Episode Transcript
[00:00:06] Speaker A: Seja muito bem-vindo a mais um podcast do Automóvel Clube Portugal. Esta é a série Made in Portugal, onde falamos de inovação e tecnologia criada e desenvolvida a partir de Portugal para os sectores automóvel e da mobilidade. Eu sou o José Vargas Rodrigues e o convidado deste episódio é Eduardo Ramos, administrador executivo do Grupo Brisa e também responsável pela Via Verde e por uma outra empresa que é o braço tecnológico do Grupo Brisa e das suas operações, a A2B. Eduardo, muito obrigado por estar aqui para esta conversa. Bem-vindo ao Automóvel Clube Portugal e eu gostava de começar, talvez, pelo projeto menos conhecido, digamos assim, que é a atividade A2B, uma empresa já com pouco mais de uma década, salvo erro, que nasceu dentro da Brisa, é um produto 100% português e 100% Brisa, o que é que esta empresa faz concretamente e em que projetos é que já está envolvido, uma vez que, pelo que sei, já tem uma pegada internacional bastante satisfatória?
[00:01:09] Speaker B: Antes de mais, muito obrigado pelo convite, José. É um gosto estar no ACP. O ACP é um parceiro de longa data do Grupo Parisa, da Via Verde. Temos muitos milhões de clientes em comum, o que é sempre bom de assinalar.
E, de facto, é um gosto estar aqui convosco, sobretudo a falar do futuro e a falar do que Portugal faz bem por esse mundo fora. E fazemos muita coisa bem e devemos estar orgulhosos disso.
Relativamente à Itubi, a Itubi não é mais do que a nossa casa tecnológica.
O que é que isso significa? Significa que nós sempre considerávamos, desde há muito tempo, que a tecnologia para nós era nuclear. Era uma competência estratégica.
E decidimos desenvolver competências internas para servir todas as unidades do grupo.
Quer nas operações, quer na engenharia, quer, obviamente, na gestão da mobilidade como um todo integrado.
Entretanto, Portugal começa a ficar, como sempre, pequeno.
E o que fazíamos aqui, na década de 2000, na década de 2010, começou-se a tornar suficientemente interessante para outras geografias. Tipicamente, quando o Grupo Brisa cresce, o Grupo Brisa leva consigo todas as suas competências.
e podem ser competências daquelas que vocês conhecem quanto clientes, pode ser o Colibri, pode ser a boa gestão do tráfego das autostradas, mas também tudo o que leva ao bom funcionamento desse mesmo processo.
E a Etubi surge porque começámos também, curiosamente, a vender os nossos sistemas e as nossas tecnologias a quem concorria diretamente com a Brisa.
E, portanto, o nome surge também, além da Associação à Mobilidade, o .A e o .B, surge também decorrente de nós vendermos também esta tecnologia a outras unidades. Hoje em dia, os principais mercados da Itubi são a Europa e Estados Unidos, sendo que, cada vez mais, o Grupo Brisa tem a atenção quase exclusiva da Itubi. Portanto, nós aí temos a Itubi muito a trabalhar connosco para conseguimos entregar aquilo que temos que fazer bem nas nossas várias unidades de negócio.
[00:03:13] Speaker A: Dentro da Europa, em que país é que, talvez sem sabermos, muitos dos automobilistas, portugueses ou não, podem deparar-se com soluções da A2B, que imagino sejam desenvolvidas a partir de Portugal para o resto do mundo?
[00:03:28] Speaker B: Nós na Europa estamos em 15 países.
alguns servidos diretamente para a E2B, nomeadamente Portugal e Espanha, na interoperabilidade, e depois os países baixos mais diretamente. Depois temos uma outra unidade de negócio que é do ecossistema via verde, a Access, com o qual a E2B cada vez colabora mais também para fornecer serviços. Portanto, estamos a falar de 15 países, não os sei todos de memória, mas são países essencialmente da Europa Central e Europa Ocidental.
[00:03:52] Speaker A: soluções, se pudermos chamar assim, que a E2B fornece, em que áreas concretas é que podemos identificá-las, o que concretamente está a ser feito?
[00:04:02] Speaker B: Bom, são essencialmente três grandes áreas, que no fundo refletem como é que o nosso negócio tem que ser gerido.
