenvolver? [00:01:13] Speaker B: Antes de mais, repito o agradecimento por estar aqui. É um honra e um prazer estar num podcast do ACP, uma casa com tanta história, com tantas décadas, com mais de um século de história e de presença neste ecossistema de mobilidade português que é tão importante. O Projeto de Lítio do Barroso já passou várias fases de desenvolvimento e, portanto, hoje já não se acredita, já se tem a certeza que está debaixo de terra na nossa área de concessão, na área de concessão que o Estado português nos incumbiu a responsabilidade de desenvolver um recurso de espó de mena de lítio, ou umas especialidades de lítio, que é Já era o maior da Europa antes de ter sido duplicado em dimensão em setembro do ano passado com a atualização de recursos. É um recurso de bastante boa dimensão à escala mundial e que vem poder servir mercado numa altura em que o mercado que este mineral serve está em profunda transformação e esse é o mercado. da mobilidade, que é o que tratamos hoje, é também o mercado das baterias estacionárias, as baterias pequenas, na média ou grande dimensão, vão cada vez mais modular o sistema elétrico dos vários países, e depois robótica, drones e várias outras aplicações. Longe vão os tempos em que o lítio servia só para as baterias dos telemóveis, as baterias dos computadores, as pilhas dos relógios e por aí em diante. Longe vão, mas foi há 10 anos atrás. E há 10 anos atrás era essa a principal utilização de lítio. A segunda era medicamentos. Medicamentos para depressões e para a modulação do humor são também feitos a partir de lítio. E desde aí, com o evento do veículo elétrico primeiro e com o desenvolvimento das várias fileiras que lhe estão associadas depois, o litio tornou-se absolutamente crítico, tem multiplicado a sua procura a nível mundial a velocidades muito, muito rápidas e, para terem ideia, os que nos ouvem, antecipa-se que de 2020 a 2050, quantidade de lítio anual necessária seja multiplicada por quase 40 vezes, o que demonstra o quanto este mercado está a crescer. [00:03:24] Speaker A: E o que é que isso significa concretamente para Portugal? Naturalmente uma oportunidade, mas como é que isso se vai traduzir? O que é que vai aqui acontecer? [00:03:31] Speaker B: É uma oportunidade associada à transição energética e associada à construção de fileiras industriais de desenvolvimento e construção de valor do futuro. Aquelas que criam as várias etapas de cadeia de valor para a produção de baterias e para depois produzir carros elétricos e tantas outras coisas de que estava aqui a começar a falar. Não houve, no último século, muitos setores de atividade em que Portugal tivesse uma vantagem competitiva à partida. Neste setor temos. [00:04:00] Speaker A: E qual é? [00:04:01] Speaker B: Neste setor temos porque temos um recurso de lítio de grande dimensão que pode ser extraído e trabalhado e processado a custos muito eficientes e a valor potencial muito significativo. Isso traz vantagens potenciais muito grandes para Portugal, porque Portugal aparece no mapa de uma fileira tão importante para o futuro. porque Portugal constrói valor por este projeto, porque se geram muitos empregos, e são empregos bem pagos, são empregos de bom valor numa região que nos últimos 30, 40 anos teve muito poucas oportunidades, e porque daqui podem surgir várias outras oportunidades, porque quando há um recurso há mais atratividade para trazer mais indústria, mais fábricas, ajuzando ao longo dos anos subsequentes de entrada em produção no recurso destes. Dou duas ilustrações. Portugal tem outros locais onde há recursos mineiros interessantes, no Cobre temos Algecestrel e Castro Verde como municípios que têm minas de boa dimensão no Cobre. Castro Verde é hoje um dos municípios com o salário mais elevado, o salário médio mais elevado do país. tem competido pelo município de salário médio mais elevado do país nos últimos 4, 