Episode Transcript
[00:00:06] Speaker A: Sejam bem-vindos a mais um podcast do ACP. Sou Mário Vasconcelos e hoje temos como convidado Raul Martins, presidente do Conselho de Administração do Grupo Altis.
Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite.
[00:00:15] Speaker B: Muito gosto.
Sou sócio do Automóvel Grupo de Portugal.
[00:00:18] Speaker A: Muito bem.
Para início de conversa, como é que um engenheiro civil acaba por estar à frente dos destinos do grupo?
Tratando-se de um negócio de família, era um destino inevitável?
[00:00:31] Speaker B: Bom, tudo começa, de facto, na década de 70. Quando o meu pai, na sua evolução de empresário, chega, portanto, à Rua Castilho e adquire um edifício, cujo objetivo inicial era a construção para escritório, foi na altura aconselhado, ou foi-lhe sugerido, que desenvolvesse um projeto de um hotel, porque na altura havia um apoio do governo para a construção de hotéis, porque se entendia que Portugal tinha grande potencial na área turística.
E, fundamentalmente, havia financiamentos, até 90% do investimento a realizar a uma taxa fixa. Portanto, era um apoio muito atraente que o meu pai, tendo recebido, de facto, essas sugestões, agarrou com as duas mãos, candidatou-se e foi a Altis, já nessa altura, já existia e, portanto, a Altis foi aprovado o financiamento, portanto, do Fundo de Turismo.
E, portanto, o meu pai, como era um homem audaz, como teve o apoio, o projeto que tinha uma determinada dimensão, tinha, se alguer, cerca de 120 quartos, então comprou, digamos, o prédio ao lado e passou a ter 200 quartos. E, portanto, o Hotel Altis nasce com 200 quartos, por força desta circunstância e desta audácia, portanto, do meu pai, e quando abre em 73, em novembro de 73, enfim, nós tivemos um incêndio que atrasou a abertura e portanto abrimos em 73 porque estávamos pressionados por reservas, nós quando abrimos o hotel não estava pronto. O hotel não estava pronto e durante... em 74 seria concluído e seria inaugurado. O que não vai acontecer porque estava marcado para dia 10 de junho e no dia 10 de junho de 74.
[00:02:37] Speaker A: Com grandes personalidades.
[00:02:39] Speaker B: Já o Presidente, digamos que tinha combinado, 10 de junho não, 13 de junho, peço desculpa, porque o meu pai era devoto de Santo António, e portanto era para ser no dia 13 de junho com o Sr. Almirante Américo Tomás. E portanto tal não veio a acontecer e portanto o hotel não foi digamos, oficialmente inaugurado e abriu as portas e defrontou-se com a revolução da altura e com tudo aquilo que elas teve associado de bom e de mal.
[00:03:08] Speaker A: O Hotel Altis é um hotel que tem uma história que se cruza com a história de Lisboa, não é? Foram tantos acontecimentos que lá aconteceram.
[00:03:17] Speaker B: Há uma explicação que eu encontro para esse ter ocorrido.
O Altis, quando abriu, foi o quarto hotel de cinco estrelas, portanto, a abrir. Havia o Ritz, havia o Tivoli e havia o Sheraton.
E o que é que aconteceu? Quando os partidos começaram a querer reunir, olharam e o hotel que não estava, digamos, comprometido com o ancião regime, era o Altis. E o Altis estava dotado de salas que os outros eventualmente não tinham essa condição. Nós, quando construímos o Altis, foi sempre um hotel para receber congressos e grandes reuniões. E, portanto, tínhamos salas que eram... que tinham condições para grandes reuniões. E, portanto, as reuniões dos partidos faziam-se invariavelmente ali. E o que eu estou a dizer dos partidos foi de todos. Acho que é bastante.
[00:04:13] Speaker A: Mas eu gostaria de falar ainda, no início mesmo, acaba de dizer que se tornou no quarto hotel com cinco estrelas, mas foi o primeiro justamente preparado, pensado para grandes eventos. Coisa que não acontecia com os outros hotéis.