Primeira, gestão de incidentes. Portanto, nós gerimos milhões de transações por dia e fluxos e existem incidentes, esperando de nós que nunca sejam incidentes graves ou muito graves, E, portanto, através de visão, através de algoritmos de alarmística, conseguimos identificar rapidamente esses incidentes a acontecer na rede. Isto é o primeiro grupo de soluções.
Muito importante para a segurança resolviária, que é uma das principais preocupações do nosso grupo.
A segunda, gestão de transações.
Tudo o que significa cobrança da mobilidade do ponto A para o ponto B.
Isso depois tem duas componentes. Uma mais física, e aqui vocês certamente conseguem chegar lá pela relação que temos com a cancela, com a abertura efeitos, com o acesso, e depois todo o processamento em back-office dessas soluções, que também é feito pelas soluções da E2E.
[00:05:04] Speaker A: da E2B para a Via Verde.
O Eduardo já mencionou que há muitas outras áreas em que certamente as soluções da E2B também tocam, mas talvez aquela que seja mais visível, talvez seja o que a Via Verde hoje permite fazer, concretamente em Portugal, mas também já fora de Portugal.
Como é que hoje podemos identificar, começando por aqui, podemos identificar a Via Verde? É apenas uma empresa de soluções de pagamento de portagem ou é mais do que isso?
[00:05:29] Speaker B: Felizmente hoje é mais do que isso. A Etubi, de facto, hoje em dia, entre mim e o meu colega Manoel Malramos, acaba por estar dedicado às nossas operações e à nossa mobilidade. E a Via Verde tornou-se cada vez mais um gestor de mobilidade rodoviária.
Estamos também a fazer um caminho de mobilidade urbana, que é um caminho mais lento, até pelos próprios players urbanos que existem, mas surgiu naquela caixinha branca, em 1991, aliás assinalamos este ano 35 anos, e cada vez mais embarcou no sistema digital. Talvez a solução mais conhecida seja o via verde estacionar, que de facto através de uma solução digital dá muita conveniência e tempo aos nossos clientes.
Cada vez mais a Via Verde vai se tornar uma app única, ou através de uma app única, um gestor de mobilidade das pessoas, das suas famílias, até das próprias empresas, quer no segmento de ligeiros, quer no segmento de pesados.
Em Portugal os pesados não são assim tão relevantes como na restante Europa, mas o tráfego de pesados tem muitas necessidades de gestão de mobilidade.
[00:06:38] Speaker A: Na Via Verde também já há hoje aqui um pendour internacional e há projetos, creio que na Holanda.
[00:06:45] Speaker B: Países Baixos temos dois.
[00:06:47] Speaker A: O que é que pode contar? O que é que está a ser feito atualmente?
[00:06:52] Speaker B: Nos Países Baixos temos um túnel, que é um túnel bastante emblemático na área de Roterdão.
O túnel tem a gestão nossa e é detido pelo Estado dos Países Baixos, por aquela região em específico. E estamos agora a implementar o maior projeto de gestão de mobilidade na Europa, que é a cobrança por geolocalização de todos os pesados nos Países Baixos.
Portanto, ele faz um projeto muito grande, que envolve muitos milhares de pesados que vão atravessar o país, com duas preocupações. Financiamento futuro de infraestruturas.
Mesmo países ricos como os Países Baixos estão a pensar cada vez mais o que é que eu preciso de fazer para gerir as minhas infraestruturas no futuro e preciso delas pré-financiar.
E depois uma gestão de sustentabilidade, porque isto vai ter uma gestão dinâmica de acordo com as emissões do próprio pesado.
que vai levar a que exista uma reconversão e uma forte tendência de reconversão de pesados para mais elétricos, menos descarbonizados.
[00:07:53] Speaker A: E o que é que isso implica para o futuro em termos de transformação? Porque no fundo o que o Eduardo está a falar é quase uma desmaterialização da autoestrada, no caso dos pesados.
[00:08:03] Speaker B: Felizmente não vamos chegar ainda, não vamos chegar à desmaterialização total, portanto as pessoas continuam a querer mexer-se do ponto A para o ponto B, Os negócios precisam de transportar coisas a essas pessoas, a essas famílias, a essas empresas.
Mas a realidade é que a evolução da imagem e a evolução dos sensores levam a que cada vez menos coisas físicas existam para que as soluções funcionem. Em todo caso, é bom que as estradas continuem a ter boas condições de circulação, bom tubinoso, bom alcatrão, como se diz na gíria, e que sejam bem construídas e bem mantidas.
