Episode Transcript
[00:00:05] Speaker A: Seja muito bem-vindo a mais um podcast do Automóvel de Portugal. Esta é a série Made in Portugal, onde falamos de inovação e tecnologia criada e desenvolvida em Portugal para os sectores automóvel e da mobilidade. Eu sou o José Vidal Rodrigues e o convidado desta conversa é Carlos Jardim, administrador da Bosch Car Multimédia.
Bem-vindo, Carlos. A Bosch Car Multimédia, a fábrica da Bosch em Braga, É não só um símbolo de produção nacional, uma vez que a Bosch é uma das grandes empresas que mais suporta a partir de Portugal, mas é também um símbolo da casa-mãe bestando na sua unidade de mobilidade a nível global.
E é precisamente isso que nos traz aqui hoje, falar de mobilidade e do desenvolvimento da tecnologia feita pela Bosch em Portugal.
E começo por aqui, o que é que é feito hoje em Braga, na Bosch, que nós usamos diariamente nos nossos automóveis, ou noutro tipo de veículos até, que não fazemos ideia que tem mão portuguesa e que está a ser desenvolvido cá em Portugal?
[00:01:11] Speaker B: Antes de mais, agradecer o convite. Como representante da Bosch, Carmel de Medembrega, é um enorme prazer demonstrar e apresentar aquilo que fazemos em prol da mobilidade do futuro. É uma área que está em profunda transformação, afetada muito por estes problemas geopolíticos, por estas barreiras comerciais e até por um crescimento algo lento da economia mundial.
Também é um shift para a Ásia, isto é, a China domina a introdução destas novas soluções e porquê? Porque têm contacto direto com o cliente, entendem o que o cliente precisa e são rápidos a introduzir essas soluções com qualidade e custo muito competitivo. Pois bem, toda essa transformação Faço essa analogia ao que está a acontecer na mobilidade com uma bosta em Braga. Nós, na verdade, temos nos vindo a transformar. Nós falamos muitas vezes como fit for transformation. Orgulho-me a dizer que não somos já mais uma fábrica de produção, mas sim uma localização que trabalha em toda a cadeia de valor. Porquê? Porque já não só produzimos e produzíamos produtos muito simples que encontrávamos nos nossos automóveis, mas fomos transformando para produtos muito mais complexos e fazemos agora produtos muito pequeninos, sensores muito pequeninos, até displays muito grandes, um metro, por exemplo, para os nossos construtores. Toda esta transformação de produto também traz transformação nos conceitos e na tecnologia de manufatura. As máquinas têm vindo a ser semi-automáticas, mas agora com linhas muito automatizadas, que também transformam as nossas pessoas, os nossos engenheiros e os nossos talentos. Porque antigamente tínhamos produtos simples em linhas muito simples, hoje temos linhas muito complexas em produtos muito complexos e esta simbiose tem de estar na sua perfeição para podermos entregar os nossos produtos da melhor forma possível para os nossos clientes. Antigamente só produzíamos, mas agora industrializamos, e não só industrializamos para Braga, mas também para todas as outras fábricas que produzem o mesmo produto que nós produzimos em Braga. mas desenvolvemos e inovamos, isto é, já não só desenvolvemos o produto, mas também inovamos as ideias que vão entrar nesses produtos. Somos uma fábrica que está a trabalhar na mobilidade do futuro. Estamos a definir o carro do futuro e a mobilidade do futuro entra nestas quatro grandes áreas, na eletrificação, na área do hidrogênio, que é para um nicho muito específico do mercado para camiões e frotas de longo curso, e a área onde nós em Braga trabalhamos e definimos a futura mobilidade, que é a área da condução autónoma e a área do Software Defined Vehicle, o veículo definido por software. Os carros do futuro tendem a ser cada vez mais sensoriais, teremos muitos sensores, muitas câmaras, teremos uma separação clara entre o hardware e o software e o software vai ter a chave principal do futuro do automóvel. É ele que vai definir como é que ele se comporta, tornando-se mais conectado, mais específico e mais personalizado.