O que é que existia naqueles terrenos antes do hotel ser construído?
[00:04:35] Speaker B: Eram edifícios, portanto, da época, que tinham já cerca de 20 anos, entre outras circunstâncias que são do conhecimento público. Há uma interessante, é que parte do filme O Leão da Estrela foi filmado naqueles edifícios, portanto as cenas que eram dentro de uma casa, a casa era no andar daqueles edifícios.
Aquela cena do António Silva do chute, quando estava para ir ver o jogo do Sporting, ao Porto, Éli. E aqueles edifícios eram edifícios de habitação. Eram quatro edifícios gêmeos de habitação que pertenciam a uma família e que nós fomos comprar, a família Herboés Moreira, que é ligada também muito ao ACP, e que nós fomos, o meu pai foi comprando para fazer primeiro aquela dimensão dos 200 quartos, mas depois, mais tarde, fez nova ampliação, nos anos 80, fez-se a ampliação para 300 quartos.
[00:05:44] Speaker A: A origem do nome também está envolta numa história muito engraçada. Partiu-lhe connosco e acabou por ele caber a si a responsabilidade de batizar o órgão.
[00:05:54] Speaker B: Na altura o meu pai, portanto, procurou-se uma agência de publicidade que sugerisse nomes. E surgiram vários nomes. Oral indicou vários nomes, desde Condor até até governador, até vários nomes. E veio a lista e o meu pai perguntou-me o que é que eu achava e eu disse, olha, eu não gosto de nenhum destes nomes, não sei tudo.
[00:06:18] Speaker A: Não me dizem nada?
[00:06:19] Speaker B: Não me dizem nada, não é nada diferente.
Então escolhe, vai, escolhe tu o nome.
E o meu pai, portanto, não gostas. Portanto, deu-me essa irresponsabilidade.
E eu disse assim, vamos lá ver, o nome tem que ser curto, dentro daquilo que se via na hotelaria, curto. Deve ser pronunciado em todas as línguas de uma forma semelhante ou igual, quase.
[00:06:45] Speaker A: Bem pensado.
[00:06:46] Speaker B: E eu disse, e já agora acrescento uma, é que começa por A, quer para aparecer na lista telefónica ou em todas as listas aparecer ao princípio.
Portanto, não é Sheraton, não é Hilton, que já na altura existiu, mas... E então eu disse assim, mas como é que eu vou encontrar o nome?
Fui buscar, vinha lá em casa a ciclopédia lá russa e comecei a folhear pelo ar, não é? Comecei a folhear e encontro o nome que diz Altis. Eu disse, este nome é bom em termos fonéticos e em termos de acordes. Epá, isto corresponde a tudo. O que é? Então, Altis era o local, na Antiga Grécia, onde se fazia a adoração a Zeus.
E eu disse assim, nós precisamos, de facto, do apoio dos deuses para fazer uma obra destas. E, portanto, este nome, até pelo seu simbolismo, entra aqui bem. Portanto, foi essa a razão que, de facto, o apoio dos deuses era necessário.
[00:07:45] Speaker A: A vida política nacional está intimamente ligada à história do Altis, ainda antes no Estado Novo, já no seu final, como depois na criação de partidos. Havia encontros no Altis para a criação de novos partidos logo a seguir ao 25 de Abril.
[00:08:05] Speaker B: No Estado Novo acabamos de não ter ligação nenhuma propriamente, porque a inauguração não se chegou a efetuar, nem simbólica, nem de maneira nenhuma. Portanto, digamos que nós abrimos em novembro de 73 e, portanto, estávamos a iniciar a exploração e não havia nenhuma ligação concreta ao Estado Novo.
[00:08:28] Speaker A: Mas como é que a política entra um cano no altíssimo?
[00:08:31] Speaker B: A política entra por isso, porque na minha percepção é de que os partidos para escolherem um local foram escolherem um hotel que não tivesse nada que ver com o passado.
E então sucederam-se uns atrás de outros. Hoje em dia às vezes Há pessoas que contam histórias, sim, porque nós combinámos no Altis fazer isto e fazer aquilo. Aquela galeria era ponto de encontro, portanto, de diversos partidos que se estavam a formar.