[00:08:42] Speaker A: Falou há pouco da questão de trazer estas soluções para a mobilidade urbana.
[00:08:49] Speaker B: Sim.
[00:08:50] Speaker A: Gostava de explorar um bocadinho isso. O que é que está a ser pensado? Imagino que eu olhar para uma autostrada, uma via rápida, seja totalmente diferente, e olhar para um meio urbano onde há uma série de ruas, uma infinidade de automóveis ao mesmo tempo, em direções opostas, a passar muito próximos uns dos outros, há peões a circular, há aqui uma gestão totalmente diferente que é preciso ser feita.
[00:09:15] Speaker B: Mas estamos nessa direção.
O que é que significa?
As autostradas, ou o ambiente mais dedicado, é um ambiente com menos variáveis, como precisamente acabou de dizer.
A mobilidade urbana, sobretudo na automação, e de facto cada vez vamos ter mais condução autónoma na nossa rede urbana, ao mesmo tempo que a rede também cresce muito, as cidades vão continuar a crescer.
O Grande Porto vai continuar a crescer, a Grande Lisboa vai continuar a crescer, para a margem sul, provavelmente, certo? Até que colocou um novo aeroporto.
E, portanto, esta malha urbana e a gestão desta malha urbana com soluções de mobilidade e com muita intensidade tecnológica vão ser inevitáveis e nós vamos ter que nos adequar, nós todos, enquanto provedores destes serviços, a essa complexidade. Precisamente o que disse, entre gestão de semáforos, gestão de modos leves, bicicletas, trotinetes, é preciso ter aqui uma coordenação muito maior em ligação com as entidades competentes, neste caso com as câmaras municipais com quem trabalhamos imenso.
[00:10:18] Speaker A: E isso abre porta para novas tipologias de serviços, e neste caso tanto para a Via Verde como para o Grupo de Pobreza e imagino também para novas soluções da Irubi. O que é que está em vista? Se puder explorar um bocadinho esse campo, o que é que está no horizonte?
[00:10:31] Speaker B: Vou-lhe dar já um exemplo, que é talvez o exemplo mais recente.
Com a quantidade de dados que os nossos clientes acabam por gerar de forma anónima na nossa rede, nós conseguimos hoje dar na app do Vio Verde Estacionar uma perdição de estacionamento.
que para já ainda é verde, amarelo ou encarnada.
No futuro isso vai ser em real time.
Já o Waze e as parcerias que temos com o Waze nos permitem ter uma visão muito em tempo real do que está a acontecer no fluxo.
[00:11:00] Speaker A: Exatamente.
[00:11:01] Speaker B: Mas depois precisamos também dar essa experiência no destino.
E quem diz no destino, diz depois do destino também, que é porquê é que não tem ali algo que lhe permita então deslocar-se de uma outra forma, daí para a frente, não tem que ser necessariamente dentro do seu carro. Portanto, a ligação entre modos de transporte vai ser cada vez mais automática, ou cada vez mais simples.
[00:11:22] Speaker A: Para que tecnologias, porque imagino que aí tem que haver um grande investimento e uma grande capacidade de conseguir identificar o que é que vos pode ajudar, para que tecnologias é que estão a olhar, imagino que tudo talvez na base da inteligência artificial já, mas para onde concretamente é que estão aqui a olhar, ou a querer investir?
[00:11:41] Speaker B: Quando me faz essa pergunta, a melhor resposta é não sei.
E porquê não sei? Ou não sabemos?
Isto está a tudo a evoluir muito rapidamente. O que nós temos que conseguir fazer, e temos feito isso ao longo da nossa história no Grupo Isa, é ter linhas de inovação, linhas de investigação, que consigam ter fichas, sementes, em vários pontos da nossa exploração, para que depois consigamos perceber qual é que é a melhor tecnologia a aplicar em cada contexto.
Se alguém disser que é a tecnologia A ou a tecnologia B, não sabe.
[00:12:16] Speaker A: Não sabe.
[00:12:17] Speaker B: O que nós conseguimos perceber é que a velocidade de processamento vai continuar a crescer exponencialmente, isso não há dúvida, e a computação quântica vai atropelar toda esta capacidade, e a geração de dados e a utilização desses dados de acordo com determinadas regras, e na Europa felizmente continua a ser assim, vai ter muito maior sofisticação.
