Episode Transcript
[00:00:05] Speaker A: Seja bem-vindo a mais um podcast do Automóvel do Portugal. Neste episódio vamos olhar para a mecânica do seu automóvel e descobrir como deve planear a manutenção do seu veículo ao longo do ano. Para nos ajudar, Bruno Gomes, diretor técnico da assistência do ACP.
Bruno, bem-vindo. Porquê é que é importante planear ao longo do ano a manutenção do automóvel?
[00:00:26] Speaker B: Obrigado pelo convite.
É importante planear até para nós irmos dividido o custo da manutenção de uma forma gradual, e para não termos grandes surpresas.
O que acontece, não fazer nada, é quando ele avaria, normalmente as contas são absurdas, são sempre grandes, e dizemos sempre que isto é de um horror.
As inspeções periódicas ajudam-nos a garantir que o carro está em conformidade, que está a travar, que os pneus estão bons, que está bom das emissões.
E uma vez por ano certifica que ele está pronto para andar. E normalmente, em média, o condutor comum não chega a fazer os 15 mil quilómetros por ano, é por isso que deve fazer pelo menos uma manutenção por ano, mais pelo serviço de óleo, ver óleos da caixa, travões, pneus, pelo menos o estado geral, fazer um check-up geral à viatura, ver o estado geral das covas, as limpavidas, que são importantes no inverno como no verão.
[00:01:22] Speaker A: Isso são as coisas que é possível fazer antes de ir a uma oficina.
[00:01:26] Speaker B: Sim, e até fazer antes da inspeção.
por antecipação conseguimos ver se o carro tem as luzes todas. Os novos carros até variam, dizem-se qual é a luz que está fundida, já nos ajuda. Uma parte das viaturas já tem um contador de quilómetros e de tempo que ajuda a dizer se o carro precisa de fazer uma manutenção ou não. Isso tira a preocupação do condutor, isto se o condutor tiver a responsabilidade e o cuidado de fazer a manutenção. porque eu posso andar com um carro a pedir manutenção ad aeternum. Se eu não for a uma oficina, eles não fizerem intervenção e não apagarem o relógio, ele vai continuar a dizer que tem manutenção em falta. Agora, eu já referi a importância das inspeções, agora vou dar um exemplo. Ele vai fazer uma manutenção periódica, tem que trocar o óleo, o filtro de óleo, o filtro do motor, tem que trocar quatro pneus e as pastilhas.
É uma conta grande. O planeamento ajuda a perceber o que é que é prioritário e o que é que pode ser adiado à insegurança, por exemplo.
os pneus estão carecas ou estão desgastados.
Se calhar começamos a fazer isto às fatias, fazemos um mês o serviço da mecânica, dois meses depois fazemos os pneus, porque normalmente os travões que não tiverem com as pastilhas a chegar ao fim, a tocar no ferro, consegue-se fazer ali pelo menos mais um ou dois meses.
E pode-se planear de uma forma faseada, com certeza, num cabo ao condutor ou utilizador, saber o que fazer, mas pode pedir à oficina o que é que é obrigatório, o que é que eu posso fazer daqui a dois ou três meses, porque todos nós temos um orçamento familiar para gerir, todos nós sabemos que é sempre difícil gastar dinheiro num carro porque nunca se vê nada, o carro entra numa oficina, Gasta-se dinheiro e vem o carro, mas não se vê.
[00:03:16] Speaker A: No momento da manutenção o carro vai à oficina, como é que o condutor deve interagir com a oficina para ter clara segurança e confiança de que o trabalho primeiro é bem feito, por outro que também compreenda o que é que foi feito e o que é que poderá ter faltado fazer ou não foi feito no momento, pode esperar mais um bocadinho.
[00:03:33] Speaker B: Claro, por isso é muito importante quando vai ao recepcionista de uma oficina, seja uma oficina de bairro, seja uma oficina de um concessionário, pedir-lhe um orçamento ou pedir-lhe uma informação, uma estimativa do que é que se vai gastar. E quando lhe vem a fatura, pedir para ver linha a linha.
e pode pedir para guardar as peças, para ver as peças que foram trocadas, até o momento de levantar a viatura, porque as peças depois têm que ir para um circuito de reciclagem, não cabe ao condutor por ficar com as peças e pôr para a reciclagem, cabe à oficina e isso é da responsabilidade da oficina.