como o telemóvel. Nós podemos ter o mesmo telemóvel, o mesmo modelo, mas depois se trabalhar com o seu telemóvel não é o mesmo que trabalhar com o meu. Porquê? Porque ele está personalizado para aquilo que eu preciso. O carro do futuro será exatamente isso, com muita conexão, com muitos sensores, com muita inteligência artificial, que irá permitir ter ciclos de inovação muito rápidos. E com esta OTA, que é Over The Air, que é a atualização do software Over The Air, nós iremos ter muitas atualizações ao longo da vida do produto, da vida do carro, que nos permitirá melhorar a sua performance e também personalizá-lo aquilo que eu pretendo. E em Braga nós fazemos mesmo estes sensores.
sensores que estão dentro do habitáculo.
[00:05:03] Speaker A: O que é que esses sensores, concretamente, pegando nisso que está a dizer, fazem?
[00:05:08] Speaker B: Verificam o que está a acontecer dentro do habitáculo, isto é, um comportamento mais desajustado do próprio condutor, verifica se o condutor está sozinho ou se está acompanhado, verifica qual é a tensão, por exemplo, do cinto de segurança e reage em situações de necessidade em conformidade. Uma coisa é estar sozinho dentro do carro, outra coisa é estar acompanhado e mesmo em situações de emergência, caso haja um problema de saúde, esses sensores conseguem verificar que alguma coisa está a acontecer e reagir em conformidade, nomeadamente, por exemplo, estacionar o carro em segurança na faixa de rodagem.
Isto é mais dentro do habitáculo do carro, mas nós também trabalhamos para fora do habitáculo, nomeadamente para a área da condução autónoma.
Nós temos sensores que verificam com precisão a localização.
Comunicamos através do V2X, isto é, para as outras networks, com pessoas, com os outros veículos e assim garantir segurança para quando o carro tiver que reagir numa situação específica ou faça em conformidade. E por que não falar num dos nossos produtos mais emblemáticos? O radar não é o radar que encontramos nas estradas a medir a velocidade dos veículos, é sim, os radares são sensores que estão no veículo e que medem a distância aos objetos e também calculam a velocidade relativa para que o carro possa reagir então dependendo da situação específica.
[00:06:47] Speaker A: Pelo que estou a perceber, ao falar do radar, o radar é um sistema de sensores que equipam os veículos e que já permitem fazer isso que o Carlos acabou de descrever.
[00:06:56] Speaker B: É a base para a condução autónoma. Ele verifica, através de radiofrequência, quais são os objetos que estão à volta do carro, mede a distância, mede a velocidade relativa e faz com que o carro possa reagir em conformidade para mudar de faixa de rodagem, para travar em uma situação de emergência, para parquear se for necessário, caso apareça um objeto, tipo uma bola, uma criança, uma bicicleta, ele poder então ajustar a velocidade ou até ativar uma trabagem de emergência.
[00:07:30] Speaker A: Mas antes de ir à questão da condução autónoma, nesse sistema radar que está a falar, ele já existe, já existem algumas gerações feitas e implementadas em diferentes automóveis.
Para a condução autónoma, o que é que falta fazer? O que é que vai ser ainda feito para esses sensores ficarem ainda mais apurados?
[00:07:49] Speaker B: É uma excelente pergunta porque os radares são produtos de geração, isto é, nós começamos com uma geração e vamos evoluindo ao longo das gerações com mais soluções para que se tornem cada vez mais precisos e cada vez mais inteligentes. Estamos com várias gerações que entregámos a vários clientes no mundo e atualmente nós próprios em Braga estamos já não só a desenvolver os novos radares do futuro mas estamos sim a inovar. Começamos a introduzir a inteligência artificial.
e estamos a introduzir perceção, isto é, que os radares se comportem como se seres humanos fossem. Nós temos os nossos sentidos, nós vemos, nós sentimos, nós observamos e os radares do futuro, com esta perceção que queremos introduzir em inteligência artificial, queremos que eles se tornem cada vez mais precisos, mais inteligentes e, obviamente, potenciar uma condição autónoma mais segura, que é o que nós todos precisamos.
[00:08:53] Speaker A: E esses radares do futuro, quando é que vão chegar? Já há uma previsão?