Portanto, tudo o que diga respeito à mobilidade vai continuar a ter fisicalidade, Provavelmente autônomo.
se calhar com total autonomia, não é? Portanto, nós provavelmente ao volante não vamos ter necessidade sequer de estar atentos, certo? Vamos ter outras necessidades para nos entretermos enquanto andamos a ser transportados a alguns.
E depois a ligação com a rede física vai obrigar a muita tecnologia. Agora, qual será?
Não sei. A inteligência artificial, toda a gente hoje fala nisso, não é mais do que a enorme quantidade de dados processados de uma forma muito rápida para dar resposta, primeiro reativa, mas hoje cada vez mais proactiva às necessidades que temos.
[00:13:25] Speaker A: Tendo isso tudo como base, a sua opinião, enquanto Via Verde, enquanto Aitubi, enquanto Brisa e aqui também num foco de inovação, falando aqui de talento nacional, se nesse campo, nessa exploração e também nessa transição daquilo que era atividade puramente de autoestradas também para meios urbanos, se Portugal pode ser aqui um polo de inovação, pode ser um exemplo a seguir no futuro ou já hoje.
o que é que está a ser feito que pode permitir aqui a Portugal ter um papel de destaque, neste caso, na atividade da Brisa, da Itubi, da Via Verde, nesse pendor mais inovador.
[00:14:06] Speaker B: Portugal já o é.
Hoje em dia, Portugal hoje já tem muita gente dedicada, quer das universidades, quer em empresas nacionais daqui para o mundo, que tratam esses assuntos bastante bem.
O nosso talento é dos melhores que existe, o nosso talento de engenharia é extraordinário. O que nós temos que continuar a fazer é testar as soluções bem no nosso mercado, como aliás nós temos feito isso ao nível do Grupo París e da Via Verde, e depois perceber quais são os países que estão disponíveis para receber essas mesmas soluções. Portugal já tem muitas soluções de mobilidade que surgiram aqui e não surgiram mais lá de nenhum pela primeira vez e nós depois exportámos-las para o mundo. Não há mais nenhum país do mundo que tenha esta experiência fluida de condução em autostrada como nós temos. Não há mais nenhum. Todos têm cancela, todos têm via mais dedicada ou menos dedicada. Existe sempre fricção. Nós fomos os primeiros a fazê-lo, a otimizar esse processo e levar isso daqui para outras geografias.
[00:15:07] Speaker A: e isso permite competir internacionalmente com outros players da mesma área, ou ainda falta, ainda há aqui passos a dar para que essa concorrência, ou melhor, que o sucesso da Brisa, da Viva Verde, da Itubi, seja concreto.
[00:15:28] Speaker B: Conseguimos concorrer, somos muito competitivos, aliás, por isso é que temos tido este processo de crescimento internacional, até agora, com sucesso, mas isto tem que se voltar todos os dias e tem que estar atento todos os dias, todas as semanas, por uma razão, nós começámos muito cedo.
e o tempo aqui faz diferença. Nós há muito tempo que trabalhamos nestas soluções.
Há 35 anos que nós otimizamos os nossos algoritmos.
Antes obviamente existia um conjunto de pessoas que conseguiam programar e que faziam estas coisas. Hoje é muito mais abrangente pela linguagem natural. Mas de facto nós somos um centro de referência, Portugal, Universidades como a Universidade de Aveiro, a Universidade do Minho, o Estudo Superior Técnico, a Universidade de Coimbra.
Muito boas universidades a pensar nisto, do ponto de vista de investigação fundamental até.
[00:16:15] Speaker A: E todas ligadas àquilo que tem sido, então, a atividade inovadora, ou seja, são uma pool.
[00:16:22] Speaker B: Pois é, nós sozinhos não vamos conseguir fazer nada, nunca.
E o nosso modelo de inovação aberta em ligação com as universidades é valiosíssimo.
[00:16:30] Speaker A: Isso leva-me a uma outra questão. As soluções que hoje conseguem apresentar e têm no vosso portfólio, são desenvolvidas, pensadas, por talento nacional em Portugal ou têm necessidade ainda de ir buscar alguma coisa lá fora?
[00:16:49] Speaker B: Queria também referir aqui o Izel. O Izel é muito importante, é uma casa muito boa no nosso setor e não queria ser injusto para o Izel.
