Made in Portugal: BEN abre caminho a novo conceito de mobilidade

Episode 135 June 11, 2026 00:26:29
Made in Portugal: BEN abre caminho a novo conceito de mobilidade
ACP - Automóvel Club de Portugal
Made in Portugal: BEN abre caminho a novo conceito de mobilidade

Jun 11 2026 | 00:26:29

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Show Notes

CEiiA desenvolveu o primeiro carro elétrico português, que já está em fase de produção e deverá chegar ao mercado em 2027. Mas o objetivo principal é mais ambicioso: desmaterializar a propriedade automóvel e pelo caminho contribuir para a criação de um construtor de média dimensão no país. Será possível?

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Episode Transcript

[00:00:06] Speaker A: Seja muito bem-vindo a mais um podcast do Automóvel Clube Portugal. Esta é a série Made in Portugal, onde falamos de inovação e tecnologia criada e desenvolvida em Portugal para os setores automóvel e da mobilidade. Eu sou o José Varela Rodrigues e a convidada deste episódio é Helena Silva, CTO do Centro de Engenharia e Desenvolvimento CEIA, localizado em Matosinhos. que é também o grande responsável pelo surgimento de um novo automóvel em Portugal, que deverá entrar em produção no decorrer deste ano, e refirmo ao BEN, designação dada ao microcarro criado pelo CEIA. Helena, bem-vinda ao ACP. Muito obrigado pela disponibilidade em estar aqui connosco. Pergunta inicial. Porquê este microcarro, porquê este projeto, quais são os objetivos para o BEM? [00:01:01] Speaker B: Muito obrigada, antes de mais, pelo convite. Nós criámos o BEM para transformar a forma como as pessoas se movem nas cidades. É uma ideia que cruza muito a dimensão sustentabilidade com a dimensão mobilidade E este projeto segue um caminho desde a origem do CEIA. Começou a adquirir materialidade no início, há 25 anos, quando nós começámos a criar a nossa equipa de engenharia. com a Pini Farina, em Itália. Tivemos sempre a ideia de que Portugal, como não tinha um construtor de origem nacional, que era necessário procurar um posicionamento distintivo e acreditámos sempre que um veículo citadino seria uma boa aposta para o nosso país, dada a nossa dimensão e as características da nossa indústria. Começámos por estudar o P3, o metro ao cubo, que era um concept car da Pininfarina, que era pequenininho, com motorizações já zero emissões naquela altura, que se adaptava a diferentes aplicações, estendia ou encolhia. Mais tarde tivemos a oportunidade de desenvolver no CEIA a nova versão do Buddy, um veículo para a Noruega, também uma das motorizações mais velhas do mundo e um dos carros mais pequenininhos do mundo, que na altura era visto como um veículo um bocadinho feinho. Recentemente foi o que nós chamamos estrela de Hollywood, apareceu no filme do Matt Damon que se chamava Downsizing e tinha a ver com sustentabilidade. Portanto, os cientistas tinham inventado uma forma da humanidade viver mais anos, incluindo as pessoas, para trouxe centímetros. E por incrível que pareça, o buddy apareceu nesse filme como o veículo dos mais abastados. Começou a ser visto muito como um icon de sustentabilidade. O Buddy também foi muito importante para nós porque nós pela primeira vez conseguimos explicar no nosso país qual era o nosso papel enquanto centro de engenharia, que era no fundo integrar as competências das universidades e poder criar novas oportunidades para a nossa indústria e poder pensar em novos produtos e serviços feitos a partir de Portugal. Nessa altura também liderámos muito o Programa de Mobilidade Elétrica em Portugal, criámos o primeiro carregador para veículos elétricos que o EFASEC, que se tornou depois mais tarde uma referência a nível global em carregamento rápido e começámos a ter também competências na área da gestão de infraestruturas de carregamento, mas também de plataformas de gestão de mobilidade. Tivemos sempre a questão da sustentabilidade como um fator muito importante de desenvolvimento E em 2015 surgiu a oportunidade de desafiarmos a Uber a criar um novo serviço que se chama Uber Green e pela primeira vez materializámos aquilo