5, 6 anos. Portanto, um recurso mineiro de grande valor acrescentado num município de uma dimensão que requer e absorve bem novas oportunidades, consegue ter um nível de prosperidade, um nível de desenvolvimento de valor e desenvolvimento social muito considerável. [00:05:31] Speaker A: O impacto não será, no caso do lítio e daquilo que a savana está a fazer em covas de barroso, o impacto não será só na indústria, na mobilidade, mas também na economia e também na vida social. Daquilo que o Emanuel está a dizer, eu posso te preender que a savana vai estar na base da cadeia de valor que há pouco mencionou. Quando é que a exploração vai estar 100% operacional? Os estudos mais importantes já foram feitos, mas ainda estão em alguns processos. [00:06:02] Speaker B: Exatamente. O estudo mais crítico, que é o que suporta a estruturação de um financiamento bancário que vem na sequência, é o DFS, Nomenclatura Inglesa, Definitive Feasibility Study, e vem agora no verão. O estudo de recursos terminámos-lo em setembro passado, e portanto foi outro passo muito importante, e depois entramos nas engenharias finais, nas confirmações e validações e aprovações finais, e entramos em construção. E portanto, ao longo dos próximos dois anos vamos estar a fazer esses passos e a construir o projeto industrial, porque isto não é um projeto só de uma mina, é um projeto de uma fábrica acoplada à mina, e todos os elementos de apoio a essa estrutura industrial. Em 2028, ao longo de 2028, mais cedo possível, mas eventualmente mais para a segunda metade do ano, estaremos em produção. E a partir daí geram-se royalties, geram-se empregos e gera-se mais atratividade para os vários outros elementos de cadeia de valores que podem vir. [00:06:52] Speaker A: O intuito da nossa conversa é traduzir aqui um bocadinho a importância do lítio para a mobilidade, mas desafiar aqui a desmistificar, talvez, aquilo que aparentemente é um contrassenso da própria atividade, que é, estamos a falar de uma mina, uma exploração a céu aberto para uma transição sustentável, mas quando falamos aqui Numa exploração mineira, a parte ambiental é um bocadinho difícil de gerir, calculo. [00:07:18] Speaker B: É sempre um tema, e é um tema de preocupação primeiro, portanto é normal que projetos industriais de grande dimensão e projetos mineiros levantem receios e preocupações. E muitas vezes é mais o ponto de receio e de preocupação do que a realidade prática que é relevante se tratar, porque é preciso que As pessoas compreendam o que estamos a fazer e que compreendam que o estamos a fazer para bem, mitigando efeitos, porque uma construção qualquer que seja tem efeitos. Eu faço um prédio, faço uma casa, o que quer que seja, e tenho efeitos, e portanto aqui é um projeto de grande dimensão e tem mais efeitos associados. Mas é muito fácil criar medo à volta deste tema porque se criam ideias associadas aos efeitos que são desproporcionadas face ao que é a realidade. Fala-se, por exemplo, de águas ácidas. O lítio não tem águas ácidas, é um produto inerte. Fala-se do efeito de um aminoáceo aberto, mas aminoáceo aberto é precisamente o que permite segurança e permite reenchimento para que depois se volte a florestar cada vez que se passa para cortas seguintes, para cortas subsequentes e por aí adiante. Muitas outras coisas que, de certa forma, ajudam a compreender que há efeitos. mas que esses efeitos são mitigáveis e que há depois muitos outros efeitos, que são os bons, que são amplificáveis e, portanto, se bem trabalhados, são de muito benefício para o país, para a Europa e para o mundo. E aí liga com a transição energética, portanto, que era a provocação positiva que vinha. Eu trabalho em transição energética e em imobilidade há quase 20 anos. Já trabalhei com combustíveis, com biocombustíveis avançados, combustíveis que puder HVO, hidrogênio verde, biometano, mobilidade elétrica, já tive com