Hoje o talento está em todo lado, ok? E Portugal tem conseguido captar muitos não-portugueses e não-portuguesas para trabalhar nestes projetos a nível nacional.
É evidente, pois também temos outras ligações com algumas unidades estrangeiras que são muito boas neste setor. Vou dar dois exemplos, Delft e Eindhoven. São muito boas na mobilidade e nós temos radares abertos aí.
O futuro deste nosso negócio cada vez tem mais disrupção vindos à Ásia.
[00:17:22] Speaker A: Ok.
[00:17:23] Speaker B: E, portanto, o nosso radar começa a mudar-se também alguma parte para leste.
Porquê? Porque há muita avança, há muita velocidade nas soluções fein, nomeadamente na mobilidade elétrica. Que é outro assunto que, obviamente, nós investimos, promovemos, para que os nossos clientes não tenham ansiedade a entrar na nossa rede.
E, portanto, a mobilidade elétrica vai continuar a ser algo que o eixo mais leste, mais asiático, está muito à frente, do restante muito, muito à frente, e nós vamos ter que continuar atentos também a centros de investigação desse lado do hemisfério, do mundo.
[00:18:06] Speaker A: Uma pequena pergunta de curiosidade é se na vossa atividade diária e para definir soluções para o futuro ou mesmo no dia de hoje, mantêm ou fazem algum tipo de ponto ou contato com fabricantes de automóveis ou de outros veículos para definir como é que fazem a gestão da vossa infraestrutura e também das estradas que todos nós percorremos.
[00:18:28] Speaker B: Há muitos grupos de trabalho que existem com construtores de automóveis. Tem um papel difícil porque é uma indústria muito desenhada para indústria pesada e o negócio mudou muito e muito rapidamente. A nossa principal preocupação com os construtores de automóveis, seja o qual for, é sempre perceber que estándares é que estão a ser adotados.
para que nós consigamos responder do nosso lado com sensorização na rede. É chamado V2X, a ligação entre os veículos e as infraestruturas.
Porque cada vez mais, e hoje já existem carros no mercado que assim fazem, a infraestrutura também comanda de alguma forma algumas reações dos carros. Nomeadamente a sinalização horizontal.
Portanto, tudo o que são marcas no terreno, tudo o que são esses sinais, têm que ser muito bem trabalhados, muito bem pensados, para que depois os mecanismos de imagem os consigam interpretar bem. Portanto, a ligação com a indústria automóvel é inevitável e vai continuar a ser.
[00:19:25] Speaker A: Hoje, com inteligência artificial, mobilidade elétrica, veículos cada vez mais conectados entre si e com a infraestrutura rodoviária, e sabendo daquilo, do mundo que o Eduardo já partilhou connosco, daquilo que é a atividade diária tanto da Brisa como da E2B como da Via Verde, vamos pôr aqui um horizonte de uma década, como é que poderá ser a nossa mobilidade no mundo num qualquer veículo? Como é que nós podemos imaginar como é que vamos do ponto A ao ponto B amanhã?
[00:19:58] Speaker B: Há 10 anos não sei.
Mais uma vez não sei.
Eu posso é partilhar convosco quais são as nossas quatro prioridades em termos de inovação para o futuro.
E é nestes quatro eixos que nós vamos continuar a trabalhar daqui para frente.
Relação com o cliente, Como é que o cliente olha para as soluções que nós temos e se as considera acessíveis, fáceis, que lhes devolvem tempo, que os deixam seguros?
Portanto, relação com o cliente, muito investimento na relação com o cliente.
E o cliente já agora vai mudando.
O cliente que nós temos individual às vezes não é bem aquele cliente. Não sabemos se vai ser um agente em nome daquele cliente.
Pode ser uma máquina em nome daquele cliente. Isto é algo que está claramente em evolução. Segundo, conectividade. Conectividade para a segurança rodoviária e para a condução autónoma. Tudo o que diga respeito à ligação de coisas com coisas. vai ser muito relevante, até do ponto de vista de cibersegurança, portanto vai ser muito importante trabalhar neste segundo eixo. Terceiro eixo, descarbonização.
Nós parece-nos inevitável que o mundo continue a descarbonizar.
Parece-nos inevitável e, sublinho, parece-nos.