[00:08:57] Speaker B: Estamos agora a implementar, só para terem uma ideia, o radar 6, estamos a introduzir o radar 7 e depois existem
[00:09:05] Speaker A: versões É para entenderem
[00:09:19] Speaker B: que nós não só estamos a desenvolver, mas é de Braga e é de Portugal que nós estamos a introduzir as novas soluções de radares, não só para Portugal, mas obviamente globalmente.
[00:09:33] Speaker A: O que o Carlos me está a dizer é que a unidade da Bosch em Braga já não é apenas um centro de produção, faz também investigação, faz também desenvolvimento e dentro disso inova produtos in-house.
[00:09:51] Speaker B: Num mercado tão complexo como é o mercado da mobilidade, termos uma fábrica de produção é importante, mas só não chega.
[00:09:58] Speaker A: Isso significa também que a unidade de Braga evoluiu ao longo dos anos de uma forma espantosa. Eu gostava de lhe perguntar se me pudesse dizer como é que foi feita essa evolução, porque imagino que a cada projeto que exista dentro da Bosch, exista também uma grande competição entre as várias fábricas da Bosch, espalhadas por este mundo, para atrair esses projetos.
E no caso do radar, aquilo que o Carlos me está a dizer, dá-me a entender que Em Braga é capaz de ser a capital do sistema radar da Bosch.
[00:10:33] Speaker B: E é.
[00:10:33] Speaker A: Como é que foi essa evolução da unidade de Braga, ou seja, passar de apenas um centro de produção para algo onde já se faz muito mais do que produzir, e como é que se compete com as suas congêneres?
[00:10:45] Speaker B: Felizmente Braga tem sido um pólo que tem atraído investimento para Portugal.
a Bosch tem conhecido e reconhecido em Braga como um parceiro ideal para trazer novas soluções para a mobilidade do futuro. Nós começámos com a produção em 1990 e entregando sempre com qualidade e a tempo e horas com custos muito controlados, fomos ganhando pouco a pouco a confiança dos nossos parceiros BOSCH na Alemanha, que é quem decide onde é que se colocam os produtos, quer a nível de produção, quer a nível de inovação e desenvolvimento.
Depois que começámos a ter cada vez mais responsabilidade, o talento, o conhecimento que existe em Portugal e esta ligação com a academia tem sido muito importante para trazer ainda mais talento para as nossas instituições, conseguimos então passar a industrializar. O que é que isto significa? Nós somos os responsáveis não só por produzir, mas desenhar as linhas que produzem esses produtos.
[00:11:45] Speaker A: Os standards, por assim dizer.
[00:11:47] Speaker B: Exatamente, que usamos não só em Braga, mas também, nós chamamos o IPN, o International Production Network, que são as outras fábricas da voz que também produzem estes mesmos produtos. Nós somos, para vários produtos, a fábrica líder Nós definimos os conceitos de produção e as linhas de produção para esses produtos.
[00:12:06] Speaker A: Deixa-me só colocar este exemplo. Em 2031, quando já estiver o sistema radar na sua 8ª geração e uma fábrica na Alemanha ou em França, da Bosch, a produzir também, talvez, esses sistemas, estará a fazê-lo com base nos estándares Por mão portuguesa, por engenharia portuguesa.
[00:12:26] Speaker B: Somos nós que estamos a definir os novos standards, somos nós que estamos a definir os novos conceitos e as novas tecnologias de produção e todas as outras fábricas que produzirem aquela geração de radares usarão então esses nossos sistemas. Só para concluir então aquilo que me estava a perguntar, como é que fomos fazendo este desenvolvimento da nossa localização, é a confiança que nós temos vindo a trazer para os nossos parceiros na Alemanha, que nós somos na verdade fit for transformation, somos capazes de lidar com esta transformação, com o talento que nós temos em Braga. Assim sendo, passámos agora a desenvolver e em conjunto com a academia, com os centros de desenvolvimento que temos próximos de Braga, nós temos criado um ecossistema capaz de inovar e desenvolver.
[00:13:14] Speaker A: Consegue dar mais um exemplo, além do radar, do que é que poderá estar a ser feito neste momento?