responsabilidade por desenvolver uma rede de carregadores e venho para este projeto de coração aberto, com uma vontade enorme de, por este projeto e por outros que se desenvolvem nesta fileira, ajudar que a próxima geração não consiga sequer reconhecer o que esta geração e a geração anterior fizeram do ponto de vista de impactos ambientais do CO2, impactos da exploração de petróleo, da prospeção pelo mundo fora e por aí adiante, e tem encontrado um modelo muitíssimo mais sustentável de trabalho. E esse modelo muito mais sustentável parte minerais. Como este modelo de mobilidade que tivemos até agora parte de petróleo, e da sua exploração e da sua extração da terra, e da sua queima subsequente, aqui parte de minerais e de uso desses minerais ao longo das décadas. E é aí que o efeito multiplicador é muito giro. Porque eu, com um projeto mineiro, com um projeto como o nosso, consigo produzir na primeira fase, lítio suficiente para eletrificar todos os veículos de Portugal, desses três. Todos. Agora imaginem a quantidade de poços de petróleo que isso fecha. [00:10:11] Speaker A: É um número avassalador, aliás, fazer esse cálculo. E eu queria lançar esta questão até mesmo para que compreendermos um pouco o papel de Portugal nesse trabalho, nessa multiplicação por três, que é colocar Portugal no cenário europeu. Quando falamos de lítio e de baterias de lítio, Falamos também de uma dependência que ainda existe, ainda é atual, da Europa por países não europeus, como a China, que é um dos grandes produtores mundiais. Portugal, que papel é que poderá ter para dar independência à Europa? [00:10:48] Speaker B: Sim, e é tão importante se tratar o tema independência quando a geopolítica voltou a estar na ordem do dia. Exatamente. E quando as tensões e as pressões do mundo estão bastante exacerbadas. Primeiro, começar por partir de um ponto relevante. Nem eu, nem a Savannah, tem dogmas nenhumes em relação à China, aos Estados Unidos ou a qualquer outro bloco económico. Sabemos que a prosperidade no mundo foi desenvolvida com base em cooperação e é com base em cooperação que conseguiremos fazer cada vez mais e melhor. Mas para estarmos em cooperação temos de estar numa mesa equilibrada. Se eu tiver uma dependência do José eu não vou conseguir criar uma mesa equilibrada entre nós e com isso a prosperidade vai ficar muito do lado do José e muito pouco do meu lado. Portugal tem tido, em várias áreas de atividade, e a Europa também, dependências que tornam difícil construir prosperidade de longo prazo. Tem no petróleo, tem noutros minerais, noutras matérias-primas, tem em várias cadeias industriais e, portanto, num momento em que nós estamos, entrámos em momentos Kodak para várias indústrias, a da mobilidade e do motor de combustão interna, em parte, é uma delas, é nos momentos Kodak que se criam as bases para a prosperidade futura. E para que essa prosperidade futura seja construída é preciso criar pontos de partida, é preciso fazer com que a cadeia de valor tenha toda uma alternativa de trabalho que seja relativamente independente e bem tratada. [00:12:16] Speaker A: E Portugal dá boas condições para esse ponto de partida? Dá. [00:12:18] Speaker B: É aí que a coisa se torna interessante. Nós somos, nós criticamos-nos tanto, mas esquecemos de dizer que somos boa plataforma para acesso a mercados europeus, mercados americanos, mercados mundiais. Temos um historial de cooperação, de entendimento, de compreensão dos outros povos invejável. Recebemos bem americanos, chineses, japoneses e por aí adiante. Todos têm exemplos de grandes projetos de todas estas geografias em Portugal. Temos necessidade e vontade de fazer mais e melhor. E temos uma diáspora enorme que gostávamos que voltasse e que não continuasse a crescer. [00:12:55] Speaker A: E, Noal, conhecimento, talento português? [00:12:58] Speaker B: Muito interessante ver que é enorme precisamente porque essa