Mas o condutor tem o direito e a legitimidade de pedir para ver o material que foi aplicado. E as oficinas têm por obrigação guardar numa caixa, dizer que as pastilhas verdes estavam aqui, a distribuição está aqui, e isso guarda-se até o momento de levantarem a viatura.
se o proprietário da aventura pediu para ver, transmite uma maior confiança. Uma parte das vezes o que nós fazemos é deixar o carro na oficina, pagamos o que nos pedirem, que é sempre um horror, porque nós não fazemos a mínima ideia do que é que eles estão a fazer.
[00:04:39] Speaker A: E é quase uma confiança cega.
[00:04:40] Speaker B: É uma confiança cega e muitas das vezes o carro vem levado ou não. E nós, pronto, gastamos ali uma massa. E é muito importante estabelecer relações de confiança com as oficinas, para perceber que o carro, para andar em perfeitas condições, tem de ser substituído destes componentes. Eu vi os componentes trocados. Transmite-me também confiança naquilo que vou pagar e perceber o que é que...
[00:05:02] Speaker A: Quando falamos aqui em planear a manutenção do veículo, há diferenças entre ser um veículo a gasolina, a gás óleo, híbrido ou elétrico?
E que diferenças são essas?
[00:05:13] Speaker B: Depende daquilo que é necessário fazer numa viatura. Se estamos a falar de uma viatura com 15 mil km, tirando o óleo, o filtro e a água dos guichos e pressão dos pneus, não há muito mais a fazer. Agora num carro com 270 mil km, claro que há cuidados a ter agravados. Por exemplo, um carro com essa quilometragem, ver os tubos de travão, se eles são gratados ou não. Um carro com essa quilometragem é ver o estado geral dos movimentos, ver como estão os pneus, ver como estão os travões, ver como estão os tubos de baixo de gasolina ou diesel. Ou seja, tudo depende da idade e da quilometragem, pois tem que se adaptar a esses dois fatores.
[00:05:48] Speaker A: Há aqui cuidados específicos, falamos muito de recomendações, dicas, na altura do verão, porque pensamos sempre no momento de férias. Há pessoas que pegam muito pouco no carro ao longo do ano, mas no verão fazem aquela viagem maior. Fala-se muito nessas recomendações no verão. No caso do inverno, fatiando o ano, que momentos e de que forma em cada momento é que devemos olhar mecanicamente para o automóvel? Há aqui cuidados a ter a cada estação?
[00:06:14] Speaker B: Quer dizer, todos os componentes são importantes em todas as estações, porque mesmo no verão chove, levar-me a ser assim mais ousado a tentar, por exemplo, no início do outono, nas primeiras chuvas, ter umas covas novas, pelo menos para durarem até ao verão e para no próximo outono voltar a trocar as covas.
mas no início do inverno garantir que tenham os pneumáticos novos, para garantir que eles no verão também estão em perfeitas condições, porque é muito importante eles no inverno estarem com o pismo praticamente no máximo, para que não haja fenómenos como aquaplaning ou algo que o valha, porque quando os pneus estão muito próximos do limite máximo legal, mesmo no inverno, se eu passo um bocadinho mais depressa num charque de água posso fazer um aquaplaning e se ele tiver os pneus praticamente novos isso cai para muito pouco a probabilidade. No verão o problema maior são as questões dos aquecimentos, que no inverno não são tantos, então é garantir que o maior cuidado redobrado nos circuitos de refrigeração, bombas de água, tubos de água, tudo que tem a ver com a refrigeração, se no inverno As temperaturas são muito mais frescas e praticamente os carros nem aquecem, em circuitos muito reduzidos. No verão, com as férias de verão, com viagens mais prolongadas, carro carregado, malas em cima, cão, gado, periquito, tudo no carro, é fundamental que isso esteja em perfeitas condições.
[00:07:34] Speaker A: Há aqui formas de reduzir os custos dessa manutenção sem comprometer a segurança e a fiabilidade da viatura.
[00:07:42] Speaker B: Há a forma de diluir ao longo do tempo. Reduzir eu não sou a favor, porque há competências obrigatórias.
Se os pneus estiverem próximos do fim, têm que ser trocados. Pode é escolher uma marca mais budget, agora a segurança é que tem que estar acima do resto, ou seja, se eu em vez de gastar 120 euros por pneu, por exemplo, num 205, 55, 16, que é a medida mais vendida no país, Gastar, em vez de 120, gastar 80 ou 75 vezes 4 já faz diferença. Não é, de repente, comprar pneu linha branca sem qualquer qualidade, não é isso, mas nós, dentro da gama de oferta, podemos fazer uma seleção mais Uma escolha mais acessível. Por exemplo, eu posso fazer uma manutenção, uma rede de oficinas global e posso pedir para ter peças de qualidade equivalente, ou seja, não são peças originais, mas são peças de qualidade equivalente. Eu estou a fazer a manutenção, estou a tentar fazer algo mais económico.