[00:13:18] Speaker B: Nós somos uma localização de sistema.
Nós queremos aumentar a nossa autonomia e sermos capazes de entregar soluções muito complexas na área de displays, na área de computing para o computador central que gera todos estes sensores que estão dentro do carro.
Em áreas como Vehicle Motion, isto é, nós também trabalhamos o Brake-by-Wire e Steer-by-Wire, significa nós desenvolvemos e produzimos sensores que vão suportar também essa área de negócio.
E mais recentemente nós fomos capazes de convencer os nossos parceiros na Alemanha que Braga seria a localização perfeita nesta mobilidade sustentável do futuro, que é dos e-bikes, por exemplo. Não só da área do automóvel, mas também nas duas rodas. Agora já não só produzimos, mas também desenvolvemos novos sistemas para os e-bikes.
Na área dos e-bikes temos quatro grandes áreas. A área da atração, a área da bateria, a área dos connected devices e a área dos serviços.
Nós já tínhamos representação, trabalhávamos bastante já na área da atração e agora estamos a aumentar a nossa responsabilidade nesta área dos connected devices e estamos a desenvolver soluções inteligentes de conectividade e também de segurança para sistemas anti-roubo, assim como soluções a nível de serviços que vão suportar quem conduz com cuidado e com segurança uma bicicleta.
[00:14:58] Speaker A: Uma curiosidade minha, a Bosch, imagino eu, que mantém um contacto até diário ou rotineiro com diferentes fabricantes seja de automóveis, seja por exemplo de bicicletas também, das e-bikes, as soluções que vem apresentando ou que coloca no mercado, como o sistema radar ou outras como o do display ou de infotainment, como o Carlos mencionava, são trabalhadas pela Bosch de alguma forma por encomenda dessas fabricantes Ou é por proatividade da própria Bosch? Isto para perguntar como é que se faz aqui este diálogo, que eu imagino que exista, entre um fornecedor que é a Bosch, para a indústria, e a própria indústria, os próprios fabricantes.
[00:15:44] Speaker B: O diálogo com os nossos clientes é constante.
são o nosso maior parceiro, porque é para eles que nós desenvolvemos e produzimos os nossos produtos, e eles vêm muitas vezes à nossa localização para discutir questões de fornecedores, questões de materiais, questões de produção, e é sempre tailor-made. Mas temos as duas versões, por exemplo, enquanto que o radar É um produto de plataforma e o cliente vê este produto e se gostar da especificação que nós temos compra a outros produtos que são tailor made.
[00:16:15] Speaker A: Feitos à medida.
[00:16:17] Speaker B: Imagina um display, só encaixa naquele tablier, naquele dashboard.
e não pode ser aplicado num outro. Por isso, são especificações do nosso cliente que nós depois desenvolvemos mecanicamente, a nível de hardware e software, e entregamos então o produto que eles fazem. E reparem, a nossa ligação com o cliente É total, nós queremos que os nossos clientes nos vejam como um parceiro e não mais como um fornecedor. Na nova era da mobilidade, nós já não conseguimos fazer tudo sozinhos, porque o carro é um ecossistema já por si só.
Dentro de um ecossistema que é o nosso mundo, tudo está interligado, trabalha em conjunto umas coisas com as outras.
Por isso, neste mundo da mobilidade em que já ninguém consegue fazer tudo sozinho, nós somos na verdade não mais um funcionário, somos sim um parceiro e somos um parceiro em duas grandes Clientes tendem também a internalizar as soluções, isto por uma questão de IP, Intellectual Property, e eles próprios tentam fazer tudo dentro.
Pois bem, para essas soluções a Bosch oferece soluções de EMS NOS em Braga.
Também orgulho-me em dizer que nós somos a fábrica selecionada pela Bosch para soluções de EMS, serviços de manufatura eletrónica, que produz aquilo que o cliente quiser a nível de eletrónica. Isto é, se o cliente quiser desenvolver e pedir à Bosch para produzir, nós estamos cá para suportar. Mas no caso deles não forem capazes de desenvolver, porque a tecnologia é muito complexa, nós, Bosch, cá estamos.