que era para nós uma coisa muito importante, que era a sustentabilidade como um ativo. Ou seja, em vez de nós punirmos quem polui, darmos valor a quem deixa de poluir, quem mitiga as emissões. E isto permitiu começar a olhar para a sustentabilidade também como um fator distintivo para os nossos produtos, completamente integrado, quer no design, quer na tecnologia. E mais recentemente criámos a plataforma de sustentabilidade Air, que quantifica e valoriza as emissões evitadas, podendo vir a transformá-las num ativo ambiental. E essa tecnologia está hoje no BEM. E como é que surge o BN5? Surge mesmo de uma forma completamente disruptiva, relativamente aos veículos que existem hoje, a partir de uma plataforma digital. O nosso objetivo foi como é que eu consigo criar um novo conceito de mobilidade que desmaterialize a propriedade, ou seja, que privilegie o uso em vez da posse dos veículos. Claro que existem muitos serviços de sharing que nós já conhecemos hoje, mas como é que eu consigo ser dona de um veículo com um conjunto de pessoas da minha confiança, onde o objetivo é maximizar as horas de uso e poder integrar o meu veículo com outros meios meios de mobilidade leve também, mas com outros serviços de mobilidade da cidade que me permitam dar respostas àquilo que eu preciso e poder também diminuir os meus custos de mobilidade, ao mesmo tempo também quantificar as emissões evitadas na forma quando eu me desloco em comunidade. [00:05:36] Speaker A: O Ben no final do último ano, de 2025, foi noticiado que recebeu homologação europeia, ou seja, é um veículo que já está autorizado a circular nessas estradas, tanto em Portugal como no resto dos países da União Europeia, e notícias subsequentes deram conta que iria entrar em fase de produção do veículo ainda no decorrer de 2026. Como é que está esse processo? Quais são os próximos passos? Quando é que o BEM vai estar disponível para ser adquirido e vai estar também para ser partilhado? [00:06:07] Speaker B: Estamos neste momento em produção artesanal no CEIA. Estamos a produzir os primeiros lotes de 10 unidades num espaço que criámos que se chama BEM Garage, porque todos os grandes projetos em princípio começam numa garagem e o nosso objetivo é termos os primeiros lotes este ano. Ao mesmo tempo que estamos a preparar uma pela de planta para irmos das dezenas para as centenas e podermos também reduzir custos, fazer desenvolvimentos para reduzir custos, simplificar o produto e poder partilhar muita tecnologia com parceiros internacionais, nomeadamente também em Turim, com um parceiro de industrialização, porque o nosso objetivo aqui é que o Benno venha a ser um veículo produzido na Europa, com sites de produção descentralizados, quer em Itália ou em outros países, mas também gostávamos de criar uma unidade de produção em Portugal, mas para isso precisamos também de criar as condições para isso acontecer. Mas o veículo já está numa fase de produção, ainda nesta versão que foi lançada e que está homologada, mas que precisa de evoluir para reduzir custos e para podermos alargar a produção em larga escala. [00:07:21] Speaker A: Nessa fase de produção e depois mais tarde, quando o veículo estiver de facto disponível no mercado, ele será comercializado sobre que marca? Será a Ceia ou vai ser uma outra marca automóvel já estabelecida que, através de uma parceria, poderá adquirir aqui os direitos sobre o automóvel? [00:07:39] Speaker B: Nós definimos a marca como Ben, Ben de Bineutro, ser um veículo que inspira neutralidade carbónica nas cidades e que inspira e que pratique. Criámos uma spin-off que é Ben for Us, que vai ser responsável pela industrialização e pela comercialização do Ben e pela sua operação. O objetivo é, através destas parcerias que estamos a criar, poder criar joint ventures de várias formas para poder levá-lo o mais rapidamente possível para o mercado e para operar na Europa durante 2027. [00:08:11] Speaker A: Aqui é uma coisa que me suscita alguma curiosidade. Já há modelos, olhando para o carro, para as imagens que foram tornadas públicas, há carros idênticos de outras marcas já estabelecidas. Dois