Episode Transcript
[00:00:05] Speaker A: Bem-vindos a mais um podcast da ACP. A preocupação do ACP com a segurança rodoviária dos mais novos não é de agora. Já nos anos 50 e 60, o ACP promovia ações e também criava materiais dirigidos às crianças para ensinarem e aprenderem sobre segurança rodoviária. Hoje tenho comigo Mafalda Moraes, responsável pelo ACP Kids. Bem-vinda, Mafalda.
Como é que podemos ver esta evolução do ACP nos anos 50 e 60, que já se preocupava com a segurança das crianças, e hoje em dia o ACP Kids, que também é aqui uma ferramenta que promove estes ensinamentos e este conhecimento para os mais novos?
[00:00:44] Speaker B: É um prazer estar aqui a falar de um tema tão importante como a segurança rodoviária infantil, com a qual o ACP se preocupa tanto desde há muitos anos, é verdade.
Hoje em dia temos tentado adaptar à realidade através de experiências que conhecemos de Portugal, mas também de outros países e de clubes congénitos que já têm outras práticas e nomeadamente no caso o ACP Kids foi um programa que nós importámos da Áustria.
Eles fazem lá com carácter obrigatório em todas as escolas e nós adaptámos a nossa realidade para Portugal.
[00:01:15] Speaker A: Se tivesse que explicar a uma criança o que é o ACP Kids, ou seja, se tivesse que aqui promover a iniciativa a uma criança e não aos pais, o que é que diria? Como é que o descreveria?
[00:01:25] Speaker B: Eu ia pedir ajuda aqui ao Rodinhas, que é a nossa mascote, que costuma estar connosco nas nossas ações, porque ele fala a linguagem das crianças e eu acho que as crianças aprendem muito mais facilmente quando vivem as coisas, quando têm experiências, quando falamos no mundo deles e com a linguagem deles.
[00:01:44] Speaker A: Sabemos que o ACP Kids preserva aqui muito a questão das brincadeiras, dos jogos, exatamente para passar essa mensagem da forma mais correta possível. Como é que se ensina um tema tão sério a crianças tão pequenas, não é?
[00:01:57] Speaker B: Exatamente, brincando.
brincando com coisas sérias e fazendo-os experienciar. Eles experimentam cada uma das coisas, experimentam o que é andar. Eles veem o Rodinhas andar sem cinto de segurança e uma goça numa travagem, veem como é que se faz para atravessar uma passadeira, veem para que é que serve o colete de segurança, veem para que é que servem os semáforos. São pequenos detalhes que eles experimentam e o facto de viverem essas experiências faz com que eles apreendam os conceitos e depois os levem para casa.
[00:02:28] Speaker A: E já aconteceu, por exemplo, das crianças acabarem por ensinar os próprios pais, ou seja, levarem essa mensagem para casa, sabe, de alguma história?
[00:02:34] Speaker B: A ideia é exatamente essa. E, normalmente, nas ações, as crianças contam-nos coisas, dizer, o meu pai faz isto assim, ou a minha mãe faz isto assado. Contam-nos imensas histórias hilariantes de excessos de velocidade, de pais ao telefone, de várias situações em que eles nos contam o que os pais fazem de errado, e depois que vão chegar a casa e vão explicar aos pais como é que se faz.
[00:02:54] Speaker A: Porque há aqui uma questão muito engraçada que é que as crianças têm sempre muito esta ideia de levar a mensagem e de quase corrigir os pais do género. Estás a fazer errado. Olha que não é assim.
Então acha que agora vem aqui no Rodinhas quase uma figura de respeito?
[00:03:09] Speaker B: Aquilo que eles experimentaram e que eles viram para que é que serve, eles vão claramente contar em casa aos pais. Nós também já tivemos até uma situação que foi mais ou menos caricata, foi no fim de uma ação com as crianças, as contínuas da escola vieram nos pedir para também lhes fazermos a ação, para elas próprias apreenderem e poderem cumprir com as regras de Sra. Salvador.
[00:03:29] Speaker A: Isso tem imensa graça. Estamos no início de outubro, mas as aulas começaram há relativamente pouco tempo. Como é que estas ações são distribuídas?
[00:03:37] Speaker B: Este programa tem o apoio de várias entidades públicas que promovem, nomeadamente do Ministério da Educação e da rede de bibliotecas escolares, e este programa está inserido dentro da educação para a cidadania.