Em 80, o próprio AD, quando ganha pela primeira vez, é o ótis que serve de, digamos, de polícimo general.
[00:09:11] Speaker A: Mas se calhar também, penso eu, os partidos também, justamente por não ter nenhuma, não estar comprometido o hotel, mas pelo espaço, não é? Lá está a tal concessão.
[00:09:22] Speaker B: A tal concessão, sim. Aquele hall permitir as pessoas, quando entravam, nós tínhamos na altura, tínhamos uma sala, que hoje em dia continua a ser vista nas televisões como para fazer, muitas vezes, os fechos das campanhas, e essa sala cabe 300 pessoas. Hoje temos salas até maiores e mais variadas, mas essa era a sala principal onde se reuniam. E depois havia de facto a galeria, o lobby, mas a galeria que era relativamente reservada onde as pessoas se juntavam e faziam pequenas conversas e era aí que havia muita decisão política.
[00:10:05] Speaker A: E porquê que o Altice se tornou no quartel general do PS em noites eleitorais?
[00:10:10] Speaker B: Foi por coincidência.
[00:10:11] Speaker A: Acabou por ser um partido...
[00:10:13] Speaker B: Acabou por ser por coincidência porque, repare, na altura Quando a AD ganhou, ganhou lá.
E depois, numa sequência que o PS ganhou, que ganhou, ganhou lá e portanto depois o PS digamos que achou que lhe dava sorte.
E também há mais quem pense que dá sorte ir para lá.
[00:10:37] Speaker A: Claro.
Claro que os grandes eventos, outro tipo de grandes eventos, Marcam, marcaram e marcaram muito o Hotel Altis, nomeadamente no ACP, o ACP já organizou vários eventos no Altis. Lembram, por exemplo, em 1978, a propósito dos 75 anos do clube, deu um grande jantar aos sócios em que Amália Rodrigues foi a atração principal.
Portanto, não só na política, mas também.
[00:11:09] Speaker B: De facto, é muito procurado. Nós tivemos... Enfim, o meu pai tinha um gosto muito especial pela canção nacional, pelo fado. E, portanto, quando havia comemorações até dos nossos aniversários, havia sempre convites desses. Para além da Amália, nessa circunstância, também o Carlos do Carmo teve num aniversário. O Hermano José também esteve presente, não a cantar, mas a fazer, naturalmente, as suas intervenções e, portanto, inclusivamente no grill, à noite, cantava cefado.
[00:11:45] Speaker A: Já entrando nos anos 80, que é o tema desta série de podcasts, de facto falou, ainda há pouco falou, a vitória da AD, mas também logo a seguir houve uma tragédia nacional, não é?
[00:12:02] Speaker B: Fez uma conferência de imprensa em que explicava, portanto, a vitória e em que dizia que era preciso, de facto, apoiar o candidato apoiado pela AD e essa conferência de imprensa foi feita no Altis antes de ele ir apanhar o avião.
e o Amar da Costa, mas a essa conferência de imprensa estavam os três partidos.
[00:12:24] Speaker A: Para o voo fatídico.
[00:12:26] Speaker B: É verdade. Aí foi fatídica essa circunstância.
É uma perca nacional para todos os efeitos.
[00:12:34] Speaker A: E especialmente sentida por quem está diretamente ligado ao hotel, uma vez que foi ali que o episódio está muito ligado.
Os anos 80 também eram, Lisboa nessa altura era uma cidade em mudança, sobre vários aspectos. Como é que o hotel Altis conseguiu, acompanhou sempre esses tempos de mudança?
[00:12:58] Speaker B: A primeira grande mudança, a primeira que ocorre em 86, assinada em 85, é a nossa entrada na CE. É um facto histórico importantíssimo na história da democracia portuguesa, onde, no fundo, Portugal, a partir daí, se projeta para a Europa e dá um passo definitivo na modernização.
Penso que podemos dizer que os anos 80, a década de 80, é a década de ouro da democracia portuguesa. Depois disso houve coisas menos boas e há avanços e recursos. Mas aquela foi fluixente, tudo era novo.