exemplos, o Fiat Tupolino ou o Amida Citroën, que já alimentam ou servem determinados públicos, determinado tipo de consumidores automóvel. Que consumidores, ou seja, vendo já este tipo de oferta no mercado, que consumidores é que o BEN vai satisfazer? Ou vai procurar satisfazer? [00:08:46] Speaker B: Para iniciar esta explicação, isto é um nicho de mercado, ou uma parte do mercado em crescimento na Europa, porque as cidades europeias, principalmente, algumas delas estão comprometidas com a neutralidade carbónica nas cidades, as cidades cada vez vão criar menos carros nos centros, pelo menos menos carros das dimensões dos carros da tipologia M1, que são os carros normais, e a velocidade também nas cidades vai ser reduzida. Portanto, é natural que nos próximos tempos surgirão muitos veículos desta tipologia. E o AMI foi muito preconizador deste novo olhar sobre esta tipologia de veículos que era um pouco mal vista. O que nós procuramos aqui no BEM não foi só a componente física, que também é distintiva dos restantes, porque é uma plataforma que em dois metros e meio eu consigo ter a versatilidade e a modularidade que me permite ser um veículo logístico ou um veículo para passageiros, mas acima de tudo a sua plataforma digital, que o Ben está preparado para um uso intensivo em rede de utilizadores, não de sharing, mas uma rede de utilizadores que são co-owners do veículo, e está preparado para se integrar com os sistemas de transportes da cidade, porque um dos principais desafios das cidades de hoje é que existem muitos carros, existe pouco uso e há uma falta de integração entre os meios para o utilizador final. Portanto, a questão aqui é, as cidades continuam a investir em transporte público, ótimo, mas continua a haver um espaço nas cidades para as deslocações do dia-a-dia em veículos last mile ou de uso individual. E, portanto, há um espaço específico para o Ben que, em termos tecnológicos, tem toda a tecnologia pensada a partir da sua plataforma digital, que é uma camada fora do carro, que lhe permite também fazer rede com esses veículos ou com os sistemas de transportes. [00:10:58] Speaker A: que eu vim interromper, ou seja, não só é um veículo 100% elétrico, 100% sustentável, como será 100% conectado. [00:11:06] Speaker B: Conectado e digital. [00:11:08] Speaker A: Para a condição autónoma já estará preparado? [00:11:10] Speaker B: Dizemos que está autónoma ready, que por esta plataforma digital está preparadíssima para integrar as funções autónomas e aliás já iniciámos um projeto onde vamos começar a concretizar algumas funções autónomas. Até porque este tipo de veículos no centro da cidade terá imensas aplicações. [00:11:31] Speaker A: Muito bem. Eu gostava agora de olhar aqui um bocadinho para a forma como se chegou a este veículo e falar aqui um bocadinho de talento nacional, das competências, para onde é que olharam, ou tiveram que olhar e onde é que tiveram que se atirar de cabeça, digamos assim. para conseguir chegar a este produto final, porque, pelo que a Helena já descreveu, vem aqui inaugurar, ou que pretende inaugurar, um novo conceito de mobilidade e, portanto, eu acredito que tenham que olhar também para coisas que talvez fabricantes na indústria ainda não estejam a olhar ou mesmo que olhem, se calhar, comercialmente não é viável, portanto, ignoram, mas o caso do CEI será diferente, que é um centro de engenharia e de desenvolvimento, portanto, para onde é que tiveram que olhar aqui para criar este novo conceito, para começar a abrir portas a este novo conceito de mobilidade? [00:12:24] Speaker B: Nós começámos por pensar com aquilo que existe, porque é que, por exemplo, o car sharing não é de todo um meio que as pessoas procurem nas cidades, porque eu tenho que deixar o veículo num sítio e eu preciso de ir para outro por causa da questão do espaço. Porque os operadores de car sharing têm muita dificuldade em chegar ao break-even porque os veículos não foram pensados para ser vendidos ao minuto, portanto são ativos muito caros. 