E os professores tomam conhecimento, mandam-nos um e-mail a pedir para nós fazemos o programa na escola, nós conseguimos fazer algumas ações, não tantas quanto gostaríamos, e nós, dentro da possibilidade, normalmente para ter uma ação numa escola, precisamos de ter entre 400 a 500 crianças. Elas não estão muito tempo connosco, cada turma está entre 15 a 20 minutos, e, portanto, conseguimos ter muitas turmas durante uma ação num sítio. Se houver muitas, muitas escolas nesse sítio, nós já chegamos a ficar dois e três dias na mesma cidade ou na mesma aldeia a fazer as escolas todas locais.
[00:04:24] Speaker A: O Rodinhas é aqui o embaixador desta missão, mas também a ideia do ACP Kids é que as próprias crianças o sejam, certo?
[00:04:33] Speaker B: Exatamente. A ideia é essa, ensinar às crianças para elas adotarem comportamentos que sejam importantes a nível de segurança e transmitam esses comportamentos em casa.
[00:04:44] Speaker A: Estas mensagens que são passadas são sempre uma mais-valia e também uma congratulação quase a vocês que estão aqui a criar esta missão e a incentivar a que estes comportamentos sejam praticados. Hoje em dia isto é muito importante porque começando nas crianças, elas depois com a idade acabam por também ir adquirindo esses comportamentos.
[00:05:03] Speaker B: Exatamente, a ideia é essa.
A ideia é exatamente essa. E nós temos as ações, que era as que eu estava a falar, nas escolas, mas também temos os materiais que mandamos para as escolas, a pedido dos professores, e que os próprios professores podem ter recurso a esses materiais e ensinar os conceitos na escola.
[00:05:19] Speaker A: conceitos que vocês ensinam. Estava a falar há bocadinho que é muito a questão do rodinhas estar a fazer algo errado e depois verificar-se qual é o problema que acontece, o comportamento certo, exatamente. Que ações é que fazem mais na prática, ou seja, o que é que costumam fazer mais para que as crianças compreendam a mensagem?
[00:05:39] Speaker B: Nós temos um carro que simula o ambiente rodoviário, temos um circuito, e um carro que anda, normalmente é o formador que está no carro, e vai com rodinhas. O rodinha está dentro de uma cadeira, de uma cadeirinha, uma cadeirinha de retenção, e começa por ensinar o que acontece quando não tem o cinto quando não tem a cadeirinha, quando não atravessa no sítio certo e eles ao verem assustam-se, eles próprios dizem atenção põe o cinto e faz isto e faz aquilo. Eles são muito engraçados. Também nos aconteceu numa aldeia que isso às vezes também são coisas engraçadas que nos acontecem. Numa aldeia nós estávamos a falar da passadeira e a atravessar na passadeira e quando não há passadeira, e as crianças não sabiam o que era uma passadeira. Porque naquela aldeia não há passadeiras.
Há apenas o sinal vertical de passadeira, mas não existe passadeira de facto. Portanto, eles não sabiam o que é que era. Foi engraçado essa confrontação da realidade deles, que não é a mesma em todo lado.
[00:06:38] Speaker A: Passando exatamente para esse ponto, sabemos que há uma evolução. Por exemplo, hoje em dia já há vários tipos de mobilidade. A mobilidade suave, que acaba por ser as trotinetes, as bicicletas, que também é do conhecimento de muitas crianças. Também é importante nessa mobilidade aprender qual é a segurança a ter, não é?
Como é que acabam por conseguir englobar todas estas novidades que vão surgindo na mobilidade?
[00:07:02] Speaker B: Nós tentamos adaptar apenas aquilo que as crianças experimentam na vida delas.
Isto é para um programa para o pré-escolar e para o primeiro ciclo e as crianças nessas idades ou são peões ou são passageiros ou são ciclistas.
E, portanto, essas três situações são situações que são abordadas nos conselhos que lhes são ensinados.
[00:07:22] Speaker A: Ou seja, aqui acabam por, na parte das bicicletas, tem por exemplo uma bicicleta onde eles experimentam?
[00:07:28] Speaker B: Não, nós não temos bicicleta, nós temos jogos em que se vê, nós temos um carro, como estava a dizer há bocadinho no circuito, e depois o resto das situações são situações que eles experimentam nos jogos.
[00:07:38] Speaker A: E eles acabam por gostar bastante dos jogos, ou seja, estão ali entretidos e estão a aprender enquanto ao mesmo tempo estão a brincar.