Multibanco apareceu, houve o Cartão Jovem.
o Rui Veloso cantava o Chico Fininho, sei lá, era uma época prodigiosa de facto. E nós tivemos sempre a apoiar todas essas situações e disponíveis e o Altas tornou-se de facto como ponto de encontro para todas essas situações mais relevantes da sociedade.
[00:14:08] Speaker A: E mais a nível do turismo, estamos a falar também de uma época em que, o turismo estava a desenvolver-se.
Primeiro, o Algarve começou, foi o interesse primeiro, não é? As cidades vieram depois, os turistas já tinham outras apetências, era a vida cultural, a vida histórica das cidades.
Isso foi bom, não é? Para o hotel. Começou, além do Algarve, o turismo estava a largar-se.
[00:14:36] Speaker B: Também em termos de ponto de referência, enfim, não posso deixar de Lembrar que o meu pai foi presidente do Benfica na época de 80 e isso também polarizou, portanto, a situação do hotel.
E nós, durante a época de 80, é quando o turismo também cresce definitivamente e se consolida em certa medida. é também criada a Confederação de Turismo de Portugal, que o meu pai é o primeiro presidente, portanto foi ele que foi o primeiro presidente da Confederação do Turismo de Portugal, onde se congregam, portanto, as empresas ligadas ao turismo. E, portanto, os anos 80 para o turismo é um ano decisivo. Os anos 80 são, de facto, o ano de ouro também para o turismo, que é quando o turismo cresce mais, como disse, com o Algarve como ponto, digamos, como foco principal, mas também já há Madeira, e portanto, e Lisboa, naturalmente, por ser capital, já também acompanhava essa evolução.
[00:15:42] Speaker A: E que tipo de turistas eram esses que procuravam hospedar-se no Altice?
[00:15:46] Speaker B: Eram turistas, digamos, na sua verdadeira acessão da palavra, queriam conhecer. Primeiro...
[00:15:52] Speaker A: Eu hoje já não tenho essa sensação de apoio.
[00:15:54] Speaker B: Tem, mas queriam conhecer, porque hoje repetem-se, porque hoje em dia 90% dos turistas que são entrevistados à saída dizem que voltarão. E, portanto, podem já não ir ver o Mosteiro dos Jerónimos outra vez, não é? É natural. Se foram ver uma vez, já não vão ver outra vez o Mosteiro dos Jerónimos. Mas vêm frequentar, no fundo, a vida de Lisboa que é diferenciada, a de Barcelona é o que é, a de Paris é o que é, cada uma tem as suas características.
E, portanto, o turista, na altura, vinha, de facto, com o interesse de ver uma coisa que não tinha sido vista, não estava, digamos, no programa normalmente dos turistas. E aí descobriram muita coisa nova, descobriram digamos, a antiguidade de Portugal, a parte histórica, a parte histórica de Portugal e de Lisboa é muito interessante.
Hoje em dia os turistas vêm e sabem o que é que é Lisboa, como é que nasceu, o que é que até se calhar se chama Lisboa, e têm tudo isso de memória.
Depois começa a situação, portanto, dos negócios, a parte dos negócios com a entrada na Na CE, os negócios, portanto, desenvolvem-se muito mais.
Há uma ligação pelas razões das próprias regras da Comissão Europeia, as trocas comerciais passam a ser livres e, portanto, tudo isso faz um incremento nomeadamente da indústria portuguesa e de quem quer fazer coisas às vezes com uma determinada característica vem a Portugal à procura de fábricas que possam fazer determinados produtos e portanto Portugal entra nesse circuito dos negócios. Portanto, são os homens de negócios também.
E depois os congressos começam, digamos, a ser moda, portanto, fazer congressos para troca de ideias.
[00:17:58] Speaker A: Ainda nos anos 80.