diáspora é tão pronunciada em muitas áreas de atividade e a atividade mineira é uma delas. Temos imensos portugueses a trabalhar em minas no Canadá, a trabalhar em minas no Brasil, na África, na Austrália. e em vários outros lugares. E nós, à medida que estamos a avançar no projeto e que abrimos novas vagas de emprego, temos visto uma vontade enorme dessas pessoas, de uma parte considerável dessas pessoas, de voltarem. De voltarem para perto dos seus, de voltarem para Portugal e de contribuírem com aquilo que melhor sabem fazer. para um projeto que sabem que pode ajudar a reconstruir e acelerar uma fileira. E portanto é bom ver e é entusiasmante ver. Estive a falar com um português que está na Austrália e que tem vontade de voltar. Estive a falar com outro português a semana passada que está no Canadá e que tem uma vontade enorme de abraçar um projeto como este. E portanto há muito potencial, há muito know-how, evidentemente é com a prática que se aprende mais, portanto eu posso trazer know-how de uma mina de cobre, de zinco, de alumínio e coisas do gênero e adaptá-lo a lítio, ou posso trazer know-how de lítio na Austrália, de portugueses que lá estão há muitos, muitos anos e que vêm para cá e vêm aprender a fazer bem feito de acordo com as regras portuguesas. Portanto, a adaptação faz parte da oportunidade. Mas há imenso talento e imensa capacidade e engenho dos portugueses que pode servir este projeto, como pode servir todos os outros projetos da fileira que este pode alimentar. [00:14:28] Speaker A: Até termos a mina de Covas de Barroso operacional e até termos também depois uma cadeia de valor em Portugal materializada, estabelecida, será natural que a mina surge primeiro, até termos a cadeia de valor completa em Portugal, todo o lítio extraído terá de ser processado em algum lado, terá de ser refinado em algum lado. Eu calculo que aí tenha de ser, nesse momento, ainda fora de Portugal e talvez ainda fora da Europa. [00:14:57] Speaker B: eventualmente, parcialmente, durante um tempo curto, que nós queremos o mais curto possível. Portanto, ponto de partida, nós, Portugal, nós, Savannah, nós, região, beneficiamos mais se o lítio for processado e trabalhado em Portugal. Portanto, nós temos um alinhamento de interesses total. Segunda coisa, nós na primeira parceria que fizemos, na primeira parceria estratégica que fizemos, escolhemos o player que na Europa está mais avançado a trabalhar esta fileira. Portanto fizemos um acordo de venda a uma empresa chamada MG Critical Materials, base alemã cotada na Holanda, que tem a primeira refinaria de lítio da Europa de grande dimensão que é na Alemanha. Fizemos o acordo em julho de 2023, abriram em setembro de 2023 e as refinarias demoram tempo a acelerar a produção até a sua capacidade máxima e, portanto, estão agora a chegar a aproximar-se de capacidade máxima. Com a EMG definimos que trabalharíamos em conjunto para, o mais cedo possível, trazer uma refinaria para Portugal. e eles chegaram à fase de conforto suficiente para falar desse tema, agora há uns meses atrás, começaram a falar na Bloomberg e em outros canais noticiosos do seu projeto de fazer uma refinaria de lítio em Portugal. Temos também uma relação muito positiva com a Liftium, empresa do grupo Jedmell, que tem o projeto de fazer uma refinaria em Estarreja. E nos vários acordos comerciais que poderemos desenvolver ao longo dos próximos meses, o tema de quando, como e com que força é que podes fazer um projeto industrial das usantes em Portugal, vem sempre à mesa. E, portanto, quanto mais nós avançarmos e avançarmos bem, mais rápido haverá incentivo para que esses projetos venham para Portugal e condições de segurança para que venham, porque evidentemente é mais fácil construir uma refinaria quando há matéria-prima do que quando há promessa de matéria-prima daqui a dois anos. [00:16:53] Speaker A: Refinaria em Portugal da AMG, já