Para com a nossa inovação, com os nossos talentos, poder então desenvolver em conjunto com os nossos parceiros, com os clientes, as soluções que eles mais precisam.
[00:18:09] Speaker A: Com que fabricantes é que a Bosch neste momento, e sobretudo a Unidade de Braga, trabalha, se puder revelar?
[00:18:15] Speaker B: Fácil, todos.
[00:18:17] Speaker A: Não há segmentação?
[00:18:18] Speaker B: Não. Se eu colocasse aqui um mapa de clientes para os quais trabalhamos, eu teria que colocar todos eles.
Obviamente temos uma relação muito forte com as marcas alemãs, com a Mercedes, com a BMW, mas também com a Renault e com muitas outras marcas mundialmente.
E orgulho-me também em dizer que nós queremos ser um parceiro global. Nós trabalhamos não só para as marcas europeias ou para os OEMs europeus, também trabalhamos para os chineses porque estão desenvolver-se, estão a liderar também o mercado e estão-se a tornar globais.
[00:18:50] Speaker A: Muitas destas marcas novas que temos vindo a entrar na Europa e em Portugal, vindas da China, já trazem algumas componentes, já trazem algum material que foi desenvolvido pela Bosch?
[00:19:01] Speaker B: Sem dúvida.
[00:19:01] Speaker A: Em Braga?
[00:19:02] Speaker B: Sem dúvida. A partir da nossa localização em Braga, já desenvolvemos e produzimos soluções que entram nestas marcas de construtores chineses.
[00:19:10] Speaker A: Como é que a indústria, neste caso automóvel, está a passar por um grande desafio? Talvez esse desafio não seja tão sentido pela Bosch, porque a Bosch não é um fabricante de automóveis, mas sim um parceiro. Esta nova geografia, esta nova realidade asiática, vinda da Ásia, não só da China, mas sobretudo da China, levantar aqui, talvez, desafios naquilo que tem sido o trabalho, neste caso, da Bosch de Braga.
Eu gostava de saber, pelo Carlos, que desafios são esses e de que forma é que eles têm vindo a ser ultrapassados.
[00:19:40] Speaker B: Os desafios da globalização são os mais vastos, não é? Mas também traz muitas oportunidades. Por isso, eu sempre que observo os desafios, observo também quais são as oportunidades que saem desses desafios. E eu chamava a atenção dois principais. O primeiro é que a competição é feroz.
Há muitos competidores a entregar aquilo que nós entregamos, por isso é extremamente complexo.
E depois o custo. A competitividade vinda da China é incrível, o que faz com que o mundo automóvel coloque no mercado soluções muito rápidas, com custo muito competitivo e uma qualidade bastante elevada. E obviamente é um desafio.
[00:20:27] Speaker A: E o desafio é a capacidade de rapidamente os concorrentes se atualizarem e darem uma ao mesmo nível ou a um nível superior?
[00:20:36] Speaker B: Claro, nós estávamos habituados a ciclos de inovação de dois, três anos. Isto já não acontece.
[00:20:41] Speaker A: São meses.
[00:20:42] Speaker B: O futuro é meses.
Por isso é que esta questão ao trazer a inteligência artificial para a área da mobilidade e estes ciclos de inovação curtos Tornam um desafio adicional porque a complexidade é grande, mas também o potencial que vem destes mesmos desafios é enorme. Nós teremos que ser capazes de poder inovar ainda mais e trazer novas soluções para o mercado com velocidade, com qualidade e obviamente com custo competitivo. E de Braga conseguimos fazê-lo. Eu até habito de dizer aos meus colegas que fala-se muito na qualidade alemã e na velocidade chinesa. Nós conseguimos entregar tudo a partir de Braga.
[00:21:20] Speaker A: Um outro ponto, e acho que até encaixa perfeitamente essa sua resposta nesta seguinte questão, que é como é que funciona a colaboração da Bosch, e neste caso da Bosch de Carro Multimédia de Braga, com a academia, com as universidades, porque é conhecido, é histórico, que existe uma relação de grande proximidade entre as universidades portuguesas e o grupo de Bosch, mas como é que isso funciona concretamente e já agora, se houve algum projeto desde há uns anos até agora, que tenha nascido na academia e que hoje seja uma realidade no mercado pela mão da voz.