95% do tempo o nosso carro está parado e, portanto, é um ativo muito caro por eu só usá-lo no dia-a-dia. Porque eu também, se tenho um veículo que gosto muito e tenho muito amor por ele, eu não vou emprestar o meu carro às outras pessoas. E, portanto, o que é que nós nos inspiramos? Vamos nos focar naquilo que serão as novas formas de uso das cidades do futuro, num novo conceito de mobilidade que é, ao mesmo tempo, a combinação e a integração entre aquilo que é a posse e aquilo que é o uso. E se eu tiver numa comunidade da minha confiança, eu vou poder partilhar um determinado veículo, que ao mesmo tempo também tem que ter algum desapego e ser uma forma, uma lifestyle, mais do que propriamente um objeto de culto ou um objeto que eu gosto muito e que não partilho com ninguém. [00:13:48] Speaker A: O que me está a dizer é que, vamos imaginar, este veículo pode ser propriedade de um conjunto de amigos. [00:13:54] Speaker B: De um conjunto de amigos, de um condomínio. [00:13:55] Speaker A: Passa a ser uma espécie de carro de serviço de uma comunidade fechada, de um grupo. [00:13:59] Speaker B: Sim, e que passa uma imagem de lifestyle. Estas pessoas são desapegadas no seu dia-a-dia, preocupam-se com a forma como a sua cidade se organiza e se move. No fundo, nós queremos que o Ben venha a ser um ícone de sustentabilidade, também muito puxado pelas novas gerações, porque é um carro que pode ser conduzido a partir dos 16 anos e, face às tendências que temos assistido, os jovens querem ter acesso e gostam de partilhar nas suas redes aquilo que descobrem e que usam e, portanto, o Ben pode também ser muito inspirado pelas novas gerações. [00:14:44] Speaker A: assumindo que vai ser também uma fase de sucesso quando passar a produção e a sua comercialização, o Bento também, e se parte dessa produção também ficar cá em Portugal, o Bento também pode vir a ser de alguma forma um símbolo de uma certa reindustrialização, por exemplo, da indústria portuguesa e neste caso da indústria tecnológica. [00:15:05] Speaker B: Sim. [00:15:06] Speaker A: Esse também é o objetivo? [00:15:07] Speaker B: É. Nós queremos muito criar condições, mas isso também não depende só de nós. O sonho da nossa organização, desde que fomos criados, era conseguir desenvolver e construir um veículo a partir de Portugal e poder fixar esse valor em Portugal com o melhor que nós temos nas universidades e na indústria. num mundo que atualmente é digital, com a transformação que a indústria automóvel está a sofrer brutalmente na Europa e no mundo, ou é agora ou nunca. É uma oportunidade única para nós posicionarmos o nosso país nesta nova, não é indústria automóvel, é indústria da mobilidade. E por isso nós acreditamos que isto pode ser uma oportunidade única para juntarmos o conhecimento, aquilo que nós melhor temos, com a indústria que temos e poder desenvolver, industrializar e operar a partir de Portugal um produto com elevada intensidade tecnológica, que seja evolutivo, com novas integrações de tecnologias, quer inteligência artificial como machine learning, tudo o que tem a ver com conectividade nova geração. tudo o que seja funções autónomas, mas que também fique-se valor em Portugal e de uma forma colaborativa internacionalmente, porque nós para acelerarmos tudo aquilo que fazemos temos de estar abertos a parcerias. com quem mais sabe de um determinado tema ou outro, para podermos também largar o nosso produto. E é isso que nós temos também estado a fazer com a Itália, numa unidade de produção onde se produz um veículo que aparentemente é concorrente do CEIA, mas que nós estamos a fazê-lo de uma forma complementar, partilhando tecnologias, as tecnologias mais avançadas que o BEM tem. [00:16:51] Speaker A: Qual é esse parceiro? É possível saber? [00:16:53] Speaker B: A Amphi, com a Micromobility Solutions, que é quem produz o Microlin, um veículo que é um icon de design, enquanto o Ben é um icon neutro, é um design neutro e portanto nós conseguimos encontrar pontos complementares que têm a ver com a partilha de tecnologias, a partilha de capacidade de industrialização que eles têm, as nossas tecnologias muito avançadas e a vontade que nós temos de transformar uma cadeia de valor para os dois