existe algum calendário, alguma possibilidade que possa ser abordada? [00:17:00] Speaker B: Já, mas ainda confidencial. Mas digo outra coisa, porque não quero só focar a oportunidade na AMG, na Liftium ou noutras. Em janeiro fizemos um acordo com o Estado português, como se fazem nos projetos de investimento de grande dimensão, pelo qual há um incentivo a investimento inicial. No mesmo dia em que fizemos esse acordo com o Estado português, na verdade outras três empresas fizeram o mesmo acordo, evidentemente com elementos adaptados ao seu projeto, mas a base, o ponto de partida era o mesmo. O nosso projeto, o projeto da Liftium, da refinaria, o projeto da Topsoy, a empresa dinamarquesa de cátodos, o projeto da Calbe, chinesa, de baterias para cintas. Estes quatro projetos, são quatro projetos que cada um deles constituem âncoras, podem constituir âncoras para acelerar esta fila. Mas para além destes quatro, há depois o da AMG, há o da DST, de reciclagem de baterias no Norte, há o da Luxo Energy, da Meterboost e de tantos outros que fazem baterias, acoplamentos, elementos para baterias e por aí diante pelo país fora. [00:18:04] Speaker A: No fundo existe um cluster. [00:18:05] Speaker B: O cluster fileira, tal como identificado pelo Battery Cluster Associação do Setor, já tem mais de 60 empresas. Já são mais de 60 empresas e ainda estamos a começar. [00:18:16] Speaker A: Isso dá uma solidez logo à partida diferente do habitual. [00:18:20] Speaker B: Exatamente. E mais do que isso, só olhando para aqueles quatro primeiros projetos de que falava, se os metermos em conjunto, isto foi dito na sessão de assinaturas e foi reiterado pelo Sr. Primeiro-Ministro, Só nestes quatro projetos nós temos investimento industrial de tal dimensão que é o maior investimento industrial em Portugal desde a auto-Europa. [00:18:39] Speaker A: É possível quantificar? [00:18:40] Speaker B: Quanto é que podemos estar a falar? Não quero dizer o número certinho porque me vou enganar que já não me lembro da soma dos vários, mas estamos a falar de mais de 2.500 milhões de euros de investimentos. aparelho industrial. Portanto, aparelho que requer muitos empregos de valor acrescentado a trabalhar e que tem uma série de elementos de apoio à reindustrialização do país. [00:19:05] Speaker A: Calculo que exista diálogo da Savannah com todos esses players, com todas essas empresas, para que a cadeia de valor do lítio, digamos assim, completa, exista em Portugal no mais breve espaço de tempo. E a questão se calhar, e pergunto assim, a questão já não é quando, ou melhor, já não é se, mas quando. [00:19:28] Speaker B: Sim. E para esse quanto temos todos de trabalhar muito. [00:19:31] Speaker A: Estamos em 2026, podemos dizer que até 2030 teremos essa cadeia de valor? [00:19:34] Speaker B: Em 2030 teremos certamente mais projetos na rua e o projeto da Savannah estará certamente na rua, como dizias, em 2028. Portanto, eu não posso falar pelos restantes, mas tenho fortes indicações de que vários deles estão a progredir bem. Parece-me que o da Calder é capaz de ser aquele que estava mais preparado para entrar em construção rapidamente. [00:19:52] Speaker A: Sendo que o Dacal já vai estar no final da cadeia de valor, já vai estar no momento em que se produzem as baterias do Núcleo. [00:19:58] Speaker B: Sim, mas da mesma forma que a Auto Europa criou ali uma âncora e se criaram dezenas, se não centenas, de empresas por Portugal fora que servem aquela fileira, Aqui acontece o mesmo, seja com a Mina no ponto de partida ou com a fábrica de baterias no meio, ou depois com a Auto Europa a migrar para elétrico, que já disse que ia fazer, ou com a Stellantis de Mangualde a migrar para elétrico, coisa que já começou a fazer, ou com a Iveco do Tramagal, ou com a Caetano Bus ou outros. Isso vai já começar a acontecer e está já a começar a acontecer, agora demora. Em processos industriais