[00:21:56] Speaker B: A nossa relação com a academia, nomeadamente com a Universidade do Minho, com a Universidade do Porto, é extrema, dura, há mais de uma década.
e nós temos vindo a nos desenvolver em conjunto e a desenvolver o ecossistema, por exemplo, que nós temos no Norte, que temos em Braga.
E não é só com, deixe-me só referenciar isto, não é só com a inovação. Nós, na verdade, temos colaboradores da Bosch a dar formação na Universidade. Nós temos investigadores da Universidade do Minho a trabalhar conosco, na nossa unidade Fabril, com problemas complexos em que precisamos da profundidade e da abrangência da academia para os poder resolver e, obviamente, nestes 10 anos de inovação, que nós temos vindo a trabalhar, nós já investimos cerca de 200 milhões de euros em conjunto com a academia em trazer novas soluções, essas soluções dos sensores que nós temos vindo a falar até agora e que são a base para o futuro da mobilidade e para o futuro da condução autónoma. E esta inovação não se aplica só no carro, nos produtos que nós produzimos para colocar no carro, mas também para a tecnologia que nós utilizamos para o fabrico desses mesmos produtos. Isto é, a inovação que nós fazemos com as universidades também fazemos para a área da produção, onde temos sistemas complexos para a detecção de anomalias, para podermos ter dados em tempo real, para podermos reagir rapidamente e evitar custos com defeitos.
Com as universidades têm vindo a se desenvolver, quer no produto quer na industrialização e na manufatura desses produtos que entregamos aos nossos clientes.
[00:23:41] Speaker A: Já estamos aqui a aproximarmos da reta final da nossa conversa, mas ainda mantendo essa relação estreita com as faculdades. Depois enfrenta aqui várias camadas e talvez a mais desafiante seja a da retenção de talento. Como é que a Bosch aqui consegue reter de facto engenheiros formados em Portugal, em Portugal, e nomeadamente em Brega.
[00:24:03] Speaker B: O Talento é o nosso embaixador para trazer mais negócio para Portugal. Os nossos colaboradores são, na verdade, o nosso maior ativo e caracterizam-se pelo seu conhecimento, pela sua competência, a sua capacidade de adaptar-se às necessidades do mercado. Temos trabalhado muito em trazer os talentos para a nossa organização e para reter os nossos talentos. É importante ter um propósito.
Da Bosch, tecnologia para a vida não pode ser mais emblemático e o nosso da Bosch em Braga juntos fazemos acontecer.
E temos que dar, obviamente, condições, boas condições de trabalho, flexibilidade.
Os nossos talentos procuram desafios interessantes que possam resolver e possam dar mais motivação.
E, acima de tudo, temos também uma liderança bastante forte, bastante madura. que promove um ambiente saudável e ético e tudo isto faz com que a gente possa atrair mais talento e conservá-lo para podermos fazer da mobilidade um futuro.
[00:25:13] Speaker A: Uma última questão e esta é para rematar aqui a nossa conversa. Como é que a Bosch Portugal, neste caso a Bosch Car Multimédia em Braga, pode continuar a contribuir para que o país seja inovador?
[00:25:29] Speaker B: Tudo aquilo que nós temos vindo a falar durante a nossa entrevista mostra o impacto que a Bosch Carmolimida Embraga tem para o futuro da mobilidade. Pois bem, nós conseguimos atrair talento, nós conseguimos atrair investimento e com isto aumentar a competitividade e a economia do nosso país.
[00:25:47] Speaker A: Muito obrigado, Carlos, por ter vindo ao ACP e por ter falado connosco e, de alguma forma, aberto as portas da Bosch. Muito obrigado.
[00:25:54] Speaker B: Foi um prazer, muito obrigado.
[00:25:56] Speaker A: A quem esteve desse lado a assistir a esta conversa, muito obrigado também por ter assistido.
Já sabe, pode assistir a outros podcasts do ACP e a outras conversas do Made in Portugal no site do Automóvel de Portugal e também nas plataformas Spotify, YouTube e Apple Podcasts. Muito obrigado e até uma próxima.