produtos. com tecnologias comuns que alarguem a aplicação dos dois veículos e que têm um propósito muito comum que é também desafiar a indústria automóvel para um novo modelo de industrialização na Europa que tem muito a ver com sites distribuídos de produção, cadeias de valor de proximidade e a micromobilidade como um dos principais vetores da mobilidade nas cidades. [00:17:50] Speaker A: É interessante porque o BEM torna-se mais público ou chega a esta fase no momento em que a própria União Europeia liberta para cá para fora ou dá a entender essa intenção de criar aqui um programa a nível europeu que, de alguma maneira, incentiva o uso de veículos elétricos mais pequenos, mais acessivos, que, a meu ver, parece que o BEN encaixa na perfeição nesse conjunto de interesses da União Europeia. Isto também vem abrir mais portas ainda. [00:18:21] Speaker B: A iniciativa Smart and Affordable Cars lançada pela presidente foi no Estado da Nação, foi muito importante e também foi muito inspirada naquilo que nós temos estado a fazer nos últimos anos. Aliás, nós tivemos a oportunidade de apresentar um white paper sobre isso com a representação de Portugal na União Europeia. E é um importante momento para Portugal, para nós aproveitarmos esta oportunidade. [00:18:46] Speaker A: Deixa-me só perguntar assim, isso também veio de alguma forma aproximar aquilo que é feito no CEI, neste caso concreto do BEM, com alguns fabricantes ou alguns outros players da indústria automóvel, nomeadamente? baterem à vossa porta e perguntarem como é que fizeram isto, podemos fazer aqui algum trabalho colaborativo convosco e tentar perceber aqui algumas ideias que estão a fazer neste modelo, mas até podem ser aplicadas noutros aspectos. Isso aconteceu ou está a acontecer? [00:19:13] Speaker B: Temos tido alguns contactos com grandes construtores asiáticos, mais pós-japoneses, e europeus. [00:19:21] Speaker A: Eu vi que a Toyota está na vossa rede de parceiros. [00:19:25] Speaker B: E a Mitsubishi também, e a Cellantis também, mais direto ou indiretamente. E é muito interessante porque os grandes construtores também estão à procura deste tipo de soluções. Preferimos dar o contributo ao mundo com uma pequena parte de uma grande coisa, do que uma grande coisa cheia de nada. E, portanto, nós estamos completamente abertos às parcerias, quer na industrialização, mas também quer na operação e na chegada aos utilizadores finais. Acreditamos que só com parcerias é que vamos lá chegar. Portanto, todo o nosso caminho até aqui é hoje a prova de fogo. que agora precisamos de entender se Portugal acredita mesmo que é possível termos finalmente um construtor de média dimensão e que seja mais um passo para nós evoluirmos no país. [00:20:19] Speaker A: Que condições, na sua opinião, é que seriam necessárias para que esse construtor português se materializasse e existisse? [00:20:26] Speaker B: É preciso que se dê continuidade a este esforço, o desenvolvimento do BEN foi muito acelerado com uma agenda do PRR, com a Bieneutral, a continuidade disto vai criar do BEN vai necessitar da preparação da cadeia de valor com os fornecedores nacionais, de mais desenvolvimentos para reduzir custos, de termos possibilidade de fazer parcerias internacionais, tudo tem um investimento e, acima de tudo, de podermos verificar nacionalmente aquelas infraestruturas industriais que possam ter capacidade, com pequenos investimentos, de se ajustar à humanidade de produção de média dimensão para isto acontecer. Portanto, vamos necessitar de colaboração de várias entidades para isso acontecer, porque até hoje foi muito impulsionado pelo CEIA todo este projeto. [00:21:25] Speaker A: Durante esse caminho que nos traz aqui ao dia de hoje, o que é que tem sido mais desafiante? Até a materialização do Ben, terá sido a parte da engenharia, terá sido agora estes passos da industrialização ou o contacto até com o mercado e o desafio de colocar mais tarde o veículo disponível? [00:21:44] Speaker B: O CEIA existe há 25 anos, criámos uma equipa de engenharia desde o início muito focada em desenvolvimento automóvel, portanto hoje