demora muito tempo até se montar as fábricas, mas depois quando elas estão montadas dão empregos durante muitas décadas. [00:20:38] Speaker A: Isso vai colar aqui um bocadinho com a minha questão, que é passar aqui um bocadinho a nossa conversa para a indústria automóvel e também para a mobilidade. Se nesta fase já existe um diálogo ativo entre, por exemplo, a Savana, naturalmente não para entregar diretamente porque estamos a falar de matéria-prima, mas nessa lógica de cadeia de valor, se já existe um diálogo também com marcas, fabricantes, tudo o que esteja relacionado com o fabrico do automóvel ou de outro veículo para garantir produção? [00:21:10] Speaker B: Sim, é uma boa pergunta. Não seria muito normal que houvesse porque há muitas etapas de cadeia de valor até lá chegar e são muitas fábricas grandes com os seus processos e afins. Mas a verdade é que, apesar de não ser muito normal, sim, dentro dos vários parceiros potenciais que temos para o projeto do Litio do Barroso, Estou a lembrar-me, pelo menos, de um player que, se eu dissesse aqui o nome, muito ficariam enciasmados e, portanto, sim, há empresas produtoras de automóveis, sobretudo de automóveis elétricos, geralmente, ou com forte porcentagem de automóveis elétricos ou com projeto de migração para o automóvel elétrico, que estão muito conscientes de que, para ganhar essa corrida às oportunidades que o automóvel elétrico gera, têm de ter o máximo de acesso possível ao ponto de partida da matéria-prima. Portanto, uma delas está em contacto com a Universidade. [00:22:00] Speaker A: Estamos a falar de matéria-prima, de lítio, que tem que ser processado, tem que ser refinado, tem que ser transformado até chegar, por exemplo, a uma bateria de lítio. Mas há muitos outros produtos e há também muitas outras soluções que podem envolver o lítio. Que potencial para Portugal, para a indústria portuguesa, é que poderá o lítio aqui representar na componente de inovação? [00:22:22] Speaker B: Sim, é interessante porque nós nos habituámos a ver a inovação como coisas que são muito catchy, muito visíveis, muito práticas. Nós ainda estamos na fase de preparar o projeto e já estamos envolvidos em três projetos de inovação produtiva a nível europeu, em três consórcios europeus, cada um a forçar sobre uma subcomponente relevante do processo industrial que nós desenvolvemos. uma para fazer uma recuperação mais forte do mineral no seu ponto de recuperação na fábrica, outra para o reprocessamento de tailings, de estruturas que têm algum resquício de lítio que pode ser recuperado e aproveitado. Portanto, vários projetos. Também estamos a trabalhar com, e acho que posso dizê-lo sem... sem estar a ferir nenhum elemento de confidencialidade, mas estamos a trabalhar com o Técnico em algumas áreas, com a FEUP noutras áreas, com o CENTI noutras áreas, com o CTCV de Coimbra noutras áreas, mas temos diferentes em trabalho com a Universidade de Aveiro, com a Universidade de Trás-os-Montes. Projetos industriais grandes fazem mexer o ecossistema que está à sua volta e isso permite inovação, permite desenvolvimento. Uma das dificuldades, diria que muitos dos que nos ouvem já ouviram falar do BRP, do Business Roundtable Portugal. É mais uma das iniciativas que permite dar a compreender aos portugueses que desenvolvimento feito com projetos grandes é uma oportunidade enorme para todos, começando pelos pequenos. E eu acredito fortemente nisso e vejo isso na prática todos os dias. Estava a falar do ecossistema universitário e de inovação. Parte do que nós fazemos e podemos fazer que ajuda a que melhoremos, a que inovivemos, começa no dia-a-dia na região de Puticas, onde há tantos serviços e tantas PMEs que já trabalham connosco e que podem vir a trabalhar cada vez mais e, portanto, faz-se subir o nível de exigência, faz-se subir o nível de oportunidade para todos. [00:24:26] Speaker A: No caso do lítio, no