[00:17:59] Speaker B: Ainda nos anos 80, troca de ideias, de informação, enfim, a parte médica muito relevante porque as experiências médicas têm necessidade muito de ser compartilhadas compartilhadas com outros médicos e são sempre muito interessantes, portanto os congressos na altura eram aqueles que eram mais impactantes e, portanto, torna-se um pouco moda fazer congressos das várias atividades. E, portanto, nós lá estamos com as nossas salas em condições para Hoje em dia podemos sentar mil pessoas ao mesmo tempo, não é? Mas em diversas salas. E, portanto, muitas vezes temos, de facto, congressos em que as salas estão todas preenchidas.
[00:18:48] Speaker A: E nos turistas dessa época, como vinham à descoberta do mundo novo, como é que os apoiavam em termos de informação? Não havia internet, as pessoas provavelmente chegavam com pouca informação. Como é que os apoiavam?
[00:19:00] Speaker B: Na altura, hoje em dia, não é exatamente assim, mas na altura Havia uma parte, uma secção, digamos, do hotel que estava na recepção, junto à recepção, que era a portaria.
A portaria era a base da informação toda sobre a cidade. Queriam reservar um restaurante melhor ou que fosse diferenciado ou não sei o quê, a portaria sabia. Queriam ir a Sintra, a portaria organizava. Hoje em dia essa situação está muito mais na parte das agências de viagem.
Mas tudo isso era, digamos, aconselhado e encaminhado pela portaria do hotel. E, portanto, nós tínhamos um porteiro que tinha vindo de um hotel que já existia, era o número dois aí e veio para ali. e ele era fabuloso, de facto, e era conhecido.
[00:19:52] Speaker A: Já trazia essa escola.
[00:19:53] Speaker B: Já trazia essa escola e fez escola ali porque formou muitos que participavam nessa informação para os turistas e nós tínhamos, de facto, uma portaria muito reconhecida e que os turistas, portanto, aproveitavam. Hoje em dia chamamos guest relations, mas não tem, talvez, não consegue ter tanta abrangência porque há muitas situações que já vêm encaminhadas, portanto, quando aqui chego.
[00:20:24] Speaker A: E nessa altura aí, Dan, nos anos 80, o turismo que se verificava era suficiente para manter o hotel em bom funcionamento ou os grandes eventos também foram muito importantes ou metade de um e metade de outro?
[00:20:38] Speaker B: Um hotel de 300 quartos tem sempre muita dificuldade ou terá sempre muita dificuldade em se encher com individuais, digamos assim. E qualquer hotel de maior dimensão, acima de 200 quartos, tem sempre salas de reuniões.
Hoje em dia, ninguém o fará sem salas de reuniões que permitam grupos, maiores ou menores, mas que permitam grupos.
vivemos essa miscelânea em permanência. Portanto, temos cerca de 50% de ocupação que resulta dessas conferências ou desses congressos ou dessas reuniões e temos os outros que são turistas que vêm por via individual. Às vezes com pequenos grupos de pessoas que se deslocam em conjunto.
Hoje até temos pessoas, por exemplo, que vão depois para os navios de cruzeiro, mas a primeira noite passam em Lisboa e passam aqui.
E, portanto, temos uma diversidade muito grande de turistas.
[00:21:35] Speaker A: Nessa altura, que clientes famosos é que tiveram, que passavam pelo hotel?
[00:21:39] Speaker B: Clientes famosos tivemos... Anos 80?
[00:21:42] Speaker A: Anos 80.
[00:21:43] Speaker B: Tivemos, por exemplo, o Miterra. Esteve ali, que eu agora me lembro. Bom, já não eram os anos 80, era mais tarde. Tivemos o Saramago, assim que eu me lembro. Tivemos o... Nos anos 80 tivemos o Júlio Iglesias, também. que ficou lá numa suite.
[00:22:01] Speaker A: Que vinha dar espetáculo, ou vinha como turista?
[00:22:04] Speaker B: Não, não, vinha para o espetáculo.
E portanto tivemos, também tivemos, eu não sei se é anos 80 ou não, eu acho que já é anos 90. anos 90 que era a representação, a representação não, a representante do Fundo Monetário Internacional. Também esteve lá. Mas agora já não sei se foi anos 80 ou se foi 90.