Portanto, na Europa continuamos a fazer esse caminho, achamos fundamental que esse caminho continue a ser feito e, portanto, ao nível do futuro, as emissões têm que baixar, nós temos que promover isso e achamos que a mobilidade vai ser também mais, mais, mais, mais verde.
[00:21:33] Speaker A: Só nesse pilar da descarbonização, querendo ser provocatório, mas fazendo aqui esta pergunta, na base da vossa atividade, a circulação automóvel e diferentes veículos, com uma grande aceleração da mobilidade elétrica, mas como é que vão procurar essa descarbonização quando a vossa atividade está muito dependente da circulação automóvel e ela ainda hoje é, maioritariamente, feita por motores de combustão?
[00:21:55] Speaker B: Nós temos que atuar naquilo que conseguimos controlar.
E o que nós conseguimos controlar é dar capilaridade à rede, o mais elétrica possível, para que os clientes sintam confortáveis a entrar numa rede nossa, sem ansiedade de carregamento. Induzindo bons comportamentos com o via verde elétrica e com as parcerias que temos com todos os outros operadores de energia e de combustíveis. Portanto, a partir daí, é muito repetição, repetição, repetição, porque obviamente as emissões dependem desses comportamentos induzidos, O Estado está a fazer cada vez melhor o papel de induzir também comportamentos responsáveis na aquisição de veículos sem ser a combustão total e, portanto, achamos que isso é um movimento que vai parar e os últimos dois anos têm sido testemunha disso.
Portanto, a mobilidade elétrica tem crescido muito e vai continuar a crescer.
Só terminando os pilares, há um, que já falámos hoje, que é a mobilidade urbana. Portanto, a mobilidade vai ser cada vez mais urbana.
As cidades vão se estender e nós vamos ter que dar soluções que incluam mais do que um modo de transporte, dois, três, quatro. Portanto, a multimodo de transporte vai ser uma evidência para o futuro. Portanto, são estas quatro prioridades.
Outras vão acontecer, de certeza, ou que nós não podemos baixar, é a atenção do que é que está a acontecer do ponto de vista da intensidade tecnológica e de preferências dos clientes.
[00:23:15] Speaker A: O pendor inovador vai sempre existir.
[00:23:18] Speaker B: Sempre.
[00:23:18] Speaker A: Sempre. Isso leva-me à nossa última questão que é como é que, neste caso, o Grupo Berisa e lá dentro a E2B e a Via Verde podem ou vão continuar a contribuir para Portugal ser um país inovador.
[00:23:33] Speaker B: Temos muito orgulho no que temos feito até agora enquanto grupo, do Portugal para o Mundo sempre, tem sido sempre essa a lógica e vamos continuar a trabalhar nesse sentido.
o nosso contributo terá que ser sempre no desenvolvimento, na atração contínua de talento e no desenvolvimento desse talento.
Se nós conseguirmos que soluções sejam criadas, e não tem que ser necessariamente talento em português, mas talento que escolhe Portugal para viver, conseguir que esse talento desenvolva soluções que sejam maiores do que essa mesma solução, que saltem fronteiras, é uma enorme satisfação para nós. Perceber que há uma solução que é desenvolvida por uma equipa pequena, em Coimbra, ou em Aveiro, ou no Porto, e depois isso vai parar a Berlim, é extraordinário, quer dizer, é um orgulho imenso perceber que isso pode acontecer de Portugal para o mundo. E, portanto, a inovação do Grupo Prisa é também uma forma de nós nunca perdermos a luz, nunca perdermos o sonho.
E, portanto, o sonho tem que estar lá, tem que estar lá para a empresa, para a organização, mas, sobretudo, para as suas pessoas perceber que, à frente, existe algo mais desafiante. E é nisso que continuamos a trabalhar.
[00:24:40] Speaker A: No fundo, acompanhar os tempos.
[00:24:41] Speaker B: Sim, sim, senhor.
[00:24:43] Speaker A: Muito obrigado, Eduardo.
[00:24:44] Speaker B: Obrigado a você.
[00:24:45] Speaker A: Chegamos ao fim da nossa entrevista com o Eduardo Ramos. Obrigado a quem esteve desse lado a assistir. Já sabe, pode assistir a esta e outras entrevistas no site do ACP, também nas plataformas Spotify e Apple Podcast. Muito obrigado e até uma próxima.