consumidor final, que impacto é que poderemos vir a assistir? E isto para perguntar muito diretamente, será que tendo uma extração de lítio em Portugal, a sua refinação e depois mais tarde a produção também de baterias e de outros materiais que possam vir a surgir, para o consumidor final, para o comprador de um automóvel, de uma moto, de um outro tipo de veículo, o preço desse produto poderá baixar. [00:24:58] Speaker B: Diria que é difícil ligar todas as etapas da cadeia de valor para conseguir ver isso no consumidor português de forma clara, dizer este lítio gorroso fez este percurso todo, chegou àquele carro e gerou um desconto de mil euros naquele carro. tenho totalmente claro que um carro que não tenha lítio de barroso ou que não tenha moldes de Marinha Grande portugueses, que não tenha Critical Tech Works e as suas seleções, como aqui vieram a apresentar há uns dias, há uns dias, embebidos na cadeia de valor, esse carro é um carro 100% importado, é um carro em que nós pegamos a dinheiro português e exportamos esse dinheiro. Carros que tenham incorporação de valor acrescentado português, seja destes projetos ou de outros, são carros que geram valor para Portugal. E eu ainda me lembro da Auto Europa vender os seus Volkswagen Charan, não era? [00:25:46] Speaker A: Tinha. [00:25:47] Speaker B: Eram os Ford Galaxy e a Volkswagen Charan, eram os dois primeiros, também me lembro. E isso era um carro que nós portugueses víamos de forma diferente. Era um carro que sentíamos com mais orgulho e foi um carro que andou pelas estradas portuguesas em quantidade desproporcionada face a outros países, portanto tinha mais cota de mercado em Portugal do que tinham outros. Certamente veremos algumas dessas coisas a acontecer e quando estivermos a ver isso estaremos a ver empregos portugueses, de portugueses que não precisaram de sair de Portugal para ter vida melhor, impostos portugueses, royalties portugueses e oportunidades portuguesas materializadas naquele carro. [00:26:25] Speaker A: Por tradição, nesta série Made in Portugal, temos esta última questão que lançamos a todos os convidados. Como é que pode ou vai, neste caso, a Savannah Resources, contribuir para que Portugal continue a ser um país inovador, sobretudo nesta área do setor automóvel e da mobilidade? [00:26:44] Speaker B: Construção de toda esta fileira vai ser uma oportunidade enorme para Portugal e é uma oportunidade que não devemos desperdiçar. E construí-la é gerar dezenas de milhares de empregos, se não mais, perennes, sustentáveis para as próximas décadas, para as próximas gerações e são imensas pessoas, imensos portugueses que não têm onde sair. Nós já temos na nossa equipa, e a nossa equipa ainda é pequena, algumas pessoas que voltaram da diáspora para a França, para a Suíça, para os Estados Unidos, pessoas que as suas famílias achavam que não voltariam. E quando voltam para aldeias do interior do país, para voltar junto dos seus, para voltar a unir famílias, o que se está ali a fazer é construir Portugal, é construir um Portugal melhor. E portanto, pelo projeto diretamente, pelas etapas de cadeia de valor que podem vir subsequentes e pelo desenvolvimento que projetos destes podem trazer para Portugal, tenho certeza que são oportunidades fantásticas para o país, que o país deve agarrar, trabalhando bem, evidentemente, com as cautelas devidas nos momentos adorados, mas também com a paixão de quem quer um país melhor. E é isso que nós estamos aqui para contribuir. [00:27:47] Speaker A: Obrigado, Emmanuel. Terminamos com essa mensagem positiva para o futuro. Quanto a si que esteve desse lado a assistir a esta conversa, muito obrigado. Já sabe, pode encontrar precisamente esta conversa e outras no site do Automóvel Clube Portugal, também no YouTube, nas plataformas Spotify e Apple Podcasts. Muito obrigado e até uma próxima.

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