[00:22:24] Speaker A: Foram pessoas fáceis de lidar?
[00:22:26] Speaker B: Sabe que as pessoas que têm mundo são pessoas, portanto, mais fáceis de lidar. Por vezes os clientes mais difíceis são aqueles que não têm mundo, não é? E portanto chegam e têm exigências que que não se coadunam, mas nós procuramos sempre.
Enfim, não temos a máxima de que o cliente tem sempre razão, mas nós faremos tudo o que o cliente quer. O cliente está ali como se estivesse em sua casa e, portanto, nós recebemos como eles estivessem em casa e eu, muitas vezes, encontro pessoas no elevador e pergunto se estão a gostar e se não estão a gostar e te faço uma graça, quer dizer, se alguma coisa não correr bem, diga que conhece o dono do hotel. Sou eu. Eles ficam muito surpreendidos por estarem a ver o dono do hotel ali no hotel, que é uma coisa que valoriza. Portanto, as pessoas valorizam essa situação porque sentem que há uma personalização, portanto, no atendimento. Nós temos clientes habituais, nomeadamente portugueses, que chegam ali e dizem...
Não sabem o número, querem o quarto, querem sempre o mesmo.
E nós temos o cuidado de preservar essa situação e tentamos ter o mesmo quarto para os clientes.
[00:23:52] Speaker A: Com os registros, não é?
[00:23:53] Speaker B: E descobrem o... Até por conhecimento direto, não é? Porque temos pessoas... as pessoas vão se renovando, não é? Mas, quer dizer, nós vamos reformar agora... Nós já fizemos, portanto, 50 anos em 2023, em... mas vai-se reformar agora o nosso empregado mais antigo, que é só o pasteleiro que faz os pastéis de nata, para quem conhece e prova, e que são excelentes, e que vai-se reformar agora e que teve 50 anos ali a trabalhar. E eu tenho uma pequena história, uma vez, em agosto, provei o pastel de nata e disse para o empregado, o que é que se passa que o pastel de nata não está bom?
O Sr. Engenheiro, o Fernando está de férias.
Ou seja, o chefe da cozinha, o chefe da pastelaria estava de férias e a parte da massa crocante É o diferenciador porque o creme é mais fácil, digamos, de fazer. E aquela massa é fantástica quando é crocante. E ele fala como ninguém.
Enfim, hoje pensamos que já temos lá quem sabe a fazer como eu.
[00:25:04] Speaker A: Por isso eu ia perguntar de seguida se já tem sucessor.
[00:25:07] Speaker B: Já temos sucessor lá que já faz. Portanto, aquela situação que ocorreu naquele agosto, daqui a uns anos, já não ocorre.
[00:25:16] Speaker A: Um hotel vocacionado para os grandes eventos foi a ideia do seu pai, que foi conhecido, um empresário conhecido pelo seu espírito empreendedor e até visionário.
[00:25:25] Speaker B: O meu pai fez, ao longo da sua vida, desenvolveu vários negócios, eram sempre os negócios que estavam, portanto, a começar e ele soube projetá-los. E, portanto, era preciso conhecer o que é que se passava no mundo do turismo e, portanto, informou-se, foi aconselhado, teve pessoas que o aconselharam e, por exemplo, o primeiro diretor do hotel, enfim, em Lisboa ou em Portugal, não é que não houvesse diretores, mas ele foi buscar um diretor internacional. Era espanhol, era um diretor da Meliá, e que foi o primeiro diretor do hotel porque ele tinha know-how para esta situação. Agora a construção naturalmente já foi definida com base na informação que lhe chegou.
[00:26:18] Speaker A: E a construção do hotel foi a estreia do seu pai no mundo do turismo?
[00:26:24] Speaker B: Foi. Foi o primeiro passo. Foi um passo grande.
[00:26:30] Speaker A: Raul Martins, muito obrigado por ter aceitado o nosso convite.
[00:26:32] Speaker B: Eu é que agradeço. Obrigado.
[00:26:34] Speaker A: E obrigado também a quem nos acompanhou.
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