temos uma equipa também de engenharia aeronáutica e outra na área do espaço. Nós temos uma equipa de engenharia que vai desde as fases preliminares de desenvolvimento até aos protótipos funcionais de nível global. O que é que é um grande desafio para o SEI enquanto centro de engenharia? Obviamente que é o contacto com o mercado, a valorização, o processo de valorização. Por isso criámos uma spin-off que é a Ben For Us, que está aberta a investidores exatamente para podermos ter capacidade e aceleração para ir para o mercado. Portanto, o grande desafio é chegarmos ao mercado, é fazer as parcerias para a operação, para fazer as parcerias para o apoio todo que vamos ter no terreno. mas nunca esperando que isto vai ser um modelo como um construtor normal. Portanto, temos que estar muito focados na questão do digital e na questão de muitas parcerias que nos portem nessa ida para o mercado. [00:22:55] Speaker A: E o mais interessante, é talvez o foco aqui também da nossa conversa e deste podcast de Mirim de Portugal, é que é uma ideia nacional que está agora a dar os passos para se tornar uma ideia mais global. [00:23:06] Speaker B: Sim. [00:23:07] Speaker A: Isso é muito interessante e eu aproveito esse ponto para lançar esta questão, rematando aqui a nossa conversa que já estamos a chegar ao fim, e é uma questão que lançamos aos nossos convidados neste podcast, é, neste caso, do CEIA, como é que o CEIA e com o Ben, vai continuar a trabalhar para que Portugal, ou a contribuir para que Portugal seja um país inovador. [00:23:31] Speaker B: É um veículo, como eu já disse, que resulta da integração de uma plataforma digital com uma plataforma física, que permite ao veículo se ligar a qualquer serviço de mobilidade na cidade e que permite-se ligar também outros veículos muito semelhantes e outros sistemas de transporte na cidade, com um objetivo muito importante que é tangibilizar o meu contributo, quando nos logo de A para B, para a neutralidade carbónica da cidade. E isto permite ser um elemento muito importante para iniciar uma integração que é absolutamente determinante para as cidades serem neutras em carbono, a partir de um layer que é da sustentabilidade. E esse layer da sustentabilidade é também uma área onde nós trabalhamos, por exemplo, o espaço. Nós hoje estamos a trabalhar muito o espaço, muito na área civil e na área da defesa, mas na parte civil nós usamos muito as tecnologias de observação da terra, nomeadamente as imagens de observação da terra, para olhar também para o sequestro de carbono nas cidades, que se pode cruzar também com a mitigação das emissões evitadas na mobilidade. Nós estamos a caminhar para o melhor que o CEA tem, que é a integração de três setores, que é a mobilidade aeronáutica e o espaço, e poder criar futuros produtos e soluções a partir do nosso país com a integração destes três setores, desde a integração da mobilidade horizontal com a vertical, ou seja, da mobilidade com a aeronáutica, até a integração de tecnologias do espaço com a mobilidade para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Acho que Portugal, neste momento, com o ecossistema que está criado, muito impulsionado também pelo CEIA e com os nossos parceiros, portanto mais do que o CEIA poder ser impulsionado, a nossa função, a nossa missão é impulsionar o nosso país numa altura em que está tudo em transformação, portanto é a melhor altura. [00:25:39] Speaker A: Muito obrigado Helena por ter vindo e por estas explicações. Foi muito interessante expor aqui o futuro do BEM e também agora nesta resposta final explicar como diferentes áreas podem comunicar entre si e resultar em soluções inovadoras e que nos mobilizem e transformem também o nosso dia-a-dia e a forma como olhamos para as coisas. Muito obrigado. [00:26:03] Speaker B: Obrigada. [00:26:04] Speaker A: Quanto a si que esteve a assistir esta conversa, obrigado por ter visto. Já sabe, pode assistir a outros podcasts do Automóvel de Portugal no site do ACP ou nas plataformas Spotify, Apple Podcasts e YouTube. Muito obrigado e até uma próxima.

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