[00:07:44] Speaker B: E querem ganhar, portanto querem fazer bem.
[00:07:47] Speaker A: Isso é muito importante porque lá está sempre esta coisa de criar aqui nas crianças a vontade daquela competição que todas as crianças gostam sempre de vencer.
No fim, qual é a mensagem que as crianças também vos passam destas formações?
[00:08:00] Speaker B: Querem repetir e querem fazer mais e querem voltar para o ano. Aliás, há várias escolas que repetem ano após ano. Essas escolas que são crianças que estavam no primeiro ciclo e que agora passaram já para o segundo e vêm outras para o primeiro ciclo. Normalmente são essas escolas que nos dão mais feedback positivo, claro, sempre. Nunca aconteceu em nenhuma escola dar-nos um feedback negativo.
Dizem-nos que querem, as crianças que entraram, também querem fazer com elas. E essas crianças normalmente ficam muito contentes e dizem que já ensinaram os pais e que já fizeram assim, que já fizeram assado. É muito cheiro.
[00:08:33] Speaker A: E qual é o maior desafio de ensinar estas crianças?
[00:08:37] Speaker B: Não é de ensinar as crianças, porque ensinar as crianças é relativamente fácil, porque eles apreendem os conceitos com muita facilidade. É conseguir que os pais façam aquilo que é suposto e aquilo que as crianças lhes levam como mensagem.
[00:08:51] Speaker A: Falando agora de uma questão um pouco diferente e de outra abordagem, a questão dos apoios e também a questão de como é que esta iniciativa vai sobrevivendo, sendo que na sua génese não tem grande apoio do Estado.
[00:09:03] Speaker B: Não tem apoio nenhum, tem apoio institucional, tem apoio, propriamente dito, apoio é só dado pelo ACP dentro da sua responsabilidade social e está no nosso ADN. A parte da mobilidade e a parte da segurança faz parte daquilo que o ACP quer ser na sociedade e, portanto, chegamos à conclusão que o melhor era começar a ensinar por baixo, portanto, as crianças mais pequenas e é nessas idades que nós nos temos concentrado, mas não temos apoio nenhum.
[00:09:29] Speaker A: E, portanto, sem apoio algum, como é que a missão está a sobreviver, digamos assim?
[00:09:34] Speaker B: Graças ao clube.
É o ACP que suporta esses custos e tudo o que está inerente.
[00:09:41] Speaker A: é valorizar um bocadinho esta questão da segurança e mostrar mais uma vez que para o ACP a questão da segurança e de iniciar este processo pelos mais novos é relevante ao ponto de continuarmos a investir nesta educação.
[00:09:54] Speaker B: Muito relevante. É muito relevante. Seria excelente ter alguns apoios porque isso ajudava com certeza o clube a conseguir multiplicar estas ações.
Nós não conseguimos chegar a todo lado, não conseguimos chegar ao país inteiro, não conseguimos chegar a todas as crianças, que era o que nós gostávamos. É o que se passa em alguns países em que este ensino é obrigatório. Portanto, seria excelente que a educação de segurança rodoviária fosse obrigatória nas escolas.
E seria excelente ter algum apoio para nós conseguimos multiplicar estas ações.
[00:10:24] Speaker A: Esse é um passo que o ACP Kids quer dar?
Procurar esse apoio?
[00:10:27] Speaker B: Claro que sim.
Claro que sim.
[00:10:30] Speaker A: Portanto, há aqui uma mensagem quase de apelo também, é que há sempre aqui de se crescer nesse sentido, de conseguir de alguma maneira arranjar apoios que permitam com que de norte a sul do país se chegue às crianças e elas consigam aprender estes conhecimentos sobre segurança rodoviária.
[00:10:49] Speaker B: É isso mesmo, que isso é do interesse de todos. Eu acho que é do interesse do país, é do interesse dos portugueses todos, que as crianças cresçam com esses conceitos.
[00:10:56] Speaker A: Muito bem, obrigada Mafalda por esta oportunidade. Obrigada também por ter trazido o Rodinhas, estamos aqui ao pé dele. Foi um gosto conhecê-lo.
Espero que tenham gostado do nosso podcast. Se querem saber mais sobre este projeto, basta apenas dirigir isso ao site do acpkits.pt. Já sabem, podem sempre acompanhar-nos nas plataformas habituais.