[00:08:41] Speaker A: Há naturalmente uma diferença entre ir à rede concessionária ou ir a uma oficina de bairro.
[00:08:46] Speaker B: É uma pergunta muito genérica, porque no meu entendimento tem muito a ver com a confiança. Se me perguntarem, amigo, o que é que eu prefiro, claramente ir a uma rede de concessionários. Não podendo ir a rede de concessionários por variadíssimas razões, proximidade, pela carteira, por o que for.
Então escolher redes que ofereçam alguma segurança. Mas o mais importante aqui, e numa ótica da responsabilidade técnica que tenho, é garantir que a manutenção seja feita.
Ou seja, não pode ir a um concessionário e vá a uma oficina generalista. Não pode pôr pneus de primeira gama, ponha pneus de gama um bocadinho mais baixa. Não pôr pneus usados nem nada que o valha.
Mas a recomendação que faço é não cortar na manutenção.
mas de ter uma forma mais racional no conceito de manutenção. Falta de qualquer manutenção...
[00:09:38] Speaker A: Essa que não é uma escolha.
[00:09:39] Speaker B: Não é uma escolha, no meu entender, porque vai estragar algum componente ou algum conjunto mecânico que vai danificar irremediávelmente outras peças. Eu tenho uma fuga de água na bomba de água que está a funcionar perfeitamente. Eu sei que vou ter que trocar a bomba de água e solidariamente a correta distribuição.
É caro.
Em média, 450 euros, que seja o que valha. O não fazer isso, vou de viagem para o Algarve, vou gripar o motor, se calhar em vez de gastar 500 euros, vou gastar 5 mil.
Então, se eu venho mais caro, não te gasto os 500. Não é? Ou seja, é muito importante.
Daí a importância de fazer uma manutenção consciente. Se de repente tem uma conta calada, então vamos dividir isto por fases, vamos fazer isto com algum critério. E o critério esse tem que ser a oficina a dar o feedback, não é? Não cabe...
Ou o proprietário dizer-lhe, para aí, agora faça isto. Não, não, eles têm de dizer, olha, faça isto agora, daqui a um mês faça isto, e daqui a dois meses faça isto, ou daqui a três, para garantir que também vão ao encontro das necessidades.
[00:10:38] Speaker A: Alguém que seja completamente leigo em mecânica, para onde é que devemos olhar para saber se estou no sítio certo?
[00:10:44] Speaker B: Isso é uma pergunta difícil de responder, porque há sempre Vários critérios. Estamos num mundo digital e todos nós já fizemos isso, desde os restaurantes, ao caleireiro, ao que for, é ver as reviews que aquela oficina tem, ou aquela oficina de bairro tem, porque é praticamente impossível não ter, ou seja, toda a gente vai já ou fazer um comentário apreciativo, ou favorável, ou agradecer.
[00:11:07] Speaker A: O filtro de água, por exemplo, que é necessário trocar, isso pode servir como teste, se aquele local pode ser bom?
[00:11:14] Speaker B: A pergunta é inteligente, mas a resposta, conhecendo eu há mais de 25 anos as oficinas, pode-me dar um resultado que vai estar à espera. Porque, na realidade, pode-se ter corrido pessimamente essa abordagem.
[00:11:27] Speaker A: Naquela componente.
[00:11:27] Speaker B: Naquela componente, mas as outras serem fantásticas e o contrário também é verdade. Ou seja, é muito subjetivo. Na realidade, as oficinas acabam por ter uma relação de confiança. Mais entre o recepcionista e o cliente e depois a interação com o recepcionista e o vesto da oficina. Porque passa por aí.
E isso aí, como eu costumo dizer, a confiança é a soma de muitas verdades. É até apanhar a primeira mentira que perde-se logo a confiança naquela oficina. E é uma chatice.
[00:11:54] Speaker A: Bruno, muito obrigado por esta conversa e por estas explicações relativamente à manutenção do automóvel. Quem esteve a ouvir pode encontrar este e outros podcasts no site do Automóvel Clube Portugal, mas também nas plataformas Spotify, Apple Podcasts e YouTube. Muito obrigado e até uma próxima.